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República Democrática do Congo

CD
República Democrática do Congo
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial, opressão do clã
  • Capital: Kinshasa
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Felix Tshisekedi
  • Governo: República semipresidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo, religiões indígenas africanas
  • Idioma: Francês, lingala, kingwana, congo, tshiluba
  • Pontuação: 66


POPULAÇÃO
92,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
87,8 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo? 

A perseguição na República Democrática do Congo (RDC) geralmente acontece na forma de ataques violentos. Embora uma alta porcentagem da população seja cristã, o grupo extremista islâmico Aliança das Forças Democráticas (ADF-NALU) é responsável pela perseguição aos cristãos na parte oriental do país, atacando brutalmente cristãos e igrejas.  

Em um distrito no Leste do país, há apenas quatro igrejas evangélicas remanescentes das 24 que uma vez estiveram ativas. Enquanto a perseguição é relativamente baixa em outras esferas da vida, os altos níveis de violência são o principal motivo para a RDC estar no Top50 da Lista Mundial da Perseguição 2022. 

Os convertidos, tanto do islã quanto de religiões indígenas, enfrentam pressão para participar de atividades religiosas e cerimônias não cristãs. Líderes cristãos que advogam contra a corrupção são vulneráveis a assédio e interferência do governo. 

“Eu cheguei na plantação e encontrei apenas a bicicleta dele abandonada na estrada.” 

Georgine, viúva devido a um ataque de extremistas islâmicos na República Democrática do Congo 

O que mudou este ano? 

A violência contra cristãos permanece alta e continua sendo a principal forma de perseguição na República Democrática do Congo. Em 2021, o governo anunciou um estado de sítio nas províncias do Nordeste para conter a violência cometida pelas Aliança das Forças Democráticas  mas ataques a comunidades e igrejas continuam. 

Quem persegue os cristãos na República Democrática do Congo? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial, opressão do clã. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na República Democrática do Congo são: grupos religiosos violentos, redes criminosas, grupos paramilitares, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na República Democrática do Congo? 

Cristãos enfrentam perseguição violenta de militantes islâmicos particularmente ativos na parte leste do país. 

Como as mulheres são perseguidas na República Democrática do Congo? 

As mulheres cristãs congolesas são vulneráveis a sequestro, estupro, tortura sexual e trabalho forçado, especialmente quando cometidos pelo grupo extremista islâmico Aliança das Forças Democráticas.  

Há relatos de muitas meninas e mulheres cristãs, principalmente ex-muçulmanas, serem sequestradas e forçadas a se casar. Esses casamentos forçados são sempre de meninas jovens. Grupos extremistas islâmicos também sequestram meninas e mulheres cristãs para escravidão sexual — enquanto outros usam métodos não violentos para convencer meninas cristãs a se converterem ao islamismo.

Sequestros e abuso sexual ocorrem mais comumente pelas mãos de grupos armados na região nordeste da RDC, causando extremo dano psicológico e trauma para as vítimas. Devido à vergonha da violência sexual, mulheres e meninas cristãs podem enfrentar isolamento e rejeição da família e comunidade após um ataque.

Na cultura local, acredita-se que o estupro causa “contaminação” física e mental — uma crença que faz com que alguns maridos rejeitem completamente as esposas. 

Como os homens são perseguidos na República Democrática do Congo? 

Os cristãos congoleses enfrentam formas extremas de perseguição, incluindo mutilação, sequestro, recrutamento forçado por grupos de milícias, trabalho forçado, mutilação sexual e assassinatos brutais. Há pouca chance de justiça legal quando essa perseguição terrível acontece. 

Para escapar dos sequestradores, os homens podem ser forçados a pagar resgates altos; essevalores paralisam famílias já em dificuldades, sentenciando-as a viver os próximos anos na pobreza. Mesmo sem os resgates punitivos, homens cristãos enfrentam discriminação no local de trabalho e, em alguns casos, a oportunidade de trabalhar é negada. tratamento dos homens cristãos dessa forma também serve para enfraquecer as famílias e a igreja. Líderes de igrejas também são alvo, principalmente se denunciam a violência publicamente. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na República Democrática do Congo? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para apoiar cristãos na RDC por meio de treinamento de discipulado e preparação para a perseguição, projetos de empoderamento econômico e cuidados pós-trauma. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na República Democrática do Congo?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você oferece socorro a cristãos no Oeste Africano vítimas de violência 

Pedidos de oração da República Democrática do Congo 

  • Ore para que o governo busque soluções reais e definitivas para a profunda crise de segurança na RDC. 
  • Interceda para que pastores no Leste do país recebam coragem para permanecer, sabedoria no preparo da igreja para a perseguição e compaixão ao ministrarem para traumatizados e deslocados. 
  • Peça a Deus que fortaleça a igreja por meio de treinamento e programas de cuidados pós-trauma liderados por parceiros da Portas Abertas. 

