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Como é a perseguição aos cristãos na Índia?
A alienação e a perseguição aos cristãos na Índia continuam intensas. Para os nacionalistas religiosos, ser indiano é ser hindu, e isso não deixa espaço para o cristianismo. O resultado é discriminação sistêmica e violência, especialmente contra convertidos do hinduísmo. As redes sociais agravam o problema, com acusações, desinformação e ataques que frequentemente se tornam virais e perpetuam narrativas falsas sobre o cristianismo. Atividades evangelísticas são extremamente arriscadas.
Outra arma cada vez mais usada para atingir cristãos e outras minorias religiosas são as leis anticonversão, atualmente em vigor em doze estados e se espalhando para outros. Em teoria, essas leis deveriam proteger todas as religiões, mas a realidade é bem diferente. Isso significa que até uma atividade aprovada constitucionalmente – como uma reunião de oração – pode levar a acusação, prisão e interrogatório. Mesmo uma denúncia falsa é extremamente perigosa, pois pode resultar em violência de multidões.
No estado de Manipur, cenário dos conflitos etno-religiosos em 2023, os cristãos estão entre os que continuam sofrendo, com muitos ainda deslocados e vulneráveis a ataques.
“Percebi que, mesmo nos nossos momentos mais sombrios, Deus envia alguém para nos guiar. Muitos outros enfrentam perseguições ainda piores por Cristo – então por que eu não deveria suportar isso? Sinto-me honrada por sofrer pelo seu nome.”
Kaveri (pseudônimo), cristã da Índia
Como as mulheres são perseguidas na Índia?
Na Índia, muitas mulheres já enfrentam desafios por causa do gênero feminino e da casta. Ser cristã pode aumentar sua vulnerabilidade a violência doméstica, prisão domiciliar, casamento forçado, divórcio e separação dos filhos. Em Manipur, mulheres e meninas correm risco de sequestro, agressão sexual, tortura e até assassinato, muitas vezes com a polícia como espectadora ou cúmplice. Esposas e filhas de líderes cristãos são frequentemente atacadas quando estão sozinhas.
Como os homens são perseguidos na Índia?
Os homens cristãos na Índia enfrentam perseguição severa, especialmente pastores. Sua vocação está entre as mais arriscadas do país. Eles podem ser acusados falsamente, detidos por longo tempo, assediados, agredidos por multidões e até mortos. Os homens são frequentemente alvos porque isso impacta suas famílias e comunidades.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Índia?
Parceiros locais da Portas Abertas oferecem treinamentos, como de preparação para a perseguição, apoio socioeconômico e ajuda emergencial.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Índia?
Além de orar por eles, você pode ajudar de maneira prática, doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Índia?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Índia são: nacionalismo religioso, hostilidade etno-religiosa, paranoia ditatorial, opressão do clã
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Índia
- Ore por casas permanentes e esperança aos milhares de cristãos no estado de Manipur, que continuam deslocados após a violência de 2023.
- Clame por proteção e conforto aos cristãos que foram alvos de ataques de extremistas na Índia.
- Interceda para que as leis anticonversão não sejam usadas para oprimir cristãos que desejam compartilhar sua fé.
- Peça por arrependimento e conversão aos extremistas e para que sejam testemunhas do amor e da transformação de Deus.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA ÍNDIA
A civilização hindu, uma das mais antigas do mundo, tem registros de sua presença na Índia desde 2000 a.C. Em 1498, a nação ganhou visibilidade com a viagem de Vasco da Gama, que estabeleceu o domínio europeu com uma rota comercial de especiarias. Em 1858, o império britânico fundou ali uma de suas maiores colônias.
A partir de 1920, o líder nacionalista Mahatma Gandhi liderou protestos não violentos contra o governo colonial britânico, o que levou a Índia à independência, em 1947. Nessa ocasião, a maioria muçulmana que vivia no Norte do país se separou, fundando o Paquistão como uma nação muçulmana. Em 1971, a guerra contra o Paquistão Oriental originou outro país, Bangladesh.
