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Turquia

TR
Turquia
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, opressão islâmica, nacionalismo religioso, opressão do clã
  • Capital: Ancara
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Recep Tayyip Erdogan
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Turco, curdo
  • Pontuação: 69


POPULAÇÃO
83,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
171 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Turquia? 

Na Turquia, o nacionalismo religioso é muito forte e está crescendo, colocando enorme pressão sobre os cristãos. Em contraste com os anos anteriores, o governo não só tem como alvo cristãos estrangeiros, mas também baniu os estrangeiros que são casados com cidadãos turcos — e que têm filhos com cidadania turca. A atmosfera de crescente nacionalismo deixa pouco espaço para qualquer um proclamar uma mensagem diferente, e os cristãos precisam tomar muito cuidado em compartilhar a fé com os outros, pois podem despertar suspeitas. 

Converter-se do islã ao cristianismo não é ilegal, mas os convertidos provavelmente enfrentarão oposição e pressão da família e comunidade local. Em alguns casos, isso pode levar ao divórcio ou à deserção. Os perigos significam que alguns cristãos levam uma vida dupla e escondem a conversão. A filiação religiosa em documentos de identidade pode ser legalmente alterada, mas o processo pode ser estressante e difícil. Mesmo mudar de uma denominação para outra pode ser problemático. 

Essa mistura do islã e do nacionalismo também afeta cristãos de origens não muçulmanas, por exemplo, minorias étnicas como gregos, armênios e sírios. Eles mal são reconhecidos como membros plenos da sociedade turca e encontram todos os tipos de obstruções legais e burocráticas. 

Os cristãos têm acesso limitado ao emprego estatal e experimentam discriminação no setor privado, especialmente quando os empregadores têm laços com o governo. Uma vez que a filiação religiosa ainda é registrada nos documentos de identidade antigos e no chip eletrônico dos novos, é fácil discriminar candidatos cristãos.   

“A única razão que imagino [para tentarem me forçar a sair do país] é que somos pessoas de fé, e às vezes compartilhamos nossa fé com o povo local.” 

Hans-Jurgen Louven, cristão perseguido na Turquia 

O que mudou este ano? 

A Turquia subiu nove posições na Lista Mundial de Perseguição 2021 em relação a 2020, refletindo o crescente e sufocante impacto do nacionalismo religioso sobre o cristianismo e um claro aumento da violência relatada.  

A redefinição de duas igrejas históricas, que passaram de museus a mesquitas durante o verão de 2020, reforçou o crescente nervosismo entre os cristãos sobre a direção islâmica e nacionalista que o país está tomando. Em julho, o presidente Recep Tayyip Erdogan declarou que a Hagia Sophia em Istambul – uma igreja construída no século VI e convertida em uma mesquita no século XV, depois transformada em museu em 1935 – seria novamente transformada em mesquita. Duas semanas depois, o prédio foi aberto para orações muçulmanas.  

Isso levou ao medo entre os cristãos, com alguns cristãos mais jovens considerando deixar o país e se mudar para o Ocidente. Há inclusive evidências que sugerem que, geralmente, os jovens na Turquia estão se recusando a acreditar no nacionalismo religioso que permeia a sociedade 

Enquanto isso, muitos cristãos estrangeiros estão precisando deixar a Turquia involuntariamente. De acordo com a Associação de Igrejas Protestantes, desde janeiro de 2019, quase 60 estrangeiros – muitos que trabalham na Turquia como pastores ou líderes comunitários – foram orientados a sair ou não foram autorizados a voltar ao país.  

Quem persegue os cristãos na Turquia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Turquia são: paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, opressão islâmica, nacionalismo religioso, opressão do c. 

Já as “fontes de perseguição são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Turquia são: oficiais do governo, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, parentes, partidos políticos, líderes religiosos não cristãos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na Turquia? 

Os cristãos ex-muçulmanos experimentam maior oposição nas áreas rurais da Turquia. Consequentemente, alguns deles se mudam para lugares urbanos para poderem viver com mais liberdade. Grupos cristãos históricoscomo as igrejas armênia e assíria, enfrentam alta pressão e hostilidade na região Sudeste da Turquia. 

