42

Turquia

TR
Turquia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial, opressão do clã
  • Capital: Ancara
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Recep Tayyip Erdogan
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Turco, curdo
  • Pontuação: 65


POPULAÇÃO
84,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
170 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Turquia? 

Os cristãos enfrentam perseguição resultante do nacionalismo religioso. O governo visa até os seguidores de Jesus estrangeiros nas fronteiras e os casados com cidadãos turcos. 

Não é ilegal que os muçulmanos se convertam ao cristianismo, mas, se o muçulmano decide seguir a Jesus, sofre as consequências dentro da família e da comunidade. Em alguns casos, os cristãos vivem vidas duplas para esconder a nova fé.  

Qualquer cristão é considerado de segunda classe e enfrenta todos os tipos de obstruções legais e burocráticas. Ele tem acesso limitado a empregos públicos e enfrenta discriminação no trabalho privado.  

“A única razão que imagino [para tentarem nos forçar a sair do país] é que somos pessoas de fé, e às vezes compartilhamos nossa fé com o povo local.” 

Hans-Jurgen Louven, cristão perseguido na Turquia 

O que mudou este ano? 

Embora tenha diminuído em pontuação, a Turquia ainda é um local onde os cristãos encontram oposição significativa por causa da fé. Cada vez mais, a identidade turca está ligada ao islã, então qualquer pessoa fora desse tipo de nacionalismo religioso é suspeita e discriminada.  

Todos os cristãos estão sob pressão na Turquia, mas os ex-muçulmanos são os mais vulneráveis, junto com refugiados de países como Irã, Iraque e Síria. 

Quem persegue os cristãos na Turquia? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Turquia são: opressão islâmica, nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial, opressão do clã.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Turquia são: oficiais do governo, parentes, cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, líderes de grupos étnicos.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na Turquia? 

A perseguição a cristãos ex-muçulmanos é maior em áreas rurais da Turquia. É por isso que muitos optam por viver nas cidades, onde têm mais liberdade. Cristãos de tradições históricas, como das igrejas armênia e assíria (siríaca), enfrentam maior pressão e hostilidade na região sudeste do país. 

Como as mulheres são perseguidas na Turquia? 

As cristãs ex-muçulmanas são mais vulneráveis à perseguição, principalmente nas áreas rurais. Elas já são consideradas como inferiores aos homens e estão sujeitas ao controle familiar.  

Tornar-se cristã ou casar-se com um seguidor de Jesus desonra a família, pois é esperado que ela satisfaça as expectativas da família ao escolher carreira, relacionamento e casamento.  

Quando o direito de uma mulher cristã é violado, toda a família é afetada e pode instigar sentimentos de raiva, medo e ansiedade em outros membros.   

Como os homens são perseguidos na Turquia? 

Homens e meninos cristãos têm maior probabilidade de serem deportados, presos e ameaçados. Eles também são maltratados pelas autoridades e rejeitados pelos familiares. Além disso, perdem o emprego e o direito a herança.  

No serviço militar, se a religião cristã estiver registrada nos documentos de identidade, o soldado será visto como suspeito pelos superiores e receberá intimidação dos colegas. Apesar do serviço militar ser obrigatório, é improvável que um cristão alcance patentes altas. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Turquia? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos perseguidos na Turquia.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Turquia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração da Turquia

  • Interceda para que a sociedade turca seja liberta do sentimento de discriminação e que tenha consciência do amor e da graça de Deus. Peça que os cristãos ex-muçulmanos sejam protegidos e encontrem um lugar para adorar a Jesus livremente.  
  • Peça a Deus para fortalecer o ministério da Portas Abertas com as comunidades de refugiados iranianos na Turquia. Interceda para que Deus levante os Centros de Esperança para refugiados do Irã e que isso traga muitos para o caminho de Cristo. 
  • Ore pela liderança da Turquia, para que perceba que os cristãos turcos fazem parte da estrutura do país. Que nossos irmãos sejam respeitados e tratados com dignidade e igualdade.  

Um clamor pela Turquia 

Pai celestial, pedimos que esteja com seu povo na Turquia. Que os cristãos experimentem a sua doce presença quando forem oprimidos por amor ao Senhor. Sustente-os com sua mão poderosa e dê-lhes força para perseverar nos caminhos de Jesus. Que eles também sejam cheios do seu Espírito Santo. Em nome de Jesus, amém. 

