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Arábia Saudita

SA
Arábia Saudita
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Riad
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud
  • Governo: Monarquia absolutista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, judaísmo, hinduísmo, budismo e siquismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 78


POPULAÇÃO
34,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
1,2 MILHÃO

Como é a perseguição aos cristãos na Arábia Saudita? 

A maioria dos cristãos na Arábia Saudita são expatriados, ou seja, são estrangeiros residentes no país. A maioria vem de países de renda baixa e média da Ásia e da África, mas também existem alguns do Ocidente. 

Além de serem explorados e mal pagos, os trabalhadores asiáticos e africanos são regularmente expostos a abusos verbais e físicos por causa da etnia e baixo status, mas a fé cristã também pode desempenhar um papel nisso. Cristãos expatriados são severamente restringidos em compartilhar a fé cristã com muçulmanos e em se reunir para adoração, o que acarreta o risco de detenção e deportação. Consequentemente, os expatriados tendem a manter silêncio sobre a fé. 

Os poucos cristãos sauditas de origem muçulmana enfrentam ainda mais pressão, especialmente da família. Os muçulmanos expatriados que se convertem à fé cristã também enfrentam forte perseguição, provavelmente semelhante aos níveis que teriam experimentado no país de origem. Seja saudita ou não, a maioria dos cristãos ex-muçulmanos é forçada a praticar a fé em segredo. 

No entanto, o pequeno número de cristãos sauditas tem aumentado lentamente e eles estão se tornando mais ousados, compartilhando a fé com outras pessoas na internet e em canais de TV cristãos por satélite. Tal ação pública gerou sérias repercussões por parte de famílias e autoridades sauditas. 

“Se eu acreditar que Jesus é Deus, eles vão me matar.”

Jamila, cristã perseguida na Arábia Saudita 

O que mudou este ano? 

Apesar de cair uma posição, a situação para os cristãos na Arábia Saudita permanece relativamente inalterada e ainda bastante desafiadora. Embora haja uma ligeira redução nos relatos de violência e oposição na vida familiar, houve aumentos marginais em outros lugares, isto é, pressão nas esferas da comunidade, nação e igreja. 

Quem persegue os cristãos na Arábia Saudita 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Arábia Saudita são: opressão islâmica, opressão do clã e paranoia ditatorial.  

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Arábia Saudita são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, oficiais do governo, parentes, cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos.  

Quem é mais vulnerável à perseguição na Arábia Saudita? 

O nível de perseguição na Arábia Saudita é o mesmo em todo o país no geral, embora o controle social provavelmente seja maior nas áreas rurais. Uma possível exceção são as áreas de expatriados ocidentais, onde há menos controle e pressão para aderir às rígidas normas islâmicas. 

Como as mulheres são perseguidas na Arábia Saudita? 

As consequências da conversão do islamismo ao cristianismo são sentidas de forma mais aguda por mulheres e meninas, refletindo seu status na sociedade saudita. 

Na Arábia Saudita, a religião oficial e a lei são islâmicas, e espera-se que todos os cidadãos sejam muçulmanos. Devido à natureza estrita da sociedade islâmica saudita, na qual as mulheres são subordinadas aos homens, elas estão sob constante e rigorosa vigilância. Manter a reputação da família é considerado de extrema importância. 

Abandonar o islã é um dos maiores pecados que um muçulmano pode cometer. As mulheres cristãs de ascendência muçulmana estão expostas a uma pressão considerável provocada pela nova fé, mas agravada por seu gênero. Se a nova fé for descoberta, elas correm o risco de violência física, assédio verbal, prisão domiciliar e casamento forçado com um muçulmano conservador como uma medida “corretiva” (às vezes como segunda esposa). Em tais casamentos, as mulheres tendem a sofrer abusos sexuais e psicológicos. 

Fora do contexto do casamento, fontes relatam que casos de abuso e agressão sexual são comuns em toda a Arábia Saudita para as milhares de empregadas domésticas não sauditas, especialmente asiáticas e africanas. Essa realidade acontece em todo o país com as que são cristãs ou não muçulmanas, posição em que elas são comumente abusadas e praticamente tratadas como escravas. Isso reflete a posição subordinada das mulheres na sociedade saudita e seu status desprotegido quando estão sozinhas ou quando trabalham fora de casa. 

Visto que os cristãos ex-muçulmanos envergonham a família ao se converterem ao cristianismo, as mulheres correm grande risco de crimes de honra. Se casada, uma mulher cristã ex-muçulmana corre o risco de divórcio e de perder a custódia dos filhos, o que por sua vez significa a perda de sua rede de segurança social. Consequentemente, não é surpresa que muitas mulheres decidam se tornar cristãs secretas ou fugir do país para sua segurança. 