Como as mulheres são perseguidas na Turquia? 

Apesar do sistema legal turco dar direitos iguais a homens e mulheres, ainda espera-se que as mulheres tragam honra às famílias em suas escolhas matrimoniais, de relacionamentos carreira. Portanto, tornar-se cristão pode implicar riscos únicos, especialmente nas áreas rurais. As mulheres ex-muçulmanas podem enfrentar a rejeição da família ou serem proibidas de se encontrar com outros cristãos.  

Dado o atual renascimento do islã no país, é provável que as mulheres também enfrentem uma pressão crescente para atender às regras islâmicas sobre vestimenta e conduta.   

Como os homens são perseguidos na Turquia? 

Na Turquia, espera-se que os homens sejam defensores do islã e da cultura turca. O não cumprimento dessa expectativa cria uma pressão que pode impedir que os homens pisem em uma igreja. 

O serviço militar é obrigatório no país. Se a religião cristã é registrada no documento de identidade de alguém, é provável que seja vista com desconfiança pelo superiores e gere intimidação pelos pares. Os cristãos têm dificuldade em encontrar emprego no setor público, enquanto no setor privado há a ameaça de discriminação.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Turquia? 

A Portas Abertas promove apoio espiritual por meio de campanhas de oração em favor dos cristãos perseguidos na Turquia. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.

 

Pedidos de oração da Turquia

  • Clame para que a atmosfera sufocante e suspeita para os cristãos na Turquia mude. 
  • Ore para que seja concedido favor aos cristãos estrangeiros em seus pedidos de residência e em apelações em curso contra a proibição de residência. 
  • Peça a Deus para que todos os convertidos sob pressão pela fé em Jesus se mantenham firmes, cresçam no amor por Jesus, e sejam protegidos de todos os danos. 

Um clamor pela Turquia 

Querido Deus, ajude seus filhos enquanto proclamam o evangelho em uma atmosfera sufocante e suspeita. Conceda-lhes sabedoria, discernimento e ousadia. Dê aos cristãos estrangeiros favor em pedidos de residência, e que aqueles forçados a sair do país tenham a certeza de seu amor e provisão. Fortaleça e sustente todos os convertidos sob pressão por segui-lo. Mude a atmosfera na Turquia. Amém. 

A Turquia é um remanescente do Império Otomano, que abrangia os Balcãs do Sudeste da Europa, a Turquia moderna, o Oriente Médio e todo o Norte da África. O império participou da Primeira Guerra Mundial do lado perdedor dos impérios alemão e austríaco-húngaro. 

O Império Otomano perdeu todos os seus territórios fora da Turquia atual quando a França e a Inglaterra dividiram o Oriente Médio e o Norte da África entre si. Os turcos sentiram-se completamente humilhados. Isso levou ao estabelecimento do Movimento Nacional Turco. 

Sob a liderança de Mustafa Kemal Pasha (conhecido também por Atatürk), a Guerra de Independência Turca foi travada, os exércitos de ocupação foram expulsos e um novo sistema político foi criado. Em 1 de novembro de 1922, o parlamento recém-fundado aboliu formalmente o sultanato, terminando assim 623 anos de domínio otomano. O Tratado de Lausanne, de 24 de julho de 1923, levou ao reconhecimento internacional da soberania da recém-formada “República da Turquia” como a continuação do Império Otomano. 

Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente da república e posteriormente introduziu muitas reformas radicais com o objetivo de transformar o Estado otomano-turco em uma república secular. 

O país rapidamente se modernizou. A Turquia tornou-se uma democracia multipartidária em 1945. A política era dominada pelo exército turco que encenou golpes, em 1960, 1971, 1980 e 1997, contra os governos eleitos. 

Políticos fortes eram vistos pelo público turco como incapazes e altamente corruptos, o que levou a uma mudança política em 2002. Desde 3 de novembro de 2002, a Turquia é governada pelo Partido Conservador da Justiça e Desenvolvimento (Adalet ve Kalkoinma Partisi – AKP) sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan. 