Desde cedo, a história da Turquia foi marcada por um enfoque na identidade religiosa, com pessoas sendo divididas mais por suas crenças religiosas do que por etnicidade. Durante o século 19, minorias cristãs se tornaram influenciadas pela filosofia iluminista do nacionalismo. Isso mudou seu foco de serem ortodoxos gregos no Império Otomano, para serem gregos que também eram ortodoxos. Essa mudança na ênfase levou primeiro gregos e búlgaros a quererem sua independência do Império Otomano e então se espalhar para outros grupos. O medo do aumento do nacionalismo entre grupos étnicos cristãos foi uma das razões para o genocídio de cristãos armênios, siríacos e gregos ortodoxos no final do século 19 e então novamente durante a Primeira Guerra Mundial. Isso instigou desde então uma maior marginalização de grupos minoritários.  

A Turquia é um remanescente do Império Otomano, que consistiu nos Balcãs do Sudeste da Europa, na Turquia moderna, no Oriente Médio e em todo o Norte da África. O império participou da Primeira Guerra Mundial do lado perdedor dos impérios alemão e austríaco-húngaro. 

O Império Otomano perdeu todos os seus territórios fora da Turquia atual quando a França e a Inglaterra dividiram o Oriente Médio e o Norte da África entre eles. Os turcos sentiram-se completamente humilhados. Isso levou ao estabelecimento do Movimento Nacional Turco. 

Sob a liderança de Mustafa Kemal Pasha (conhecido também por Atatürk), a Guerra de Independência Turca foi travada, os exércitos de ocupação foram expulsos e um novo sistema político foi criado. Em 1 de novembro de 1922, o parlamento recém-fundado aboliu formalmente o sultanato, terminando assim 623 anos de domínio otomano. O Tratado de Lausanne, de 24 de julho de 1923, levou ao reconhecimento internacional da soberania da recém-formada “República da Turquia” como a continuação do Império Otomano. 

Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente da república e posteriormente introduziu muitas reformas radicais com o objetivo de transformar o Estado otomano-turco em uma república secular. 

O país rapidamente se modernizou. A Turquia tornou-se uma democracia multipartidária em 1945. A política era dominada pelo exército turco que encenou golpes, em 1960, 1971, 1980 e 1997, contra os governos eleitos. 

Políticos fortes foram vistos pelo público turco como incapazes e altamente corruptos, o que levou a uma mudança política em 2002. Desde 3 de novembro de 2002, a Turquia é governada pelo Partido Conservador da Justiça e Desenvolvimento (Adalet ve Kalkoinma Partisi – AKP) sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan. 

Em agosto de 2014, após três mandatos como primeiro-ministro, Erdogan foi eleito como presidente da Turquia. Em 15 de julho de 2016, ocorreu um golpe, mas falhou e o regime revidou ferozmente. Em abril de 2017, um referendo ocorreu quanto a reformas constitucionais que mudariam a Turquia de uma democracia parlamentarista para presidencial, garantindo poder considerável ao presidente e tornando-o o principal tomador de decisões políticas na Turquia. Além disso, as novas reformas permitem que Erdogan permaneça no poder até 2029. Ambas as eleições em junho de 2018 foram vencidas por Erdogan e seu partido AKP, tornando-o um dos mais poderosos líderes que a Turquia já teve. 

Em uma grande mudança, o partido AKP perdeu Ancara e Istambul nas eleições municipais de 2019, que talvez fosse um sinal de que o presidente começou a perder sua popularidade. Entretanto, Erdogan minou significativamente as eleições transferindo a autoridade dos prefeitos para Ministérios liderados pelo governo, tornando impossível para os prefeitos da oposição realizarem seus próprios planos. 

