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Chade

TD
Chade
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, opressão do clã
  • Capital: N’Djamena
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Mahamat Idriss Deby
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, animismo
  • Idioma: Francês, árabe, sara e mais de 120 dialetos
  • Pontuação: 58


POPULAÇÃO
16,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
5,8 MILHÕES

DOAR AGORA

R$

* Em breve este perfil será atualizado com informações referentes à Lista Mundial da Perseguição 2023.  

Como é a perseguição aos cristãos no Chade? 

Um convertido do islamismo para o cristianismo pode precisar esconder a conversão para evitar reações hostis e violentas de familiares e parentes. Atos privados de adoração e devoção têm que ser feitos secretamente. Em partes do país dominadas por muçulmanos, grupos islâmicos podem, às vezes, perturbar celebrações de casamentos cristãos. Para cristãos de origem muçulmana, é difícil criar os filhos de acordo com a fé cristã porque os filhos sofrerão bullying e a conversão dos pais será exposta. Cristãos, principalmente ex-muçulmanos, também enfrentam hostilidade e discriminação em campos de deslocados internos. Em Fada e Mourtcha, há relatos de casos de cristãos de origem muçulmana sendo forçados a abrir mão da fé cristã para evitar privação de alimento e a recusa do pagamento das taxas escolares. 

A Constituição estipula a separação de religião e Estado e garante liberdade religiosa e igualdade perante a lei sem distinção de religião. Entretanto, a nível de governo local, houve casos em que as autoridades se recusaram a reconhecer a conversão de muçulmanos para o cristianismo. Há uma lei obrigatória de registro de igrejas no Chade com a possibilidade de prisão por falta de registro. Entretanto, devido ao risco para os convertidos, cristãos de origem muçulmana não arriscam pedir o registro de seus grupos. 

“Meu pai me perguntou qual era o problema. Eu confessei que tinha me tornado cristã e que não seguia mais ao islamismo. Eu fui considerada a pior coisa que já aconteceu à família. Eles tentaram tudo para me convencer a voltar para o islamismo.”

ACHIAM (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ EX-MUÇULMANA NO CHADE

O que mudou este ano? 

Pressão e violência no país são moldadas por muitos fatores, principalmente: 

  • Como em outros países do Sahel, cristãos no Chade não são imunes à violência do Boko Haram e jihadistas ligados à Al-Qaeda. Aqueles que vivem fora da capital  NDjamena, principalmente em torno da Bacia do Lago Chade, vivem em constante medo de ataque. Sequestros, destruição de igrejas e mortes são algumas das coisas que os militantes são conhecidos por fazerem aos cristãos. Aqueles que se convertem ao cristianismo também enfrentam diversos problemas no país. 
  • O Chade faz fronteira com alguns dos países mais voláteis na África: Níger, Nigéria, Camarões, Sudão, Líbia e República Centro-Africana. Todos esses países são afetados pela presença de militantes islâmicos violentos de uma forma ou outra. Nesse contexto, as forças governamentais do Chade combatem o Boko Haram em colaboração com outros países na região. 

Esses dois fatores também moldam a atitude e o discurso religioso no Chade.  

Quem persegue os cristãos no Chade? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Chade são: opressão islâmica, corrupção e crime organizado, opressão do clã e paranoia ditatorial. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Chade são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo, redes criminosas e líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Chade? 

A opressão islâmica é principalmente evidente nas regiões de Kanem, Salamat, Lac e Sila. A influência do islamismo radical também é notável nos sultanatos de Wadai, Bagirmi e Fitri. A religião reflete parcialmente as linhas divisórias de política regional (Norte x Sul) e a divisão no país. 

Como as mulheres são perseguidas no Chade? 

Mulheres são servis aos homens na sociedade chadiana. Refletindo essas normas, o Chade permanece um dos únicos três países no mundo onde mulheres casadas precisam de uma permissão do marido para abrir uma conta no banco. Com esse contexto predominantemente patriarcal e islâmico, mulheres cristãs são vulneráveis tanto pela religião quanto pelo gênero. 