Uma cristã ex-muçulmana saudita que sobreviveu a um atentado contra sua vida tentou fugir do país. Ela não foi capaz de fazê-lo, pois solicitou permissão de um membro da família do sexo masculino para viajar – permissão que foi negada.  

Desde agosto de 2019, as mulheres podem solicitar um passaporte sem a aprovação dos homens da família, amenizando as restrições de viagens. Embora esse seja um avanço bem-vindo, as famílias continuam a exercer controle contínuo sobre os movimentos das mulheres, normalmente retendo seu dinheiro e bens ou encarcerando-as em casa. 

Como os homens são perseguidos na Arábia Saudita? 

Os homens cristãos sauditas pagam um preço considerável se a fé for descoberta. Na estrita sociedade islâmica da Arábia Sauditaqualquer desvio do comportamento padrão é rapidamente observado. Os homens ex-muçulmanos enfrentam pressão da unidade familiar, bem como da sociedade em geral. Eles correm o risco de sofrer vergonha pública, violência física, abuso emocional e ameaças, inclusive ameaças à vida, e perder todas as formas de ajuda e acesso à vida em comunidade. Os cristãos ex-muçulmanos recebem incentivos materiais na esperança de que retornem ao islã e revoguem a vergonha que a conversão trouxe à família. Se ficar claro que um convertido não mudará, entretanto, a ameaça de morte é muito real. 

Se os cristãos ex-muçulmanos forem detidos ou presos, as famílias serão afetadas financeiramente, uma vez que os homens são, em geral, os provedores nas famílias sauditas. Dadas essas pressões, e o impacto que causariam na família, a maioria dos ex-muçulmanos escolhe viver como cristãos secretos. Isso se estende a nem mesmo contar aos próprios filhos sobre a fé, por medo de que parentes ou funcionários da escola descubram que eles deixaram o islã. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Arábia Saudita? 

A Portas Abertas apoia o corpo de Cristo na Península Arábica através de campanhas de oração, distribuição de recursos das Escrituras e treinamento de cristãos e pastores. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração da Arábia Saudita 

  • Ore para que o Senhor continue a usar a internet para fortalecer e unir os cristãos e fazer a igreja saudita crescer. 
  • Interceda para que o Senhor se revele a cristãos e não cristãos em sonhos e visões. 
  • Peça pela proteção de todos os cristãos na Arábia Saudita e para que recebam sabedoria e discernimento contínuos ao buscarem seguir e compartilhar Jesus.  

Um clamor pela Arábia Saudita 

Senhor Jesus, fortaleça, proteja e oriente todos os cristãos ex-muçulmanos que lhe seguem com ousadia sob grande risco. Providencie para eles uma pequena rede de cristãos, onde possam receber encorajamento e discipulado. Use a internet para fortalecer e crescer a igreja na Arábia Saudita. Que as mulheres tenham mais igualdade, destaque e liberdade na sociedade saudita. Amém. 

Fundada em 1932, a Arábia Saudita foi transformada de um reino do deserto subdesenvolvido em uma das nações mais ricas da região, graças à exploração de suas extensas reservas de petróleo a partir dos anos 1950. A indústria do petróleo atraiu um grande número de trabalhadores imigrantes para o país, inclusive cristãos. 

As reviravoltas da Primavera Árabe que se espalharam em 2011 tiveram pouco efeito sobre a Arábia Saudita. Houve alguns pedidos de reforma política e alguns protestos de pequena escala, especialmente pela minoria xiita na Província Oriental. O governo proibiu todos os protestos, aumentou os salários do setor público e proporcionou maiores benefícios para as autoridades religiosas e para os trabalhadores com baixos salários. Algumas reformas menores foram prometidas ou estabelecidas, como por exemplo, aliviar certas restrições às mulheres. 

As primeiras eleições para os conselheiros municipais do país foram realizadas em 2005 e 2011. As mulheres puderam votar e se candidatar pela primeira vez em dezembro de 2015. Após a morte do rei Abdullah, em janeiro de 2015, Salman bin Abdulaziz Al Saud tornou-se rei e, dois meses depois, a Arábia Saudita iniciou uma campanha militar em conjunto com dez outros países para restaurar o governo do Iêmen, que havia sido expulso pelos houthis e substituído pelo ex-presidente. A guerra em curso no Iêmen resultou em um grande número de vítimas civis e uma crise humanitária, levando a críticas mundiais. 