Em uma demonstração de força, unidades do exército turco invadiram a Síria em outubro de 2019 para levar forças curdas de volta para as fronteiras curdas. A Turquia vê os grupos curdos armados na Síria como terroristas que apoiam o Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK, da sigla em inglês), com os quais a Turquia tem lutado há décadas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Turquia é uma república presidencial sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan. De acordo com a legislação turca baseada no Pacto de Lausane de 1923, apenas quatro grupos religiosos são reconhecidos pelo Estado: islamismo sunita, ortodoxos gregos, apostólicos armênios e judeus. A religião de um cidadão é registrada nos documentos oficiais, como passaporte ou identidade. A única outra alternativa é deixar a opção religião em branco. Desde 2017, as novas identidades não têm mais um campo para religião. Entretanto, a afiliação religiosa ainda é registrada no chip eletrônico da identidade e ainda é comum para oficiais do governo perguntarem a religião de alguém. 

A legislação turca não permite o treinamento de ministros da igreja em centros de educação privados. Como resultado, todos os seminários ortodoxos gregos e apostólicos armênios foram forçados a fechar nos anos 1970 e 1980 e permanecem fechados até hoje. Comprar instalações para igrejas pode ser muito difícil, já que as leis de zoneamento tendem a ser arbitrárias. A lei turca estipula que apenas certos prédios podem ser designados como igrejas. Se um prédio terá permissão ou não de ser utilizado por um grupo religioso como igreja depende muito das tendências pessoais e políticas do prefeito local, bem como da atitude da população local. A The Economist Intelligence Unit classifica a Turquia como um regime “híbrido”, embora a baixa pontuação do país seja um indicador de “liberdades civis” em comparação com muitos países classificados como “autoritários”. 

A mídia tem sido cerceada e todas as formas de oposição são perseguidas. Erdogan declarou que “democracia e liberdade de imprensa são incompatíveis”, o que não é uma surpresa visto que muitos jornalistas estão presos no país. Embora os cristãos turcos não sejam um alvo direto do governo no momento, o regime já declarou abertamente que o islamismo sunita é a norma religiosa no país, marginalizando claramente o cristianismo.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estimativas de 2021 do World Christian Database, 98,3% da população turca é muçulmana, um terço dos quais são alevitas ou xiitas. A maioria dos turcos é muçulmana sunita. Apenas 0,2% da população é cristã. 

A Turquia está atualmente passando por uma mudança gradual de um país estritamente secular para um país baseado em normas e valores islâmicos. Quando o secularismo prevaleceu, os cristãos experimentaram muitas restrições, já que o Estado interpretou o secularismo como permissão para controlar. Sob o atual regime do presidente Erdogan, o secularismo diminuiu e o país está aceitando uma influência islâmica mais abertamente. 

A opinião geral é que um verdadeiro turco é muçulmano. A conversão não é apenas uma questão de prejudicar a honra da família, é também vista como um “insulto turco”. Isso pode resultar em processos judiciais e prisão. O coquetel do islã e do nacionalismo também afeta outros cristãos que são principalmente de minorias étnicas, por exemplo, gregos, armênios, sírios. Eles dificilmente são vistos como membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todos os tipos de obstruções legais e burocráticas.  

Os não muçulmanos são silenciosamente banidos de empregos na burocracia estatal e nas forças de segurança. Eles afirmam que, quando se alistam para o serviço militar, sua filiação religiosa é observada por seus superiores e também há um “controle de segurança” por causa disso. Não há não muçulmanos entre oficiais militares turcos, governadores provinciais ou prefeitos. No entanto, pela primeira vez na história da Turquia, um cidadão ortodoxo siríaco foi eleito para o parlamento nas eleições de junho de 2011. 

O coquetel do islã com o nacionalismo também afeta cristãos que não vêm de família muçulmana, principalmente os de minorias étnicas, por exemplo, gregos, armênios, sírios. Eles dificilmente são considerados membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todo tipo de obstrução legal e burocrática. Os cristãos não têm acesso a emprego na esfera pública e enfrentam discriminação no setor privado, especialmente quando os empregadores têm vínculos com o governo. Como a afiliação religiosa ainda é registrada nos antigos cartões de identificação e no chip eletrônico dos novos cartões de identificação, é fácil discriminar os candidatos cristãos.  

Em maio de 2010, o governo divulgou um decreto a todos os órgãos do governo, afirmando que os direitos das minorias cristãs e judaicas devem ser respeitados e seus líderes tratados com respeito. Em agosto de 2011, o governo publicou um decreto para devolver os bens confiscados pelo Estado que pertenciam às finanças gregas, armênias e judaicas. 