Desde 2002, a Turquia vem tentando reinventar sua imagem interna e pública. O conceito de ser um país ocidental e secular não é mais prioridade. Em vez disso, o islamismo é considerado o elemento que cimenta a sociedade turca. 

A necessidade de aderir ao bloco ocidental desapareceu depois que a União Soviética entrou em colapso em 1991, quando a Turquia se voltou para o Oriente Médio. O objetivo do governo desde então tem sido tornar a Turquia um dos principais atores da região, um modelo a ser seguido. Mas regional e internacionalmente esses objetivos não foram cumpridos nos últimos anos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan, houve mudanças importantes na política internacional e doméstica. A Turquia distanciou-se da Europa, de Israel (um aliado tradicional) e voltou-se para o mundo muçulmano. Em 10 de agosto de 2014, depois de três mandatos como primeiro-ministro, Erdogan foi eleito presidente turco. 

Em 15 de julho de 2016, um golpe não conseguiu desalojar o presidente Erdogan e o regime retaliou prendendo dezenas de milhares de soldados, policiais, juízes, políticos, jornalistas, professores, imãs (líderes islâmicos), etc., acusados de apoiar Gülen, o suposto líder que estava nos Estados Unidos. 

Após o fracassado golpe de julho de 2016, as mudanças na Turquia foram drásticas. O governo assumiu mais poderes ditatoriais e o nacionalismo e a islamização aumentaram. A luta contra a minoria curda se intensificou e a Turquia assumiu uma posição muito mais assertiva no cenário internacional, tornando-se militarmente ativa na Síria e no Iraque, principalmente com as forças curdas. 

O conflito com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) se intensificou e o país se mostrou vulnerável a ataques e bombardeios de curdos e outros grupos nos últimos anos. A presença turca na Síria levou a um aumento das tensões com a Síria, grupos curdos na Síria e também com os EUA.  

A mídia tem sido cerceada e todas as formas de oposição são perseguidas. Erdogan declarou que “democracia e liberdade de imprensa são incompatíveis”, o que não é uma surpresa visto que muitos jornalistas estão presos no país. Embora os cristãos turcos não sejam um alvo direto do governo, o regime já declarou abertamente que o islamismo sunita é a norma religiosa no país, marginalizando claramente o cristianismo.  

O nacionalismo, que já desempenhou um papel importante no país, subiu para novas alturas e as minorias estão sob pressão renovada, especialmente a população curda. A retórica agressiva do governo deixou menos espaço para outras vozes, incluindo a cristã. 

Em abril de 2017, foi realizado um referendo sobre reformas constitucionais, mudando a Turquia de uma democracia parlamentar para presidencial, o que garante grande poder ao presidente e o torna um absoluto tomador de decisões na política turca. Uma pequena minoria de 51% votou a favor das reformas. Em setembro de 2017, a Turquia abriu a maior base militar no exterior em Mogadíscio, na Somália. E, em abril de 2018, Erdogan anunciou novas eleições tanto para o parlamento quanto para a presidência. 

Ambas as eleições, realizadas em junho de 2018, foram ganhas por Erdogan e seu partido, AKP, fazendo-o um dos mais poderosos líderes que a Turquia já teve. Embora Erdogan tenha cancelado o estado de emergência que vigorava desde o golpe de junho de 2016, ele não impediu o governo turco de reprimir opositores políticos e apoiadores do golpe. 

Um caso em particular foi a detenção do pastor americano Andrew Brunson, que ficou detido por dois anos por supostamente apoiar Fethullah Gülen e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), o que levou a sanções impostas pelos Estados Unidos. Apesar de tê-lo condenado a mais de três anos de prisão, o tribunal o libertou em outubro de 2018 por conta do tempo já cumprido em detenção e por bom comportamento. A economia turca sofreu com esses desenvolvimentos e a moeda local atingiu baixos recordes em agosto de 2018. 