O atual rei, Salman, tem dificuldade com a tarefa de governar um Estado moderno e jovem, onde boa parte dos mais de 33 milhões de cidadãos tem menos de 30 anos. O rei Salman começou a resolver isso em 2015, nomeando um membro da nova geração, seu sobrinho, Muhammad bin Nayef, como príncipe herdeiro. Ele durou apenas dois anos e foi substituído por seu filho favorito, Mohammad bin Salman, em 2017. O príncipe Mohammad se coloca como um jovem inovador, mas está transformando a Arábia Saudita em uma verdadeira monarquia absolutista. 

Mudanças significativas foram implementadas, como a aprovação para mulheres dirigirem, viajarem sem um homem e permissão para se misturarem com homens que não são parentes. Além disso, a polícia religiosa praticamente desapareceu das ruas e entretenimento na forma de música e cinema estão se tornando disponíveis. Os vistos para turistas também estão disponíveis, o que contribui para um sentimento de aumento de liberdade. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O país é um Estado autoritário e uma monarquia absoluta. A família real governante, a Casa de Saud, inclui cerca de 15 mil membros, dos quais cerca de 200 têm influência política, ocupando posições-chave por muitos anos. O rei Salman é chefe de Estado e cabeça do governo. Os partidos políticos não são permitidos e não há eleições democráticas nacionais para escolher os líderes políticos. 

A monarquia saudita tem poder supremo e autoridade absoluta. Sendo assim, o monarca pode implementar qualquer lei que desejar desde que isso respeite a sharia e o Alcorão. Um objetivo importante para os governantes, especialmente o rei e o príncipe coroado, é manter o status afirmando o próprio poder e controlando cuidadosamente qualquer tendência que seja considerada dissidência ou que produza tensões sociais. 

A relação entre a liderança religiosa e a Casa de Saud é desconfortável e determinada por interesses conflitantes. No entanto, ambos os elementos de poder são importantes para unir com sucesso a sociedade saudita tradicionalmente tribal. Como a empresa de inteligência geopolítica Stratfor diz: “A relação entre a Casa de Saud e a liderança religiosa é um pilar crítico do governo saudita, porque dá legitimidade e autoridade religiosa ao governo e permite que ele equilibre uma agenda de políticas domésticas e externas muitas vezes conflitante”. 

Porém, as autoridades religiosas estão perdendo credibilidade entre a população. Enquanto antes elas proibiram a TV via satélite, a internet, os telefones com câmeras, além de viajar para o exterior, agora elas mesmas estão usando esses avanços tecnológicos. Por um lado, as autoridades ganharam popularidade ao usar esses meios, por exemplo, mídias sociais; por outro lado, levou-se à crítica de serem inconsistentes. Além disso, a impopular política religiosa foi destituída do seu poder de prisão a partir de 2016, possivelmente em uma tentativa de agradar os cidadãos. 

As recentes mudanças e reformas implementadas foram bem recebidas pela juventude, mas causaram desagrado em estabelecimentos religiosos. Provavelmente mais mudanças devem vir devido à combinação do estilo autoritário do rei, o pedido por mudança da juventude e a necessidade de reformas da perspectiva econômica. Isso provavelmente reduzirá a parceria entre as autoridades religiosas e o governo. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

O reino do deserto controla as cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina (lugares de nascimento e repouso de Maomé, o profeta do islã) e é definido pelo wahabismo, uma interpretação pura e rigorosa do islã. O Alcorão e as tradições do profeta Maomé são declaradamente a Constituição da Arábia Saudita, interpretada de acordo com a rígida escola hanbali de anciãos religiosos. O sistema legal do país é baseado na sharia (conjunto de leis islâmicas). Sendo assim, apenas o islamismo wahabista pode ser praticado publicamente e qualquer outra religião é proibida. 

Todos os cidadãos sauditas supostamente são muçulmanos e expatriados de outras religiões podem apenas praticar a fé de forma privada. A pena de morte por apostasia do islamismo está em vigor, embora não haja exemplos de execuções judiciais para apostasia nos últimos anos.  

Outras religiões não podem ser praticadas abertamente. Existe uma minoria xiita que sofre discriminação. A Portas Abertas estima que haja mais de 1,4 milhão de cristãos na Arábia Saudita, principalmente trabalhadores estrangeiros de origem asiática, africana ou ocidental. Igrejas oficiais não são permitidas no país para cristãos de qualquer denominação. O pequeno número de cristãos sauditas se encontra em secreto.  

