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República Democrática do Congo

CD
República Democrática do Congo
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial
  • Capital: Kinshasa
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Felix Tshisekedi
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo, religiões indígenas africanas
  • Idioma: Francês, lingala, kingwana, congo, tshiluba
  • Pontuação: 64


POPULAÇÃO
89,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
85,1 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo? 

O grupo extremista islâmico Aliança das Forças Democráticas (ADF-NALU) é responsável pela perseguição aos cristãos na parte oriental do país, atacando cristãos e igrejas. Os ataques da ADF e de outros grupos militantes na República Democrática do Congo (RDC) são o motivo pelo qual a violência é um grande risco para a população cristã e igrejas nas regiões onde os militantes estão ativos. A violência resultou em mais de um milhão de deslocados internos. Além disso, os seguidores de Jesus correm o risco de serem sequestrados e terem as casas destruídas.   

Os convertidos, tanto do islã quanto de religiões tribais, enfrentam pressão para participar de atividades religiosas e cerimônias não cristãs. O presidente anterior da RDC permaneceu ilegalmente no cargo anos após o mandato terminar. Representantes da Igreja Católica, que pediram publicamente ao governo que cumprisse os prazos eleitorais determinados pela Constituição, relataram ter enfrentado assédio verbal e interferência. 

“Era noite. Ouvimos tiros por toda parte, então fugimos... não levamos nada conosco. [Nós] vivemos aqui ao ar livre. Sem camas, sob a chuva e o sol. É muito difícil. Com todo esse sofrimento, só me lembro do que meu marido costumava dizer... Digo a mim mesma que Deus está no controle. Ele enxugará minhas lágrimas. Meu marido me ensinou a ler a palavra de Deus, o Senhor me diz para agradecer em todas as situações, e é isso que eu faço, isso me ajuda.” 

Mama Teseli, cristã perseguida na República Democrática do Congo 

O que mudou este ano? 

A República Democrática do Congo não estava no Top50 da Lista Mundial da Perseguição no ano passado. Sua ascensão acentuada reflete a violência extrema infligida à comunidade cristã no país. Em algumas partes do território, os cristãos estão sob risco constante de violência brutal, o que elevou a classificação da RDC na Lista Mundial da Perseguição 2021.   

Quem persegue os cristãos na República Democrática do Congo? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo são: opressão islâmicacorrupção e crime organizado, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo são: grupos religiosos violentos, redes criminosas, grupos paramilitares, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na República Democrática do Congo? 

Extremistas islâmicos são particularmente ativos na parte oriental do país. Todos os cristãos estão em risco nessas áreas. Além disso, os cristãos que se convertem do islã ou de religiões tradicionais (ou religiões que combinam elementos do cristianismo e do animismo) podem enfrentar pressão social, familiar e comunitária pela fé. 

Como as mulheres são perseguidas na República Democrática do Congo? 

As mulheres cristãs congolesas estão vulneráveis a sequestro, estupro, tortura sexual e trabalho forçado. Mulheres cristãs podem ser casadas, engravidadaou divorciadas à força. Esses casamentos forçados são frequentemente casamentos precoces, conforme relatos de que homens muçulmanos idosos geralmente preferem jovens meninas cristãs.  

Certos grupos terroristas buscam a islamização por meios violentos, casando mulheres sequestradas à força com líderes de milícias. As jovens são recrutadas por meios não violentos, inclusive por meio da sedução direcionada por jovens muçulmanos.  

Devido à vergonha da violência sexual, mulheres e meninas cristãs podem enfrentar isolamento e rejeição das famílias e comunidades após um ataque. Na cultura local, acredita-se que o estupro causa contaminação física e mental – uma crença que faz com que alguns maridos rejeitem completamente as esposas. 

Como os homens são perseguidos na República Democrática do Congo? 

Os cristãos congoleses enfrentam formas violentas e extremas de perseguição, incluindo mutilação, sequestro, recrutamento forçado por grupos de milícias, trabalho forçado e assassinatos brutais. Para escapar dos sequestradores, os homens podem ser forçados a pagar resgates altos; essevalores paralisam famílias já em dificuldades, sentenciando-as a viver os próximos anos na pobreza. Homens cristãos enfrentam discriminação no local de trabalho e, em alguns casos, a oportunidade de trabalhar é negada. O tratamento dos homens cristãos dessa forma também serve para enfraquecer as famílias e a igreja. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na República Democrática do Congo? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos na República Democrática do Congo. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para os lugares onde a necessidade é mais urgente.  

 

Pedidos de oração da República Democrática do Congo 

  • Ataques de extremistas islâmicos trouxeram grande sofrimento à população em geral, incluindo um grande número de cristãos. A vida das pessoas foi totalmente interrompida ao enfrentarem a morte de entes queridos, serem arrancadas de suas casas e terem os meios de subsistência destruídosOre pela abundante graça do Senhor à igreja nesta área enquanto procura ministrar a esperança de Cristo nessas circunstâncias. É difícil fornecer até mesmo as necessidades mais básicas. Por favor, clame pela provisão, força e esperança do Senhor.  
  • Interceda para que aqueles que enfrentaram perda de entes queridos experimentem o conforto do Senhor. Peça para que os sequestrados sejam libertos e voltem em segurança. Ore por estratégias mais eficazes e bem sucedidas para operações militares destinadas a remover a ADF e outras milícias violentas de seus redutos.  
  • Peça para que Deus toque os corações dos militantes da ADF. Clame para que ele os tire da violência e eles vejam a verdadeira face do Príncipe da Paz.   

Um clamor pela República Democrática do Congo 

Senhor, oramos pelo seu povo na República Democrática do Congo. Pedimos que os proteja das brutalidades e atrocidades infligidas a tantas pessoas. Pedimos que domine os corações da ADF e de outros grupos militantes – trazendo um espírito de arrependimento que só o Senhor pode dar. Também oramos por convertidos que enfrentam ainda mais pressão por sua decisão de seguir Jesus. Oramos por todas essas coisas em seu nome, amém.    

A República Democrática do Congo (RDC) foi uma colônia belga e sofreu uma grande injustiça sob o domínio belga. Em comparação a outros países africanos, a RDC declarou sua independência em 1960. Entretanto, a guerra civil se seguiu e a secessão em algumas províncias levou à fragmentação do país. O país se envolveu em uma guerra entre o Ocidente (liderado pelos Estados Unidos) e a União Soviética.  

A eleição de Joseph Kasavubu como presidente e Patrice Lumumba como primeiro-ministro não trouxe paz, e Patrice foi preso e morto em 17 de janeiro de 1961. Em 24 de novembro de 1965, Mobutu Sese Seko ganhou poder com a ajuda da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana e criou um ambiente onde apenas um partido poderia florescer, nomeado de Movimento Revolucionário Popular. A Constituição deu a ele poder ilimitado. Ele acumulou grande riqueza e apoiou combatentes da guerrilha nos países vizinhos, como Angola. O governo de Mobutu não foi incontestável. Manifestações, protestos e combatentes da guerrilha apoiados pela Angola colocaram pressão sobre Mobutu. 

Em 1994, o Banco Mundial declarou a falência do país. As atrocidades em Ruanda, no mesmo ano, tiveram um efeito indireto. Finalmente, com os soldados do grupo étnico tutsi treinados por Ruanda e Uganda, Laurent Kabila derrubou Mobutu em 1997. Kabila foi morto por seu próprio guarda-costas e substituído por seu filho, Joseph Kabila, que assumiu o poder. 

As guerras na RDC voltaram às manchetes em 2003, quando o presidente do país pediu à Corte Internacional Penal (ICC, da sigla em inglês) para investigar os crimes cometidos por vários grupos rebeldes. Após uma longa investigação, a Corte indiciou Thomas Lubanga Dyilo (ex-líder de um movimento rebelde no país), Germain Katanga (ex-militar da Força de Resistência Patriota de Ituri), Mathieu Ngudjolo Chui (coronel do exército congolês e ex-comandante sênior da Frente Nacional Integracionista e da Força de Resistência Patriótica em Ituri), Bosco Ntaganda (líder militar do grupo guerrilheiro Congresso Nacional para a Defesa do Povo), Callixte Mbarushimana (ex-funcionário das Nações Unidas) e Sylvestre Mudacumura (comandante-geral da ala militar das Forças Democráticas Rebeldes para a Libertação do Ruanda). 

A situação na RDC é agravada pela interferência contínua de países vizinhos. De acordo com um relatório publicado pelo jornal britânico The Guardian em 2012, as Nações Unidas oficialmente declararam que o ministro da Defesa de Ruanda era, de fato, o líder dos rebeldes na RDC. Relatórios da ONU em 2014 também implicaram Uganda e Burundi. 

Eleições presidenciais ocorreram em dezembro de 2018. Após alguns anos de especulação, o presidente Kabila decidiu recuar e não concorrer a um terceiro mandato. O presidente recém-eleito Felix Tshisekedi foi juramentado como sucessor de Joseph Kabila, em janeiro de 2019, na primeira transferência de poder do país por meio de uma eleição em 59 anos de independência. A comissão eleitoral do país declarou Tshisekedi vencedor apesar de evidências confiáveis de fraude eleitoral. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A República Democrática do Congo (RDC) é uma república multipartidária unitária com duas casas legislativas, o Senado, com 108 membros, e a Assembleia Nacional, com 500 membros. O presidente é o chefe de Estado e o primeiro-ministro, o chefe de governo. Com 26 juízes, a Suprema Corte é o organismo judicial mais elevado do país, enquanto a nação também possui uma Corte Constitucional com nove juízes. 

Embora o mandato do presidente Kabila tenha acabado em 2016, o país falhou em realizar eleições, o que causou grande tensão. Eleições presidenciais só aconteceram em dezembro de 2018, sem o presidente Kabila concorrer ao terceiro mandato. Sob o governo de Kabila, corrupção política, um Estado de direito fraco e violência permaneciam, de acordo com o relatório de 2019 da organização sem fins lucrativos Freedom House. Os Repórteres Sem Fronteiras também condenaram o regime do país em seu Índice de Liberdade de Imprensa 2017, onde declararam que ameaças, ataques físicos, sequestros, prisões e casos de detenção prolongados com jornalistas como alvo quase nunca eram investigados. Sob a presidência de Kabila, pelo menos 11 jornalistas foram mortos sem consequência para os autores. 

Em seu relatório de 2018, o Departamento de Estado dos Estados Unidos resumiu as péssimas condições de direitos humanos da seguinte forma: “Os mais importantes problemas nos direitos humanos incluem conflitos armados em partes do país que agravam uma já precária situação dos direitos humanos, como execuções ilegais, violência sexual incluindo estupros, desaparecimentos, torturas, e prisões e detenções arbitrárias. A impunidade e a corrupção difundidas por meio do governo, assim como o abuso e a obstrução de ameaças pelas forças de segurança estatais (SSF, da sigla em inglês), contra jornalistas, defensores de direitos humanos e membros da oposição política”. 

As eleições do novo presidente não reduziram as tensões. Em janeiro de 2020, a organização não governamental International Crisis Group disse: “Com o aumento do conflito na província de Ituri entre forças de segurança e grupos armados, ataques da milícia a civis surgiram no território de Beni, em Kivu do Norte no final de janeiro, e tensões persistiram entre o presidente Tshisekedi e aliados do antigo presidente, Kabila. Em Ituri, confrontos entre forças de segurança e o grupo armado Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO) nos territórios de Djugo e Mahagi entre 1 e 22 de janeiro deixaram ao menos 43 mortos”. 