Em uma grande mudança, o partido AKP perdeu Ancara e Istambul nas eleições municipais de 2019, o que poderia ser interpretado como sinal de que o presidente está perdendo popularidade. Um desenvolvimento importante e positivo foi a aceitação pelo AKP dos resultados da reeleição para o cargo de prefeito em Istambul, em junho de 2019. A aceitação dos resultados da reeleição foi (internacionalmente) considerada um teste importante para a democracia turca. No entanto, a falta de liberdade de imprensa e as fortes acusações contra os partidos de oposição continuam sendo uma questão de grande preocupação. 

Em uma demonstração de força, Erdogan invadiu a Síria em outubro de 2019 para expulsar as forças curdas da fronteira turca. A Turquia vê esses grupos curdos como organizações terroristas que apoiam o PKK com quem a Turquia luta há décadas. 

A síntese da atual situação política é o registro da Turquia em relação ao jornalismo: há quatro anos, a Turquia é o país com o maior número de jornalistas atrás das grades. Essa política rígida parece ter sido bem-sucedida: embora a liberdade de imprensa tenha se deteriorado ainda mais, o número de jornalistas presos caiu um pouco à medida que os jornalistas aplicam a autocensura. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

A influência do islã na Turquia está crescendo. De acordo com as estimativas do World Christian Database, 98,3% da população turca é muçulmana, um terço dos quais são alevitas ou xiitas. A maioria dos turcos é muçulmana sunita. Apenas 0,2% da população é cristã. 

A Turquia está passando por uma mudança gradual de um país estritamente secular para um país baseado em normas e valores islâmicos. Quando o secularismo prevaleceu, os cristãos experimentaram muitas restrições, já que o Estado interpretou o secularismo como permissão para controlar. Sob o atual regime do presidente Erdogan, o secularismo diminuiu e o país está aceitando uma influência islâmica mais abertamente. 

De acordo com a legislação turca baseada no Tratado de Lausanne de 1923, apenas quatro grupos religiosos são reconhecidos pelo Estado: o islamismo sunita, a ortodoxia grega, os apostólicos armênios e o judaísmo. Essa informação é registrada nos documentos oficiais de cada cidadão, ou seja, passaporte ou cartão de identificação. A única alternativa para quem não pertence aos grupos religiosos reconhecidos é deixar o espaço para a religião em branco. Desde 2017, novas carteiras de identidade não têm mais o campo para designar a religião. Afiliação religiosa ainda é registrada no chip eletrônico no documento de identidade e ainda é comum que oficiais do governo perguntem sobre a religião das pessoas. 

Na Turquia, o islã é totalmente misturado ao forte nacionalismo. O nacionalismo religioso na sociedade coloca muita pressão sobre os cristãos. O governo não tem como alvo os cristãos em particular, mas o nacionalismo da sociedade quase não deixa espaço para os cristãos proclamarem uma mensagem alternativa.  

Convertidos do islã para o cristianismo, em particular, enfrentam oposição social, embora a conversão não seja legalmente proibida. Os cristãos ex-muçulmanos são pressionados por suas famílias e comunidades a retornar ao islã, e até deixar uma denominação cristã para outra pode ser problemático. Os cristãos, portanto, às vezes levam uma vida dupla e ocultam a conversão. Embora os convertidos do islã possam legalmente mudar a afiliação religiosa na carteiras de identidade para o cristianismo, pode ser um processo difícil e estressante. Uma vez descoberto, um cristão ex-muçulmano pode ser ameaçado com divórcio e perda de direitos de herança por membros da família. 

A opinião geral é que um verdadeiro turco é muçulmano. A conversão não é apenas uma questão de prejudicar a honra da família, é também vista como um “insulto turco”. Isso pode resultar em processos judiciais e prisão. O coquetel do islã e do nacionalismo também afeta outros cristãos de minorias étnicas, por exemplo, gregos, armênios, sírios. Eles dificilmente são vistos como membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todos os tipos de obstruções legais e burocráticas.  