A Arábia Saudita financia grandes esforços missionários muçulmanos além de suas próprias fronteiras, através da organização missionária islâmica Muslim World League, com sede em Meca. A literatura e os missionários proselitistas islâmicos estão sendo enviados para o exterior e a construção de mesquitas wahabistas é financiada por meio de dólares do petróleo. 

Além disso, o país patrocina instituições acadêmicas na condição de que centros de estudos islâmicos sejam construídos. Além de inúmeras cópias do Alcorão, grandes quantidades de literatura promovendo o ódio contra não muçulmanos também são enviadas para o exterior todos os anos, por exemplo, para países da África, do Sudeste Asiático e até mesmo da Europa Ocidental. Além disso, o ódio religioso contra judeus e cristãos ainda é apresentado em livros escolares sauditas, apesar das reformas prometidas. 

Os cristãos expatriados são severamente restritos para compartilhar a fé com os muçulmanos e se reunirem para o culto, o que implica o risco de detenção e deportação. Os poucos cristãos sauditas ex-muçulmanos enfrentam ainda mais pressão. No entanto, o pequeno número de cristãos sauditas tem aumentado e eles também estão se tornando mais ousados, compartilhando a fé cristã com outros pela internet e canais de televisão cristãos por satélite. Essa partilha pública muitas vezes leva a graves repercussões da família ou autoridades. 

Diversos cristãos sauditas relataram terem sido abusados fisicamente por causa da fé, principalmente pela família. Houve ainda relatos de vários cristãos sauditas e estrangeiros sendo presos. Segundo observadores, a presença cristã nativa na Arábia Saudita está aumentando. Como resultado, é provável que os cristãos sauditas experimentem mais perseguições no futuro.  

O governo anunciou que quer que o país siga uma “forma moderada de islamismo” e até recebeu e visitou um líder cristão estrangeiro. Também teve início a permissão para cinemas, shows ao ar livre e até mesmo motoristas mulheres no estrito reino islâmico. Também houve encontros com representantes do Vaticano e das igrejas copta e anglicana, que são passos revolucionários para a realeza saudita e indicadores de uma grande abertura para o envolvimento inter-religioso. Porém, essas conversas não levaram a nenhuma melhora concreta no tratamento de expatriados e imigrantes cristãos no país, e não há indícios de qualquer melhoria na liberdade religiosa dos cristãos sauditas. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Arábia Saudita detém cerca de 16% das reservas de petróleo conhecidas do mundo e o setor de petróleo representa a maioria dos ganhos de exportação e receitas do governo. Segundo a CNN, esse sucesso criou uma interdependência econômica com o Ocidente, já que é aqui que se encontra a principal demanda do consumidor. Isso levou a fortes relações políticas e militares, com uma série de bases militares dos Estados Unidos instaladas na Arábia Saudita que podem continuar operando no país e mais um grande acordo de armas foi assinado em maio de 2017. 

Desde 2015, a Arábia Saudita lidera a intervenção militar na guerra civil do Iêmen em um esforço para estabilizar o governo iemenita e evitar qualquer possibilidade de seu vizinho do Sul se tornar controlado pelos xiitas apoiados pelo Irã. 

A falta de diversidade econômica combinada com um grande número de imigrantes (cerca de 90%) que trabalham no setor privado levou a um crescente desemprego juvenil. Outros fatores são o mau sistema educacional e a falta de zelo no trabalho. O que leva ao descontentamento social generalizado e a um fosso crescente entre ricos e pobres, que pode levar os jovens ao islamismo radical. 

Em uma reação contrária, o governo iniciou medidas para criar mais empregos para os sauditas, que envolvem cotas de trabalho e elevam os salários desses. Além disso, as empresas que aderem às cotas recebem benefícios na aplicação de vistos; outras, ficam limitadas a esse critério, dificultando a contratação de trabalhadores estrangeiros. A longo prazo, isso poderia afetar o número de trabalhadores estrangeiros e imigrantes que entram no país, incluindo o número de cristãos. Muitos expatriados deixaram o país em 2019, incluindo um grande número de cristãos asiáticos, devido à introdução de uma nova taxa que torna menos atrativo para expatriados viverem e trabalharem na Arábia Saudita. 