O Índice de Percepção de Corrupção 2020, publicado pela organização não governamental Transparência Internacional coloca o país na colocação 170 de 180 países, com uma pontuação de 18, sendo 0 para altamente corrupto e 100 para muito correto. Corrupção e impunidade por atividades corruptas são ações desenfreadas nos setores público e privado. Isso afeta principalmente a comunidade cristã, que se opõe a isso, já que é uma forma de injustiça e contradiz os princípios da fé cristã.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estatísticas do centro de estudos religiosos World Christian Database (WCD), mais de 95% da população é cristã e 1,4% muçulmana. Entretanto, o mesmo relatório indica que os líderes da comunidade muçulmana alegam que a população islâmica é de 5%. A Enciclopédia Britânica ainda coloca a proporção de muçulmanos como 10% e a editora de recursos geográficos World Atlas como 12,6%. 

O grupo islâmico Forças Democrática Aliadas (ADF-NALU, da sigla em inglês) é responsável pela perseguição aos cristãos em Kivu do Norte, no Leste do país, atacando cristãos e igrejas. Na esfera da família, convertidos do islamismo e de religiões indígenas enfrentam pressão para fazer parte de atividades religiosas e cerimônias não cristãs. Representantes da Igreja Católica, que publicamente pressionam o governo para obedecer aos prazos eleitorais constitucionais obrigatórios, relatam que experimentam assédio verbal e interferência baseada em sua defesa.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A República Democrática do Congo (RDC) é um dos países mais ricos da África em termos de minérios e recursos naturais. Ela tem vastos depósitos de diamantes industriais, cobalto e cobre. O país também tem uma das maiores reservas florestais na África. O Rio Congo, o maior rio da África, tem metade do potencial hidroelétrico do continente. 

O país tem dificuldades com a inflação e a desaceleração do crescimento econômico. Isso foi principalmente devido ao declínio dos preços e a diminuição da demanda global por materiais brutos, como cobre e cobalto, o que é considerado 80% da renda de exportação da RDC. É previsível que a moeda nacional continue seu declínio com relação ao dólar enquanto a taxa de inflação aumentar.A taxa de inflação foi de 4,6% em 2019, uma queda dos 7,2% em 2018. No entanto, a paralisante incerteza política, como por exemplo as atrasadas eleições de dezembro de 2018, e o medo da violência eleitoral fizeram com que muitos investidores voltassem atrás. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A República Democrática do Congo (RDC) é o maior país na região dos Grandes Lagos. É parte do antigo Reino do Congo e tem mais de 200 grupos étnicos. Ela compartilha fronteiras com Congo Brazzaville, Angola, Zâmbia, Ruanda, Tanzânia, Burundi, Uganda, Sudão do Sul e República Centro-Africana (RCA). Com uma população de aproximadamente 87 milhões de pessoas, a RDC é o quarto país mais populoso da África. O francês é a língua oficial. 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país de 2020 é de 0,480 pontos, o que coloca o país na 175ª posição de 189 países. A expectativa de vida ao nascer é de 60,7 anos. A taxa de adultos alfabetizados é de 77%. A porcentagem da população que vive com renda abaixo da linha da pobreza, 1,90 dólar por dia, é 76,6%. 

O cristianismo tem uma longa história na República Democrática do Congo e remonta a 1491, quando padres católicos romanos chegaram, depois de mercadores portugueses terem descoberto o Rio Congo em 1482. Entretanto, como o principal foco era a venda de escravos, missões cristãs não foram muito para dentro do país. O cristianismo não pôde ser propriamente estabelecido até o século 19. 

Missionários católicos chegaram em 1865. O rei Leopoldo II da Bélgica estava interessado em estabelecer a Bélgica como um poder colonial e ajudou missionários dando a eles concessões de terra. Protestantes entraram no país em 1878, quando batistas britânicos construíram suas próprias estações missionárias ao longo do Rio Congo. Em 1891, presbiterianos vieram dos Estados Unidos. Em 1915, pentecostais chegaram do Reino Unido. Esses foram seguidos por menonitas, adventistas do sétimo dia e outras denominações. 

A violência foi extremamente alta no último ano, bem como a pressão aos cristãos

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