Um clamor pela República Democrática do Congo 

Deus pai, choramos com nossos irmãos e irmãs da República Democrática do Congo que enfrentam essa violência terrível. Por favor, capacite líderes da igreja em regiões vulneráveis ao confortarem os que estão em luto, ministrarem aos traumatizados e deslocados e prepararem as congregações para a perseguição que enfrentam. Pedimos que o Senhor traga paz duradoura a esse país sofrido. Amém.   

A República Democrática do Congo (RDC) foi uma colônia belga e sofreu uma grande injustiça sob o domínio belga. Em comparação a outros países africanos, a RDC declarou sua independência em 1960. Entretanto, a guerra civil se seguiu e a secessão em algumas províncias levou à fragmentação do país. O país se envolveu em uma guerra entre o Ocidente (liderado pelos Estados Unidos) e a União Soviética.  

A eleição de Joseph Kasavubu como presidente e Patrice Lumumba como primeiro-ministro não trouxe paz, e Patrice foi preso e morto em 17 de janeiro de 1961. Em 24 de novembro de 1965, Mobutu Sese Seko ganhou poder com a ajuda da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana e criou um ambiente onde apenas um partido poderia florescer, nomeado de Movimento Revolucionário Popular. A Constituição deu a ele poder ilimitado. Ele acumulou grande riqueza e apoiou combatentes da guerrilha nos países vizinhos, como Angola. O governo de Mobutu não foi incontestável. Manifestações, protestos e combatentes da guerrilha apoiados pela Angola colocaram pressão sobre Mobutu. 

Em 1994, o Banco Mundial declarou a falência do país. As atrocidades em Ruanda, no mesmo ano, tiveram um efeito indireto. Finalmente, com os soldados do grupo étnico tutsi treinados por Ruanda e Uganda, Laurent Kabila derrubou Mobutu em 1997. Kabila foi morto por seu próprio guarda-costas e substituído por seu filho, Joseph Kabila, que assumiu o poder. 

As guerras na RDC voltaram às manchetes em 2003, quando o presidente do país pediu à Corte Internacional Penal (ICC, da sigla em inglês) para investigar os crimes cometidos por vários grupos rebeldes. Após uma longa investigação, a Corte indiciou Thomas Lubanga Dyilo (ex-líder de um movimento rebelde no país), Germain Katanga (ex-militar da Força de Resistência Patriota de Ituri), Mathieu Ngudjolo Chui (coronel do exército congolês e ex-comandante sênior da Frente Nacional Integracionista e da Força de Resistência Patriótica em Ituri), Bosco Ntaganda (líder militar do grupo guerrilheiro Congresso Nacional para a Defesa do Povo), Callixte Mbarushimana (ex-funcionário das Nações Unidas) e Sylvestre Mudacumura (comandante-geral da ala militar das Forças Democráticas Rebeldes para a Libertação do Ruanda). 

A situação na RDC é agravada pela interferência contínua de países vizinhos. De acordo com um relatório publicado pelo jornal britânico The Guardian em 2012, as Nações Unidas oficialmente declararam que o ministro da Defesa de Ruanda era, de fato, o líder dos rebeldes na RDC. Relatórios da ONU em 2014 também implicaram Uganda e Burundi. 

Eleições presidenciais ocorreram em dezembro de 2018. Após alguns anos de especulação, o presidente Kabila decidiu recuar e não concorrer a um terceiro mandato. O presidente recém-eleito Felix Tshisekedi foi juramentado como sucessor de Joseph Kabila, em janeiro de 2019, na primeira transferência de poder do país por meio de uma eleição em 59 anos de independência. A comissão eleitoral do país declarou Tshisekedi vencedor apesar de evidências confiáveis de fraude eleitoral. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A República Democrática do Congo (RDC) é uma república multipartidária unitária com duas casas legislativas, o Senado, com 108 membros, e a Assembleia Nacional, com 500 membros. O presidente é o chefe de Estado e o primeiro-ministro, o chefe de governo. Com 26 juízes, a Suprema Corte é o organismo judicial mais elevado do país, enquanto a nação também possui uma Corte Constitucional com nove juízes. 

Embora o mandato do presidente Kabila tenha acabado em 2016, o país falhou em realizar eleições, o que causou grande tensão. Eleições presidenciais só aconteceram em dezembro de 2018, sem o presidente Kabila concorrer ao terceiro mandato. Sob o governo de Kabila, corrupção política, um Estado de direito fraco e violência permaneciam, de acordo com o relatório de 2019 da organização sem fins lucrativos Freedom House. Os Repórteres Sem Fronteiras também condenaram o regime do país em seu Índice de Liberdade de Imprensa 2017, onde declararam que ameaças, ataques físicos, sequestros, prisões e casos de detenção prolongados com jornalistas como alvo quase nunca eram investigados. Sob a presidência de Kabila, pelo menos 11 jornalistas foram mortos sem consequência para os autores. 