A conversão não é proibida por lei. No entanto, é provável que haja implicações sociais e familiares para a conversão do islamismo ao cristianismo ou de uma denominação cristã para outra. Isso faz com que os cristãos, às vezes, conduzam uma vida dupla e escondam a nova decisão de fé. Os cristãos ex-muçulmanos que escondem a identidade da família e parentes também escondem a oração, a Bíblia, os materiais cristãos, o acesso a televisão e sites cristãos, etc. Boa parte desses, muitas vezes, têm medo de conhecer outros irmãos. 

A conversão para o cristianismo é considerada inaceitável pelas famílias conservadoras. Assim, é mais difícil para os convertidos serem abertos sobre a nova crença — em particular para as mulheres. Eles estão sob vigilância por parte das famílias e comunidades e às vezes são detidos em casa na tentativa de forçá-los a negar a nova fé. 

A legislação turca não permite o estudo de ministros cristãos em centros de educação privados. Como resultado, todos os seminários apostólicos ortodoxos (armênios e gregos) foram fechados à força e continuam assim até hoje. Contudo, sob as garantias do Tratado de Lausanne, as comunidades grega e armênia ainda mantêm as escolas de ensino fundamental credenciadas pelo Ministério da Educação. 

As igrejas católica e protestante são capazes de proporcionar treinamento ministerial para os membros nas instalações da igreja. É claro, os cristãos turcos não experimentam facilidade — devem continuar seus estudos informalmente ou treinar seus pastores e líderes no exterior. 

A compra de instalações para igrejas é muito difícil, uma vez que as leis de zoneamento tendem a ser arbitrárias. A lei turca estipula que apenas certos edifícios podem ser designados como igrejas. Se um edifício será ou não dado a um grupo religioso para uso como igreja dependerá muito das tendências políticas e pessoais do prefeito, bem como da atitude da população local. 

Os não muçulmanos são silenciosamente banidos de empregos na burocracia estatal e nas forças de segurança. Eles afirmam que, quando se alistam para o serviço militar, sua filiação religiosa é observada por seus superiores e também há um “controle de segurança” por causa disso. Não há não muçulmanos entre oficiais militares turcos, governadores provinciais ou prefeitos. No entanto, pela primeira vez na história da Turquia, um cidadão ortodoxo siríaco foi eleito para o parlamento nas eleições de junho de 2011. 

O coquetel do islã com o nacionalismo também afeta cristãos que não vêm de família muçulmana, principalmente os de minorias étnicas, por exemplo, gregos, armênios e sírios. Eles dificilmente são considerados membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todo tipo de obstrução legal e burocrática. Os cristãos não têm acesso a emprego na esfera pública e enfrentam discriminação no setor privado, especialmente quando os empregadores têm vínculos com o governo. Como a afiliação religiosa ainda é registrada nos antigos cartões de identificação e no chip eletrônico dos novos cartões de identificação, é fácil discriminar os candidatos cristãos.  

Em maio de 2010, o governo divulgou um decreto a todos os órgãos do governo, afirmando que os direitos das minorias cristãs e judaicas devem ser respeitados e seus líderes tratados com respeito. Em agosto de 2011, o governo publicou um decreto para devolver os bens confiscados pelo Estado que pertenciam às finanças gregas, armênias e judaicas. 

Duas questões devem ser observadas nesse contexto: para o retorno das propriedades é essencial ser uma organização registrada; e em todas essas ações não há nenhuma menção à igreja protestante turca emergente. Os decretos não impediram o governo de confiscar mais de cem títulos de propriedade da antiga igreja siríaca desde 2014. Ao todo, 55 ações foram devolvidas em maio de 2018, depois que o Parlamento da União Europeia também abordou a questão. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A economia da Turquia está se tornando mais dependente da indústria nas principais cidades, principalmente concentrada nas províncias ocidentais do país, e menos da agricultura. No entanto, a agricultura tradicional ainda é um dos principais pilares da economia turca. 