Ainda hoje o inglês é a língua franca indiana e o país continua integrado à Commonwealth, a comunidade britânica das nações.
Desde a década de 1990, a Índia também assumiu um papel muito mais assertivo na política mundial e tentou se tornar uma das novas superpotências. A Índia é membro de um grupo de países em desenvolvimento chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que busca se tornar uma alternativa à política e à economia global dominadas pelo Ocidente. A Índia possui tecnologia nuclear e teve avanços significativos no setor de telecomunicações e em produções culturais, com o avanço da alternativa oriental de Hollywood, a conhecida Bollywood. Além disso, o país lançou a própria sonda Mars, uma demonstração do desenvolvimento de autonomia indiana no setor científico.
Intolerância religiosa
Outra característica que mudou na Índia nas últimas décadas é a notável diminuição no nível de tolerância religiosa. Tradicionalmente, o hinduísmo e o budismo, ambos originários na Índia, costumavam ser considerados pacíficos. Porém, desde a década de 1990, o hinduísmo assumiu um caráter muito mais violento. Diminuiu a tolerância para a dissidência e as minorias e o respeito pela diversidade religiosa e cultural. Uma parte substancial da população simpatiza com a liderança autoritária. Essa liderança não hesita em impor sua vontade aos opositores por meios violentos.
Desde maio de 2014, a Índia é governada pelo Partido do Povo Indiano (BJP), de linha-dura, sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi. Modi, aliás, tem má reputação por ter ignorado atrocidades cometidas por extremistas hindus quando era ministro-chefe do estado de Gujarat em 2002, onde centenas, senão milhares, de muçulmanos morreram em um ataque marcado pela violência. Desde maio de 2014, o nível de intolerância na Índia aumentou e centenas de incidentes violentos são registrados a cada ano.
Nas eleições de maio de 2019, o BJP ganhou de forma ainda mais ampla a maioria no parlamento. Isso significa que o governo de Modi permanece no poder e que incidentes violentos contra cristãos continuam acontecendo.
CONTEXTO DA ÍNDIA
A Índia é o sétimo maior país no mundo e o segundo mais populoso. Ela fica no Sudeste Asiático e Nova Deli é a capital da nação. Oficialmente conhecida como República da Índia, é uma entidade política complexa. O país é composto por 28 estados e nove territórios sindicais (áreas administradas pelo governo central a partir de 31 de outubro de 2019).
A nação também é conhecida pela grande variedade linguística, cultural e de paisagens, com partes da Cordilheira do Himalaia e o Vale do Ganges no Norte. Os países vizinhos são Paquistão, Nepal, China, Butão, Mianmar, Bangladesh e a poucos quilômetros separados pela água, o Sri Lanka também é uma nação vizinha.
A atmosfera política da Índia é multifacetada, bem como sua atmosfera religiosa. O quadro político da Índia tem muitas cadeiras, em que políticos comunistas, socialistas, hindus nacionalistas e seculares se sentam juntos. Em várias ocasiões, diversos adversários políticos se uniram para formar uma coalizão de governo a nível central ou estatal. Atualmente, os nacionalistas hindus são muito poderosos.
A Constituição garante liberdade de consciência e o direito de todos os indivíduos professarem, praticarem e propagarem religião livremente; determina um Estado secular; exige que o Estado trate todas as religiões imparcialmente; e proíbe discriminação baseada em religião. Ela também declara que cidadãos devem praticar a fé de uma forma que não afete negativamente a ordem pública, a moralidade ou a saúde.
A Constituição da Índia declara que o país é um Estado secular. No entanto, os radicais hindus se mobilizam com muita força para mudar isso, declarando o hinduísmo como a religião nacional. Eles também querem impor uma legislação anticonversão a nível nacional, mas para isso é necessário uma maioria de dois terços no parlamento.
