62

Chade

TD
Chade
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: N’Djamena
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Idriss Deby Itno
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo
  • Idioma: Francês, árabe, sara e mais de 120 dialetos
  • Pontuação: 53


POPULAÇÃO
15,8 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
5,6 MILHÕES

Não há nenhuma organização que esteja tentando tornar o Chade um país islâmico, mas através da cooperação com países muçulmanos, estão sendo construídas escolas, universidades e mesquitas para promover o ensino e os valores islâmicos radicais. Isso contribui para a radicalização de segmentos da sociedade e hostilidade contra os cristãos. 

As atividades do Boko Haram na região também contribuem para a prevalência da opressão islâmica como um tipo de perseguição no Chade. Também é importante notar que há um Dia Nacional de Oração em dezembro no qual a Igreja Católica, evangélicos e representantes muçulmanos prometem seu apoio à convivência pacífica. Nas partes do Sul do país, as religiões tradicionais africanas têm um forte domínio e cerimônias de iniciação e rituais para os jovens são comuns. Nesse contexto, os cristãos são pressionados a participar de tais rituais e festivais — e também sofrem pressão de líderes de seu próprio grupo étnico. 

Um cristão ex-muçulmano pode precisar esconder sua conversão para evitar reações violentas e hostis da família. Atos privados de adoração e devoção para convertidos têm que ser feitos secretamente. Em partes dominadas por muçulmanos no país, os militantes islâmicos podem às vezes perturbar a celebração de casamentos cristãos. Para cristãos de origem muçulmana, é difícil criar os filhos de acordo com a fé cristã porque as crianças serão intimidadas, e a conversão dos pais também será exposta. 

A Constituição estipula a separação entre religião e Estado e prevê a liberdade de religião e igualdade perante a lei sem distinção quanto à religião. No entanto, a nível do governo local, houve casos em que as autoridades se recusaram a reconhecer a conversão de muçulmanos ao cristianismo. Há também um elemento de paranoia ditatorial. Embora o governo queira se apresentar como tolerante com as minorias religiosas, há restrições impostas às igrejas. Existe uma lei de registro obrigatório de igrejas no Chade com a possibilidade de prisão por não se registrar. No entanto, dado o risco aos convertidos, comunidades de cristãos de origem muçulmana não se atreverão a solicitar o registro. 

Em uma nota mais positiva, o governo do Chade tem estado na vanguarda da luta contra o grupo militante islâmico Boko Haram. Por exemplo, em abril de 2020, foi relatado que as tropas chadianas mataram mais de 1.000 combatentes do Boko Haram. 

A pontuação caiu três pontos em relação à Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020. A pressão média manteve-se estável em 9,9 pontos. O número de violência diminuiu de 5,9 pontos na LMP 2020 para 3,7 pontos na LMP 2021. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado.  

“Meu pai me perguntou qual era o problema. Eu confessei que tinha me tornado cristã e que não seguia mais ao islamismo. Eu fui considerada a pior coisa que já aconteceu à família. Eles tentaram tudo para me convencer a voltar para o islamismo.”

ACHIAM (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ EX-MUÇULMANA NO CHADE

Tendências  

O Chade está entre países muito voláteis 

Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Níger, Nigéria e Camarões são todos países vizinhos que lidam com uma variedade de conflitos. Se a situação nesses países piorar, o Chade será seriamente impactado. Isso significa que a vida dos cristãos no país não só será afetada pelo que acontece no Chade, mas também pelo que acontecerá nesses países vizinhos.

Boko Haram e a crise de Darfur continuam ameaçando a estabilidade interna 

Apesar do apoio da comunidade internacional para mitigar a instabilidade nos países vizinhos, o Boko Haram e a contínua crise do Brexit ainda ameaçam desestabilizar o país. Os níveis atuais de conflito e a instabilidade política podem levar a outra crise ou golpe. No momento, é improvável que isso aconteça, já que a comunidade internacional está apoiando o país.  

Outro fator importante é o Boko Haram: se a ação das forças-tarefas conjuntas que foram estabelecidas para combater o Boko Haram na região não for apoiada por reformas políticas, econômicas e sociais, a ideologia do grupo extremista pode continuar a ser influente. Além disso, o Chade sofre com a contínua crise de Darfur, incluindo a hospedagem de mais de 200.000 refugiados. Assim, se o problema em Darfur não for resolvido, a estabilidade no Leste do Chade dificilmente será possível. Se essa situação continuar, os cristãos permanecerão suscetíveis à violência e a várias outras restrições. 

Uma luta pelo poder é provável após a morte do presidente  

O Chade já enfrentou golpes, abusos de direitos humanos e guerra civil desde a independência. O presidente do Chade, Idriss Débi, morreu em abril de 2021 em consequência de ferimentos sofridos durante os combates à frente de suas tropas contra um grupo rebelde armado no norte do país. Ele havia acabado de ser reeleito para seu sexto mandato como presidente. Um dia antes de sua morte, a comissão eleitoral anunciou sua vitória nas eleições de 11 de abril com 79,32% dos votos. Em um país marcado por conflitos constantes desde sua independência em 1960, o próprio Déby chegou ao poder, há 31 anos, liderando uma rebelião. 