Duas questões devem ser observadas nesse contexto: para o retorno das propriedades é essencial ser uma organização registrada; e em todas essas ações não há nenhuma menção à igreja protestante turca emergente. Os decretos não impediram o governo de confiscar mais de cem títulos de propriedade da antiga igreja siríaca desde 2014. Ao todo, 55 ações foram devolvidas em maio de 2018, depois que o Parlamento da União Europeia também abordou a questão.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A performance de desempenho social e econômico da Turquia desde o início dos anos 2000 é impressionante, levando ao aumento de empregos e renda e tornando a Turquia um país de renda média-alta. Entretanto, nos últimos anos, vulnerabilidade no crescimento econômico e um ambiente externo mais desafiador têm minado essas conquistas. Na maior parte do período desde 2000, a Turquia manteve um foco a longo prazo em implementar reformas ambiciosas em diversas áreas, e programas do governo tiveram como alvo grupos vulneráveis e regiões desavantajadas. 

Devido à crescente islamização, ficou mais difícil para mulheres (cristãs e seculares) que não usam véu na cabeça conseguir emprego. Muitos cristãos relatam que ao não se listarem como muçulmanos em seus cartões de identidade, ou deixarem em branco, não conseguiram obter emprego no setor privado.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A maioria da população turca (76,6%) vive em áreas urbanas. Enquanto isso, a grande população de 84,5 milhões está crescendo 0,7%. A taxa de alfabetização é alta (96,2%). A expectativa de vida aumentou nas últimas décadas, chegando aos 76 anos em 2020. 

A sociedade turca é conservadora, muçulmana, tribal e patriarcal. O “turco” como identidade é continuamente usado como arma política, pois ser turco é comumente entendido como ser muçulmano sunita. Todos os outros grupos religiosos enfrentam discriminação. Além disso, muitos refugiados árabes experimentam ódio social, sendo responsabilizados pelo aumento dos preços e pelo desemprego. 

Apesar do ódio social, a Turquia ainda recebe milhões de refugiados sírios e é chamada de exemplo para outros países pelo Banco Mundial. No entanto, o presidente Erdogan tem usado a crise dos migrantes para forçar a Europa a pagar seis bilhões de euros por receber os refugiados, caso contrário enfrentarão um enorme influxo de refugiados. 

Uma questão preocupante em particular permanece o ódio social contra cristãos e judeus. Durante anos, a hostilidade social e o discurso de ódio contra os cristãos foram comuns. No entanto, a resposta do governo ao golpe de 2016, atacando veementemente todos os supostos inimigos, despertou o nacionalismo no país. O Instituto Hudson escreve: “Desde o golpe abortado, os dramas históricos revisionistas que disseminam as teorias de conspiração antiminoritárias [...] tornaram-se a forma mais eficaz de propaganda. [...] O mais alarmante é o papel dos meios de comunicação social administrados pelo Estado de difamar e fazer as minorias religiosas de bode expiatório, usando fundos do Estado para incitação de hostilidade, particularmente contra judeus e cristãos”. 

Líderes tribais usam o poder deles para empurrar os siríacos para fora da terra natal no Sudeste. No entanto, isso afeta apenas populações cristãs rurais. A maioria dos cristãos na Turquia vive nas grandes cidades e não são fortemente afetados por isso, embora a hostilidade social com relação a etnicidade das minorias cristãs esteja presente em toda a Turquia. Esses cristãos sentem a pressão da guerra civil na Síria e ficam no fogo-cruzado entre os clãs curdos, o governo e o grupo militante curdo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). 

Leis e costumes tribais ainda têm um papel importante, sobretudo nas províncias do Leste da Turquia. Os convertidos podem enfrentar maior pressão lá, visto que a conversão não é vista somente como uma traição do islã, mas também da família e do clã.  

O cristianismo tem uma longa história na Turquia. Devido aos esforços do apóstolo Paulo e de seus cooperadores, congregações cristãs foram fundadas nos primeiros dias do Novo Testamento onde hoje é a Turquia. 

Quando João escreveu o livro do Apocalipse, ele começou escrevendo cartas para sete congregações no Oeste da Turquia. Na fase inicial, a igreja frequentemente funcionava no subterrâneo devido à perseguição dos romanos. 