Em seu relatório de 2018, o Departamento de Estado dos Estados Unidos resumiu as péssimas condições de direitos humanos da seguinte forma: “Os mais importantes problemas nos direitos humanos incluem conflitos armados em partes do país que agravam uma já precária situação dos direitos humanos, como execuções ilegais, violência sexual incluindo estupros, desaparecimentos, torturas, e prisões e detenções arbitrárias. A impunidade e a corrupção difundidas por meio do governo, assim como o abuso e a obstrução de ameaças pelas forças de segurança estatais (SSF, da sigla em inglês), contra jornalistas, defensores de direitos humanos e membros da oposição política”. 

As eleições do novo presidente não reduziram as tensões. Em janeiro de 2020, a organização não governamental International Crisis Group disse: “Com o aumento do conflito na província de Ituri entre forças de segurança e grupos armados, ataques da milícia a civis surgiram no território de Beni, em Kivu do Norte no final de janeiro, e tensões persistiram entre o presidente Tshisekedi e aliados do antigo presidente, Kabila. Em Ituri, confrontos entre forças de segurança e o grupo armado Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO) nos territórios de Djugo e Mahagi entre 1 e 22 de janeiro deixaram ao menos 43 mortos”. 

O Índice de Percepção de Corrupção 2020, publicado pela organização não governamental Transparência Internacional coloca o país na colocação 170 de 180 países, com uma pontuação de 18, sendo 0 para altamente corrupto e 100 para muito correto. Corrupção e impunidade por atividades corruptas são ações desenfreadas nos setores público e privado. Isso afeta principalmente a comunidade cristã, que se opõe a isso, já que é uma forma de injustiça e contradiz os princípios da fé cristã.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estatísticas do centro de estudos religiosos World Christian Database (WCD), mais de 95% da população é cristã e 1,4% muçulmana. Entretanto, o mesmo relatório indica que os líderes da comunidade muçulmana alegam que a população islâmica é de 5%. A Enciclopédia Britânica ainda coloca a proporção de muçulmanos como 10% e a editora de recursos geográficos World Atlas como 12,6%. 

O grupo islâmico Forças Democrática Aliadas (ADF-NALU, da sigla em inglês) é responsável pela perseguição aos cristãos em Kivu do Norte, no Leste do país, atacando cristãos e igrejas. Na esfera da família, convertidos do islamismo e de religiões indígenas enfrentam pressão para fazer parte de atividades religiosas e cerimônias não cristãs. Representantes da Igreja Católica, que publicamente pressionam o governo para obedecer aos prazos eleitorais constitucionais obrigatórios, relatam que experimentam assédio verbal e interferência baseada em sua defesa.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A República Democrática do Congo (RDC) é um dos países mais ricos da África em termos de minérios e recursos naturais. Ela tem vastos depósitos de diamantes industriais, cobalto e cobre. O país também tem uma das maiores reservas florestais na África. O Rio Congo, o maior rio da África, tem metade do potencial hidroelétrico do continente. 

O país tem dificuldades com a inflação e a desaceleração do crescimento econômico. Isso foi principalmente devido ao declínio dos preços e a diminuição da demanda global por materiais brutos, como cobre e cobalto, o que é considerado 80% da renda de exportação da RDC. É previsível que a moeda nacional continue seu declínio com relação ao dólar enquanto a taxa de inflação aumentar.A taxa de inflação foi de 4,6% em 2019, uma queda dos 7,2% em 2018. No entanto, a paralisante incerteza política, como por exemplo as atrasadas eleições de dezembro de 2018, e o medo da violência eleitoral fizeram com que muitos investidores voltassem atrás. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A República Democrática do Congo (RDC) é o maior país na região dos Grandes Lagos. É parte do antigo Reino do Congo e tem mais de 200 grupos étnicos. Ela compartilha fronteiras com Congo Brazzaville, Angola, Zâmbia, Ruanda, Tanzânia, Burundi, Uganda, Sudão do Sul e República Centro-Africana (RCA). Com uma população de aproximadamente 87 milhões de pessoas, a RDC é o quarto país mais populoso da África. O francês é a língua oficial. 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país de 2020 é de 0,480 pontos, o que coloca o país na 175ª posição de 189 países. A expectativa de vida ao nascer é de 60,7 anos. A taxa de adultos alfabetizados é de 77%. A porcentagem da população que vive com renda abaixo da linha da pobreza, 1,90 dólar por dia, é 76,6%. 

O cristianismo tem uma longa história na República Democrática do Congo e remonta a 1491, quando padres católicos romanos chegaram, depois de mercadores portugueses terem descoberto o Rio Congo em 1482. Entretanto, como o principal foco era a venda de escravos, missões cristãs não foram muito para dentro do país. O cristianismo não pôde ser propriamente estabelecido até o século 19. 

Missionários católicos chegaram em 1865. O rei Leopoldo II da Bélgica estava interessado em estabelecer a Bélgica como um poder colonial e ajudou missionários dando a eles concessões de terra. Protestantes entraram no país em 1878, quando batistas britânicos construíram suas próprias estações missionárias ao longo do Rio Congo. Em 1891, presbiterianos vieram dos Estados Unidos. Em 1915, pentecostais chegaram do Reino Unido. Esses foram seguidos por menonitas, adventistas do sétimo dia e outras denominações. 

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