O presidente foi substituído por um conselho militar liderado por um de seus filhos, o general Mahamat Idriss Déby Itno. A Constituição foi suspensa e o Parlamento e o Governo dissolvidos, de modo que a junta militar, composta por 15 membros, concentra todo o poder. Os novos dirigentes do país anunciaram que permanecerão no poder por um período de 18 meses para o qual designarão um governo de transição. Após esse período, serão realizadas eleições “livres, democráticas e transparentes”, disseram os militares. 

No atual cenário, grupos militantes islâmicos definitivamente podem tentar aproveitar a situação para expandir sua presença no Chade e usar o país como base. Há também o risco de que um político menos secular e mais islâmico assuma o cargo de presidente. Como a Constituição é alterada para permitir que o titular concorra novamente a outro mandato, é provável que o país permaneça “não livre”, mas mais ou menos estável em comparação com outros países da região. 

Os cristãos são vulneráveis  

Diante da situação acima descrita, a comunidade cristã permanece muito vulnerável devido a uma variedade de fatores, em particular: o regime ditatorial, os jihadistas na região e a crescente influência do islã ultraconservador. 

O Chade é um país sem litoral que compartilha fronteiras com Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Camarões, Nigéria e Níger. Em 1960, sempre referido como “o ano da África”, o Chade foi um dos dezessete países africanos que conquistaram a independência. Entretanto, a situação seguinte à declaração da independência não foi o que muitos chadianos imaginaram, e diferentes facções surgiram.  

O homem chamado de pai da independência, François Tombalbaye, se tornou um presidente autocrático. Um dos principais desafios para o governo de Tombalbaye foi um grupo de guerrilha que atuava no Norte do país chamado Frente de Libertação Nacional do Chade (FROLINAT, da sigla em inglês). Tropas francesas ajudaram o presidente a acabar com a revolta, mas foram incapazes de derrotar rebeldes no Nordeste. Tombalbaye permaneceu no poder até seu assassinato, em 1975. 

No golpe de 1975, o general Félix Malloum tomou o poder no conflito com forças rebeldes na parte nordeste do país. Em 1979, o general Malloum foi forçado a fugir do país e Goujouni Oueddei, o líder da Frente Nacional de Libertação do Chade, subiu ao poder. Em 1980, a Líbia enviou suas tropas para ajudar Oueddei que estava disposto a reconhecer a posse da Líbia sobre a Faixa de Auzu. Oueddei teve que lutar com uma força rebelde terrível liderada por Hissene Habre. Em 1982, Habre tomou o poder, mas Goukouni Oueddei continuou lutando na parte nordeste do país. Em 1990, Idriss Deby depôs Habre com o apoio do Sudão e tomou o poder. Habre fugiu para o Senegal e foi colocado em julgamento, em novembro de 2015, por atrocidades cometidas durante sua liderança. Violência e rebeliões continuaram sob a presidência de Deby. O país continua lutando com o Boko Haram próximo à Bacia do Chade. Em 2018, a Assembleia Nacional alterou a Constituição que, antes de ser aprovada, manteria o atual presidente no poder por mais dez anos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O presidente Idriss Deby chegou ao poder em 1990, quando seu grupo rebelde liderado por zagauas tomou o controle por meio de luta armada. Para manter o poder a todo custo, o governo usa sentimentos religiosos e étnicos para conseguir apoio de grupos tribais. O presidente governa o país por meio de prisão e perseguição de grupos de oposição. Recentemente houve crescimento da oposição apesar do governo ditatorial.  

O Chade é uma república e introduziu a democracia multipartidária em 1996. No mesmo ano, uma eleição presidencial multipartidária foi realizada e Deby venceu a eleição. Deby foi declarado o vencedor nas três eleições presidenciais seguintes (2001, 2006 e 2011). Algumas das eleições foram boicotadas por partidos da oposição irados com a indisposição do governo em permitir partidos da oposição de fazer campanha de forma livre e justa. 

Em 2016, Deby venceu um quinto mandato no cargo de presidente e, em 2021, venceu as eleições para o sexto mandato, mas veio a falecer no dia seguinte. Além da Assembleia Nacional votar para estender o mandato de prefeitos em fevereiro de 2018, devido à falta de fundos, há reformas constitucionais sendo preparadas. Essas reformas eliminariam a posição de primeiro-ministro e criariam um sistema presidencial completo, dando ao presidente ainda mais poder. 

O parlamento e a Assembleia Nacional aprovaram a mudança na Constituição. A organização de direitos humanos Freedom House disse: “A nova Constituição aumenta significativamente o poder do presidente, redesenha distritos legislativos e introduz mandatos limitados que devem entrar em vigor após as eleições de 2021”. 

O governo do Chade foi acusado de conduzir torturas, mortes extrajudiciais, detenções ilegais e mais. A liberdade de imprensa, expressão e reunião foram restringidas. O relatório de 2019 da organização não governamental Freedom House classifica o país como “não livre”. Em um desenvolvimento significativo que se acredita estabelecer um novo precedente na África, o antigo presidente do Chade, Issene Habre, foi condenado, por uma corte apoiada pela União Africana, de crimes contra a humanidade por atrocidades cometidas durante seu governo e sentenciado a prisão perpétua no Senegal. 