Sob Constantino (imperador de 306 a 337 d.C.), o cristianismo tornou-se a religião do Estado. A cidade de Constantinopla (atual Istambul) tornou-se um centro do cristianismo. Em 1054 ocorreu o Grande Cisma, que causou uma divisão duradoura entre a Igreja Ocidental e a Oriental. O resultado foi que Bizâncio se tornou o centro do cristianismo oriental ou ortodoxo, e também a capital de um enorme império — o Império Bizantino. 

Em 1453, os turcos otomanos conquistaram esse império quando tomaram a capital. Desde então, os cristãos na Turquia estão sob domínio muçulmano. Uma política de islamização começou e o cristianismo gradualmente perdeu a posição influente no país. 

Desde o século 19, o poder do Império Otomano começou a desmoronar, e territórios foram perdidos. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano tomou partido da Alemanha e da Áustria-Hungria. Em 1915, mais de 1 milhão de armênios e assírios foram mortos, dizimando o papel da Igreja Ortodoxa Armênia e causando tensões com a Rússia em toda a Anatólia (Ásia Menor), onde o território armênio se encontrava. O Império Otomano finalmente entrou em colapso em 1917. 

No final da Primeira Guerra Mundial, muitas questões precisavam ser resolvidas na Turquia, das quais a mais importante era a posição das várias minorias étnicas e suas religiões. No recém-formado Estado da Turquia, as minorias grega, armênia e síria enfrentaram uma forte discriminação. 

Pressão que foi acumulando com o passar dos anos, até 1923, quando o Tratado de Lausanne foi concluído. Milhões de pessoas foram expulsas. Uma grande parte da minoria grega deixou o país e mudou-se para a Grécia, enfraquecendo a posição da Igreja Ortodoxa Grega na Turquia. 

Desde 1923, apenas duas igrejas foram reconhecidas pelo Estado turco — a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Armênia. Juntas, elas formam cerca de 70% de todos os cristãos na Turquia. Além da comunidade ortodoxa siríaca, que não estava incluída nas proteções do Tratado de Lausanne, também estão a Igreja Católica Romana, os cristãos protestantes estrangeiros e os cristãos turcos nativos. 

Após uma longa batalha judiciária, o status oficial foi concedido em 2000 à Igreja Protestante de Istambul em Altintepe. Esse foi o primeiro, e até agora, único, reconhecimento oficial de uma igreja protestante na Turquia. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As comunidades cristãs históricas incluem as igrejas ortodoxa apostólica armênia e ortodoxa grega (as únicas igrejas “reconhecidas” no Tratado de Lausanne em 1923). Há também as igrejas assírias, ortodoxas siríacas e católicas siríacas, todas monitoradas regularmente e sujeitas a controles e limitações por parte do governo. Seus membros são considerados “estrangeiros” em muitas relações oficiais, bem como na mente do público em geral. Eles dificilmente são considerados membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todos os tipos de obstáculos legais e burocráticos. Por exemplo, as igrejas ortodoxa armênia e grega precisam de permissão do governo turco para selecionar novos líderes da igreja. 

Também existem cristãos expatriados pertencentes a igrejas cristãs históricas. Há cristãos ortodoxos russos que possuem permissão de residência, enquanto também existem católicos romanos, a maioria imigrante da África e das Filipinas. Nos últimos anos, suas fileiras aumentaram com os milhares de refugiados cristãos que chegaram da Síria e do Iraque para escapar da guerra em suas terras. 

Os cristãos ex-muçulmanos carregam o peso da perseguição na Turquia. A pressão vem de família, amigos, comunidade e até autoridades locais. Eles são considerados traidores da identidade turca. Além de convertidos de origem turca, também existem comunidades de convertidos de outros países, como o Irã. 

Comunidades cristãs não tradicionais existem principalmente como pequenos grupos e algumas são incapazes de pagar aluguel de um local para culto. Muitas delas se reúnem em casas, o que pode levar à oposição dos vizinhos. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Facebook
Instagram
Twitter
YouTube

© 2022 Todos os direitos reservados

Home
Lista mundial
Doe
Fale conosco