Mulheres cristãs no Chade enfrentam perseguição violenta e não violenta por causa da fé. Mulheres cristãs também são vulneráveis à violência sexual nas mãos de militantes islâmicos. Um especialista no país explicou: “A violência afeta mulheres e meninas mais porque a maioria dos grupos extremistas muitas vezes sequestram e abusam sexualmente de mulheres. Esses grupos sequestram mulheres e meninas e as forçam a se casar com seus membros”. Mulheres e meninas que foram violentadas sexualmente e consequentemente engravidaram geralmente sofrem contínuo sofrimento psicológico e de baixa autoestima. Vítimas traumatizadas de violência sexual muitas vezes veem os filhos como um lembrete perpétuo do crime cometido contra elas. Fontes locais relatam que a sociedade em geral também não é sensível ao sofrimento delas, as vendo como maculadas. De maneira mais geral, violência sexual ou baseada em gênero tem se agravado pelo deslocamento forçado da população no país. 

Como os homens são perseguidos no Chade? 

Homens e meninos cristãos no Chade são mais vulneráveis à perseguição de grupos militantes islâmicos, como o Boko Haram. Alguns têm relatado serem sequestrados, forçados a se converter ao islamismo e recrutados à força para as fileiras de grupos jihadistas para servirem como combatentes. 

Rituais de iniciação nas regiões do Sul do país também são motivo de preocupação. Esses ritos de iniciação geralmente ocorrem a cada sete anos e incluem flagelação, humilhações sexuais, uso de drogas, queimaduras com carvão e simulação de enterros. Cristãos que não fugirem serão forçados a participar, e filhos de pastores serão os alvos principais. Pastores que falam contra os perigos desses rituais historicamente enfrentam represálias. Em um caso em 2018, cristãos pertencentes a uma igreja que falaram contra os rituais foram despidos, chicoteados e mantidos na floresta até pagarem multas. Após voltarem, esses homens tiveram dificuldade para cuidar da família devido ao trauma físico e mental. Para impedir a desintegração familiar, tais homens precisam de apoio e treinamento para se reintegrarem à comunidade cristã. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Chade?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

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Pedidos de oração no Chade 

  • Ore para que os cristãos, principalmente no Sul do país, possam participar de forma ampla dos poderes políticos. 
  • Apresente em oração os cristãos que enfrentam discriminação de oficiais locais. 
  • Interceda pelos irmãos e irmãs que experimentam a violência de militantes do Boko Haram e extremistas fulanis. 

O Chade é um país sem litoral que compartilha fronteiras com Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Camarões, Nigéria e Níger. O Chade foi um dos 17 países africanos que conquistaram a independência em 1960, sempre referido como “o ano da África”. Entretanto, a situação seguinte à declaração da independência não foi o que muitos chadianos imaginaram, e diferentes facções surgiram. O homem chamado de pai da independência, François Tombalbaye, se tornou um presidente autocrático. Um dos principais desafios para o governo de Tombalbaye foi um grupo de guerrilha que atuava no Norte do país chamado Frente de Libertação Nacional do Chade (FROLINAT). Tropas francesas ajudaram o presidente a acabar com a revolta, mas foram incapazes de derrotar rebeldes no Nordeste. Tombalbaye permaneceu no poder até seu assassinato, em 1975.  

No golpe de 1975, o general Félix Malloum tomou o poder no conflito com forças rebeldes na parte nordeste do país. Eles foram financiados pela Líbia, que alegou a posse da Faixa de Auzu (a parte Norte do Chade) e a anexou em 1977. Em 1979, o general Malloum foi forçado a fugir do país e Goujouni Oueddei, o líder da Frente Nacional de Libertação do Chade, subiu ao poder. Em 1980, a Líbia enviou suas tropas para ajudar Oueddei que estava disposto a reconhecer a posse da Líbia sobre a Faixa de Auzu. Oueddei teve que lutar com uma força rebelde  liderada por Hissene Habre. Em 1982, Habre tomou o poder, mas Goukouni Oueddei continuou lutando na parte norte do país. Em 1990, Idriss Déby depôs Habre com o apoio do Sudão e tomou o poder. Habre fugiu para o Senegal e foi colocado em julgamento, em novembro de 2015, por atrocidades cometidas durante sua liderança.  