Em apenas poucas décadas, a Arábia Saudita tornou-se um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. O reino saudita depende muito da indústria do petróleo e está tentando diversificar sua economia e criar mais empregos para os sauditas, conforme estabelecido em seu ambicioso plano de desenvolvimento socioeconômico “Visão Saudita 2030”. O documento de estratégia também sublinha claramente a orgulhosa identidade islâmica do país saudita e seu papel principal no mundo muçulmano.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O cenário cultural e social da Arábia Saudita está mudando. O aumento do papel da internet, mídias sociais e TV por satélite tem influenciado radicalmente a cultura jovem saudita. A maioria da população tem menos de 30 anos e, principalmente as mulheres, querem mais liberdade sem serem restringidas pela polícia religiosa. Reformas sociais introduzidas pelo jovem príncipe coroado são um passo em direção a isso. Pela primeira vez, dançar foi permitido sem segregação de gênero e cerca de mil turistas estrangeiros tiveram permissão para entrar no país com um visto especial para participar de eventos como a Fórmula E, em Riad. Desde setembro de 2019, cerca de 50 países podem obter visto de turista. 

A internet e as mídias sociais também estão impactando a situação das mulheres no reino wahabista. Nunca antes elas se levantaram por seus direitos nesta escala. Mulheres sauditas começaram a estudar, viajar para o exterior e compartilhar suas experiências nas mídias sociais, o que é excepcional para um país onde, até agosto de 2019, as mulheres precisavam de permissão de um membro da família para viajar. Devido à situação econômica, mulheres também precisam se unir à força de trabalho. Como resultado, a segregação de gênero está desaparecendo gradualmente. O tempo dirá quão longe as mulheres poderão ir nessa sociedade islâmica ainda muito conservadora. 

Mudanças no cenário sociocultural resultam em condenações mais abertas das opiniões conservadoras nas redes sociais. Entretanto, criticar o governo e as autoridades vem com um alto risco. Além disso, ainda não é possível para ex-muçulmanos falarem abertamente sobre a conversão ao cristianismo sem enfrentar a mesma perseguição que em anos anteriores. Mas há esperança de que com o tempo até isso seja possível. 

A maioria dos cristãos na Arábia Saudita são expatriados ou migrantes que vivem e trabalham temporariamente no país. Boa parte dos cristãos expatriados vem de países de baixa e média renda, como Índia, Filipinas e países da África, mas também há alguns do Ocidente. Além de serem explorados e mal pagos, os trabalhadores migrantes asiáticos e africanos são regularmente expostos a abusos verbais e físicos por causa da etnia e baixo status, mas a fé cristã também está incluída nisso. 

A Arábia Saudita, no momento, passa por mudanças sociais consideráveis. A internet desempenha um papel importante nesse desenvolvimento, o que abre maiores oportunidades para o ministério cristão on-line. Por outro lado, o número de cristãos que entram no país pode cair ao longo do tempo, como resultado da “saudização” da força de trabalho. 

Há diferentes tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma tradição, um comerciante de Najran (na ponta sul da Arábia Saudita) se converteu durante uma de suas viagens ao atual Iraque e formou uma igreja doméstica no início do século 5. 

Outra tradição diz respeito a um enviado do imperador romano, Constâncio, que pregou o evangelho ao rei Himyarite, do Sul da Arábia, que se converteu. Ambas as tradições indicam que as igrejas foram construídas especialmente, mas não exclusivamente, no Sul da Arábia. Após a chegada do nestorianismo, o cristianismo continuou a crescer no século 4 e até floresceu no século 5. 

No final dos séculos 6 e 7, a Arábia Saudita tinha um número considerável de judeus e sinagogas, cristãos (provavelmente nestorianos; o nestorianismo é uma doutrina cristológica proposta por Nestório, patriarca de Constantinopla, de 428 a 431) e templos de igrejas. Ainda hoje, há ruínas de uma igreja, presumivelmente nestoriana, perto de Jubail, na província oriental. Ela data do século 4 e afirma ser a igreja mais antiga do mundo. 

Durante centenas de anos, comerciantes e tribos cristãos estavam vivendo e viajando pelas vastas planícies da Península Arábica. Isso tudo mudou com a conquista do islã (séculos 7 a 10), quando judeus e cristãos se converteram ao islã, voluntariamente ou sob coação, e muitos outros foram expulsos de suas casas. 

No decorrer dos séculos seguintes, a Península Arábica tornou-se esmagadoramente islâmica e o cristianismo perdeu lugar no país. O papel histórico do cristianismo na região foi esquecido por quase treze séculos. Isso mudou no século 19, depois que a Grã-Bretanha concluiu os tratados de proteção na parte oriental da Península Arábica. Trabalhadores estrangeiros cristãos começaram a entrar em Omã, Bahrein, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Junto com eles, vieram templos de igrejas nos Estados do Golfo, com exceção da Arábia Saudita, onde ainda não são permitidas igrejas. 

Segundo observadores, a presença cristã nativa na Arábia Saudita está aumentando

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