De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o crescimento econômico teve uma média de quase 7% entre 2010 e 2017. Causada por uma mistura de falhas de políticas, incluindo a nomeação do genro de Erdogan como ministro das Finanças, a lira (moeda local) teve uma queda acentuada em agosto de 2018, seguida por uma perda de confiança das famílias e das empresas. As incertezas associadas à tentativa frustrada de golpe em julho de 2016 e às contínuas tensões geopolíticas na região estão impedindo o investimento e os gastos do consumidor.  

Devido à queda no valor da lira, as exportações e o turismo cresceram durante 2019, enquanto as importações diminuíram, resultando em um baixo déficit recorde em conta corrente. Durante décadas, um alto déficit em conta corrente fez com que a Turquia dependesse fortemente de investimentos externos. Esses investimentos ainda são necessários, pois alta inflação e taxas de desemprego entre jovens — homens: 20,8%; mulheres: 26%, de acordo com o Banco Mundial em 2020 — estão nublando o futuro econômico da Turquia, além dos efeitos negativos da COVID-19 principalmente no turismo. 

Devido à crescente islamização, ficou mais difícil para mulheres (cristãs e seculares) que não usam véu na cabeça conseguir emprego. Muitos cristãos relatam que ao não se listarem como muçulmanos em seus cartões de identidade, ou deixarem em branco, não conseguiram obter emprego no setor privado. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A maioria da população turca (75,6%) vive em áreas urbanas. A taxa de alfabetização é alta (96,2%). A expectativa de vida aumentou fortemente nas últimas décadas, chegando aos 77,4 anos. 

O “turco” como identidade é continuamente usado como arma política, pois ser turco é comumente entendido como ser muçulmano sunita. Todos os outros grupos religiosos enfrentam discriminação. Além disso, muitos refugiados árabes experimentam ódio social, sendo responsabilizados pelo aumento dos preços e pelo desemprego. 

Uma questão particularmente preocupante é o crescente ódio social contra cristãos e judeus. Durante anos, a hostilidade social e o discurso de ódio contra os cristãos foram comuns. No entanto, a resposta do governo ao golpe de 2016, atacando veementemente todos os supostos inimigos, despertou o nacionalismo no país.  

O Instituto Hudson escreve: “Desde o golpe abortivo, os dramas históricos revisionistas que disseminam as teorias de conspiração antiminoritárias [...] tornaram-se a forma mais eficaz de propaganda. [...] O mais alarmante é o papel dos meios de comunicação social administrados pelo Estado de difamar e fazer as minorias religiosas de bode expiatório, usando fundos do Estado para incitação de hostilidade, particularmente contra judeus e cristãos”. 

Líderes tribais usam o poder deles para empurrar os siríacos para fora da terra natal no Sudeste. No entanto, isso afeta apenas populações cristãs rurais. A maioria dos cristãos na Turquia vive nas grandes cidades e não são fortemente afetados pelo antagonismo étnico. Esses cristãos sentem a pressão da guerra civil na Síria e ficam no fogo-cruzado entre os clãs curdos, o governo e o grupo militante curdo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). 

Leis e costumes tribais ainda têm um papel importante, sobretudo nas províncias do Leste da Turquia. Os convertidos podem enfrentar maior pressão lá, visto que a conversão não é vista somente como uma traição do islã, mas também da família e do clã.  

Além do mais, a história da Turquia é marcada pelo foco na etnicidade e na religião. Esse foco levou primeiro ao genocídio de armênios, siríacos e cristãos ortodoxos gregos que começou durante a Primeira Guerra Mundial e se estendeu até os anos 1920 e, desde então, tem instigado a marginalização de grupos minoritários. 

O cristianismo tem uma longa história na Turquia. Devido aos esforços do apóstolo Paulo e de seus cooperadores, congregações cristãs foram fundadas nos primeiros dias do Novo Testamento onde hoje é a Turquia. 

Quando João escreveu o livro do Apocalipse, ele começou escrevendo cartas para sete congregações no Oeste da Turquia. Na fase inicial, a igreja frequentemente funcionava no subterrâneo devido à perseguição dos romanos. 

Sob Constantino (imperador de 306 a 337 d.C.), o cristianismo tornou-se a religião do Estado. A cidade de Constantinopla (atual Istambul) tornou-se um centro do cristianismo. Em 1054 ocorreu o Grande Cisma, que causou uma divisão duradoura entre a Igreja Ocidental e a Oriental. O resultado foi que Bizâncio se tornou o centro do cristianismo oriental ou ortodoxo, e também a capital de um enorme império — o Império Bizantino. 

Em 1453, os turcos otomanos conquistaram esse império quando tomaram a capital. Desde então, os cristãos na Turquia estão sob domínio muçulmano. Uma política de islamização começou e o cristianismo gradualmente perdeu a posição influente no país. 

Desde o século 19, o poder do Império Otomano começou a desmoronar, e territórios foram perdidos. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano tomou partido da Alemanha e da Áustria-Hungria. Em 1915, mais de 1 milhão de armênios e assírios foram mortos, dizimando o papel da Igreja Ortodoxa Armênia e causando tensões com a Rússia em toda a Anatólia (Ásia Menor), onde o território armênio se encontrava. O Império Otomano finalmente entrou em colapso em 1917. 

No final da Primeira Guerra Mundial, muitas questões precisavam ser resolvidas na Turquia, das quais a mais importante era a posição das várias minorias étnicas e suas religiões. No recém-formado Estado da Turquia, as minorias grega, armênia e síria enfrentaram uma forte discriminação. 

Pressão que foi acumulando com o passar dos anos, até 1923, quando o Tratado de Lausanne foi concluído. Milhões de pessoas foram expulsas. Uma grande parte da minoria grega deixou o país e mudou-se para a Grécia, enfraquecendo a posição da Igreja Ortodoxa Grega na Turquia. 

Desde 1923, apenas duas igrejas foram reconhecidas pelo Estado turco — a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Armênia. Juntas, elas formam cerca de 70% de todos os cristãos na Turquia. Além da comunidade ortodoxa siríaca, que não estava incluída nas proteções do Tratado de Lausanne, também estão a Igreja Católica Romana, os cristãos protestantes estrangeiros e os cristãos turcos nativos. 

Após uma longa batalha judiciária, o status oficial foi concedido em 2000 à Igreja Protestante de Istambul em Altintepe. Esse foi o primeiro, e até agora, único, reconhecimento oficial de uma igreja protestante na Turquia. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As comunidades cristãs históricas incluem as igrejas ortodoxa apostólica armênia e ortodoxa grega (as únicas igrejas “reconhecidas” no Tratado de Lausanne em 1923). Há também as igrejas assírias, ortodoxas siríacas e católicas siríacas, todas monitoradas regularmente e sujeitas a controles e limitações por parte do governo. Seus membros são considerados “estrangeiros” em muitas relações oficiais, bem como na mente do público em geral. Eles dificilmente são considerados membros de pleno direito da sociedade turca e encontram todos os tipos de obstáculos legais e burocráticos. Por exemplo, as igrejas ortodoxa armênia e grega precisam de permissão do governo turco para selecionar novos líderes da igreja. 

Também existem cristãos expatriados pertencentes a igrejas cristãs históricas. Há cristãos ortodoxos russos que possuem permissão de residência, enquanto também existem católicos romanos, a maioria imigrante da África e das Filipinas. Nos últimos anos, suas fileiras aumentaram com os milhares de refugiados cristãos que chegaram da Síria e do Iraque para escapar da guerra em suas terras. 

Os cristãos ex-muçulmanos carregam o peso da perseguição na Turquia. A pressão vem de família, amigos, comunidade e até autoridades locais. Eles são considerados traidores da identidade turca. Além de convertidos de origem turca, também existem comunidades de convertidos de outros países, como o Irã. 

Comunidades cristãs não tradicionais existem principalmente como pequenos grupos e algumas são incapazes de pagar aluguel de um local para culto. Muitas delas se reúnem em casas, o que pode levar à oposição dos vizinhos. 

Por medo de represálias, os cristãos ex-muçulmanos escondem a nova identidade da família e parentes

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