Violência e rebeliões continuaram sob a presidência de Déby. O país continua lutando com o Boko Haram próximo à Bacia do Chade. Em 2018, a Assembleia Nacional alterou a Constituição que antes de ser aprovada manteria o atual presidente no poder por mais dez anos. 

Eleições presidenciais ocorreram no Chade em 11 de abril de 2021. Idriss Déby, que serviu por cinco mandatos consecutivos desde que tomou o poder no golpe de 1990, estava concorrendo ao sexto mandato. Resultados provisórios liberados em 19 de abril mostraram que ele ganhou a reeleição com 79% dos votos. Entretanto, em 20 de abril de 2021, as Forças Armadas repentinamente anunciaram que Déby tinha sido morto em uma ação enquanto conduzia as tropas do país em uma batalha contra rebeldes que se autointitulavam Frente pela Alternância e Concórdia no Chade (FACT, da sigla em inglês). Desde então, ele foi substituído por seu filho, Mahamat Idriss Déby, como atual presidente da república. Espera-se que Mahamat Déby governe pelos próximos 18 meses e, ao final do período de transição, ocorram eleições democráticas e livres. 

Embora padres católicos romanos tenham tentado estabelecer uma missão cristã no começo dos anos 1660, essa foi a única possibilidade após o controle total da França sobre o país. Uma presença completamente institucionalizada foi estabelecida em 1946. Missionários batistas entraram no Chade em 1925. Em 1927, a Missão Unida do Sudão entrou no país. Os adventistas do sétimo dia também estão ativos no país desde 1967. 

O islamismo chegou ao país no século 11, mas só se tornou a religião nacional nos séculos 16 e 17, quando o país se tornou rota para o comércio de escravos muçulmanos. O Chade é agora um país de maioria muçulmana.   

Embora o Chade seja uma república secular, o islamismo é a principal religião e permeia a sociedade levando alguns chadianos a mostrarem hostilidade e intolerância contra cristãos, que consideram infiéis. Os grupos étnicos árabe, canembu, bornu e buduma são os mais muçulmanos e têm uma relação antagônica com os grupos wadai bulala, kobe, tama, barma e mesmedje, que são em sua maioria cristãos.  

Há também questões de refugiados no país. Conforme o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), até 31 de maio de 2021, dados atualizados de refugiados e deslocados internos no Chade eram estimados em 504.584 e 401.511, respectivamente. Há também cerca de 4.554 em busca de asilo no país. Apesar dos recursos limitados, “o governo do Chade continua tendo uma atitude positiva e de boas-vindas com relação aos refugiados. Por mais de uma década, o país recebeu cerca de 340 mil refugiados sudaneses no Leste, 100 mil refugiados de países da África Central no Sul, e abriu as portas para mais de 15 mil refugiados nigerianos da insurgência do Boko Haram na região do Lago Chade.  

O Chade é caracterizado por um ambiente operacional complexo com um prolongado deslocamento interno devido à instabilidade ao redor da região do Lago Chade desde 2014, agravado pelo regular influxo de refugiados devido a emergências nos países vizinhos. Mais de 22 mil refugiados chegaram da República Centro-Africana em 2018 e mais de 4,5 mil da Nigéria em 2019. Para melhor atender às necessidades dos refugiados, o Chade é um dos países-piloto para o Quadro Global de Resposta aos Refugiados (CRRF, da sigla em inglês). Alinhado a essa abordagem, o Chade integrou os refugiados ao sistema nacional de educação, e o mesmo processo está agora em andamento para a área da saúde. Com base nisso, o país está no processo de elaboração e adoção de uma nova lei nacional de asilo que aumentará o movimento de liberdade dos refugiados e acesso a empregos e terras, que são os elementos-chave para a inclusão socioeconômica dos refugiados”. 

Para cristãos ex-muçulmanos, a caminhada com Cristo pode ser complicada

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Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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