Apesar de ser a 7ª maior economia do mundo, a nova riqueza não é distribuída igualmente na Índia e a distância entre os muito ricos e os muito pobres aumenta rapidamente. Apesar do crescimento econômico, a pobreza ainda é muito alta. A economia se baseia em quatro pilares: agricultura, setor informal, setor formal e micro, pequenas e médias empresas. Juntos, os quatro setores contribuem com mais de 90% do PIB da Índia.
O hinduísmo domina a Índia há séculos (começou a se desenvolver entre 500 e 300 a.C.). A segunda maior religião na Índia é o islamismo, com 14,6% da população. Isso pode parecer uma minoria sem importância até se perceber que a Índia é o país com a terceira maior população muçulmana na Terra — apenas a Indonésia e o Paquistão têm mais cidadãos muçulmanos.
Radicais hindus consideram tanto o islamismo quanto o cristianismo religiões estrangeiras que devem ser removidas do país. Portanto, muçulmanos e cristãos experimentam um tratamento parecido nas mãos dos militantes hindus. Budistas e siques são muito mais aceitos pelos radicais hindus, pois essas religiões se originaram em território indiano.
A burocracia e a corrupção são fatores bastante conhecidos em toda a Índia. Por um lado, se os cristãos tentam construir uma nova igreja, ou renovar uma existente, encontrarão muita burocracia e oposição. A única maneira de ignorar o obstáculo da burocracia é o pagamento de subornos. Muitos dos funcionários de baixos níveis da administração pública, cuja renda é baixa, alegam precisar desse dinheiro extra da corrupção para sobreviver. Os cristãos na Índia constantemente enfrentam esses obstáculos, em quase todos os aspectos da vida.
A comunidade cristã na Índia é a segunda mais alfabetizada, mas, ao mesmo tempo, é o maior grupo de desempregados entre todas as minorias no país. Os cristãos enfrentam os desafios diários de discriminação, pobreza, analfabetismo, cuidados inadequados de saúde pública e desnutrição. Muitas igrejas não têm recursos financeiros para fazer algo sobre isso. Elas precisam de assistência do exterior para realizar projetos sociais, mas as restrições governamentais tornam isso praticamente impossível, o que impactou o trabalho das ONGs cristãs.
Sistema de castas e violência física
A característica social mais destacada no país é o sistema de castas — uma estratificação hierárquica da sociedade indiana que remonta há muitos séculos. De acordo com a tradição chamada Varna, existem quatro castas (brahmins, kshatriyas, vaishyas e shudras), além de uma lista de grupos, conhecidos como dalits, que foram historicamente excluídos do sistema Varna e ainda são condenados ao ostracismo como “intocáveis”. O sistema de castas é onipresente na Índia, com castas superiores governando o país.
Pode ser surpreendente que o sistema de castas também permeie a igreja na Índia. A maioria dos cristãos vem das castas inferiores ou mesmo dos dalits. Eles se convertem do hinduísmo querendo escapar da situação de “intocáveis”, mas descobrem que existem as mesmas barreiras dentro da igreja. Muitos ficam desapontados, o que faz parte da explicação de por que a campanha Ghar Wapsi dos radicais hindus foi efetiva (Ghar Wapsi — “volta para casa”, em tradução livre, um termo que descreve o esforço de reconverter aqueles que abandonaram o hinduísmo). A abolição do sistema de castas dentro da igreja é um grande desafio que deverá ser tratado no futuro.
Outra grande questão social na Índia é o enorme nível de violência física e a falta de respeito pela vida humana. Homicídios de honra, ataques com ácido, linchamentos por multidões, execuções e muitas outras atrocidades acontecem todos os dias e em todo o país. Os cristãos são muitas vezes vítimas dessas práticas, o que as longas listas de incidentes violentos publicadas anualmente testificam.
Mulheres e meninas na Índia ainda são negligenciadas e percebidas como inferiores. Elas têm taxas mais baixas de alfabetização e educação. A preferência da sociedade por meninos leva ao aborto seletivo de meninas e ao infanticídio feminino. A mídia na Índia traz relatos de estupros de mulheres todos os dias e, muitas vezes, as forças policiais não mostram interesse real em ajudar as vítimas ou fazer justiça sobre os criminosos.
HISTÓRIA DA IGREJA NA ÍNDIA
De acordo com a tradição mais antiga, o apóstolo Tomé foi à Índia no século 1 e estabeleceu as primeiras igrejas na região — principalmente em Kerala. Assume-se que os primeiros convertidos eram em grande parte prosélitos judeus de Cochin — acredita-se que chegaram à Índia em torno de 562 a.C., após a destruição do Primeiro Templo em Jerusalém. Outra tradição menciona que Bartolomeu visitou a Índia no século 2.
No século IV, vários cristãos do Oriente Médio foram para a Índia a fim de evangelizar. A colônia dos cristãos sírios estabelecidos em Kodungallur pode ser a primeira comunidade cristã no Sul da Índia sobre a qual há um registro escrito contínuo. O líder mais importante desses cristãos era Tomás de Cana.
O missionário dominicano Jordanus Catalani foi o primeiro europeu católico a chegar na Índia, em 1320, e iniciou um trabalho missionário na cidade de Surat. O século XV viu o surgimento do colonialismo. Para a Índia, isso significou a chegada dos portugueses em Goa e outras cidades, e com eles missionários das diferentes ordens (franciscanos, dominicanos, jesuítas, agostinianos etc.) que começaram imediatamente a construir igrejas ao longo dos distritos costeiros, onde o poder português se estabeleceu.
Missões protestantes
Os primeiros missionários protestantes a pisar na Índia foram dois luteranos da Alemanha, Bartholomäus Ziegenbalg e Heinrich Plütschau, que começaram a trabalhar em 1705 no assentamento dinamarquês de Tranquebar (agora conhecido como Tharangambadi em Tâmil Nadu). Em 1793, William Carey, um ministro batista inglês foi para a Índia como missionário. Ele trabalhou em Serampore, Calcutá e outros lugares, além de ter traduzido a Bíblia para bengali, sânscrito e inúmeras outras línguas e dialetos. Carey trabalhou na Índia até sua morte, em 1834.
Durante o século XIX, vários missionários batistas norte-americanos evangelizaram no Nordeste da Índia. Ainda hoje, as maiores concentrações de cristãos na Índia continuam sendo no Nordeste, entre os grupos de nagas, khasis, kukis e mizos.
O cristianismo é a terceira maior religião na Índia. O grupo cristão que mais cresce na Índia é o de comunidades cristãs não tradicionais, o que inclui convertidos de outras religiões ao cristianismo, ou seja, que não são descendentes de cristãos.
Os direitos de todas as categorias de comunidades cristãs são violados na Índia já que radicais hindus os veem como alienados à nação. Converter-se ao cristianismo — quando se vem de uma família hinduísta — é suportar o peso da perseguição na Índia e estar constantemente sob pressão para retornar ao hinduísmo. Muitas vezes, eles são agredidos fisicamente e até mortos.
Cada vez mais, os convertidos tribais estão sendo ameaçados, boicotados socialmente, expulsos, negados a beber água, violentados sexualmente e até assassinados. Em vários casos, as construções de igrejas foram interrompidas à força pelos moradores. A hostilidade etno-religiosa está rapidamente se tornando uma séria ameaça para a igreja na Índia.
As leis anticonversão também são um dilema para os cristãos indianos hoje. Elas buscam evitar que qualquer um tente ou faça outra pessoa mudar de religião por meio de formas “forçadas” ou “fraudulentas”, ou por “sedução” ou “indução”. No entanto, mesmo nos estados em que a lei não foi implementada, a polícia prendeu cristãos por atividades evangelísticas.
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