A Constituição estipula a separação entre religião e Estado e garante a liberdade de religião e igualdade diante da lei sem a distinção da religião. Entretanto, no nível do governo local, há casos em que as autoridades se recusaram a reconhecer a conversão de muçulmanos ao cristianismo. Há uma lei obrigatória de registro de igrejas no Chade com a possibilidade de prisão caso não haja registro. Entretanto, dado o risco para os convertidos, cristãos ex-muçulmanos não arriscam se candidatar ao registro de seus grupos.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

O islamismo chegou ao país no século 11, mas não se tornou a religião nacional até os séculos 16 e 17, quando o país se tornou rota para o comércio de escravos muçulmanos. O Chade é agora um país de maioria muçulmana. Na parte sudeste do país, religiões tradicionais africanas têm um reduto, e cerimônias de iniciação e rituais para jovens são comuns. 

Um convertido do islamismo para o cristianismo pode precisar esconder a conversão para evitar reações violentas de familiares. Atos privados de adoração e devoção têm de ser feitos secretamente. Em partes dominadas por muçulmanos no país, grupos islâmicos podem, às vezes, perturbar celebrações de casamentos cristãos. Para cristãos ex-muçulmanos, é difícil criar os filhos de acordo com a fé cristã porque as crianças enfrentarão bullying e a conversão dos pais também será exposta. Cristãos, especialmente ex-muçulmanos, também enfrentam hostilidade e discriminação nos campos de deslocados internos. Em Fada e Mourtcha houve casos relatados de cristãos de famílias muçulmanas sendo forçados a abrirem mão da fé cristã para evitar que fossem negados comida e pagamento das taxas escolares. 

Não há uma organização que tente trazer o Chade para o islamismo, mas por meio da cooperação com países árabes, escolas, universidades e mesquitas são construídas para promover ensinamentos e valores do islamismo radical. Isso contribui para a radicalização de segmentos da sociedade e hostilidade contra cristãos. As atividades do Boko Haram na região também contribuem para a permanência da opressão islâmica como um tipo de perseguição no Chade.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Apesar da instabilidade do país e territórios vizinhos, a economia do Chade tem se beneficiado da exportação de petróleo. De acordo com o Banco Mundial: “Em junho de 2018, o Chade finalizou a reestruturação de seus empréstimos com garantia de petróleo com a companhia petrolífera Glencore. Com esse acordo e a eliminação planejada de pagamentos em atraso espera-se reduzir o débito público da taxa do Produto Interno Bruto. Além disso, o risco de saliência do débito externo permanece alto”. Os principais países de destino das exportações são Estados Unidos, Japão e Índia. Os rendimentos do petróleo do Chade beneficiam apenas uma pequena parte da população devido ao mau governo e à corrupção. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O país foi habitado desde 500 a.C. e, no século 8, bérberes começaram a imigrar para a área. Aproximadamente 130 línguas são faladas no país, com o árabe e o francês como as línguas oficiais. 

Embora o Chade seja uma república secular, o islamismo é a principal religião e permeia a sociedade levando alguns chadianos a mostrarem hostilidade e intolerância contra cristãos que consideram infiéis. Os grupos étnicos árabe, canembu, bornu e buduma são os mais muçulmanos e têm uma relação antagônica com os grupos wadai bulala, kobe, tama, barma e mesmedje que são em sua maioria cristãos. Há também questões de refugiados no país. Conforme um relatório do Banco Mundial, atualizado em outubro de 2019: “Com mais de 450 mil refugiados do Sudão, da República Centro-Africana e da Nigéria, o Chade continua enfrentando as consequências das tensões em países vizinhos e abriga muitos refugiados, que representam aproximadamente 4% da população total do país”. 

No Nordeste do Chade, principalmente na região de Ennedi, terra natal dos zagauas, como o presidente do Chade, general Deby, a perseguição aos cristãos baseada em diferenças étnicas identificadas é uma experiência comum. Nas partes do sudeste do país, onde religiões tradicionais africanas são mantidas, cristãos são pressionados a participar de festivais e rituais e também experimentam pressão de líderes de seus grupos étnicos.  

O Chade é também um dos países mais pobres do mundo. Informações da ONU mostram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com 0,398 pontos, estando em 187 de 189 países. A taxa de alfabetização de adultos é de 22,3%. A porcentagem da população que vive abaixo da linha da pobreza, com 1,90 dólar por dia, é 38,4%. 

Embora padres católicos romanos tenham tentado estabelecer uma missão cristã no começo dos anos 1660, isso só foi possível após o controle total da França sobre o país. Uma presença completamente institucionalizada foi estabelecida em 1946. Missionários batistas entraram no Chade em 1925. Em 1927, a Missão Unida do Sudão entrou no país. Os adventistas do sétimo dia também estão ativos no país desde 1967.

Para cristãos ex-muçulmanos, a caminhada com Cristo pode ser complicada

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE