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População cristã

Como é a perseguição aos cristãos no Chade?
No contexto instável e cada vez mais autoritário do Chade, cristãos – especialmente convertidos do islamismo e outras religiões africanas – enfrentam múltiplas formas de perseguição. Cristãos são submetidos a vigilância, assédio e repressão arbitrária. Conflitos no Sudoeste do país aumentaram as tensões intercomunitárias. A violência entre comunidades cristãs e não cristãs resultou em deslocamentos, destruição de propriedades e ciclos de retaliação.
Grupos extremistas islâmicos, incluindo Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP, da sigla em inglês), permanecem ativos na região da Bacia do Lago Chade. Esses grupos continuam atacando vilarejos cristãos, queimando igrejas e sequestrando seguidores de Jesus, particularmente em zonas rurais com proteção estatal limitada. Suas ações contribuem para a insegurança e a polarização religiosa.
Além disso, políticas autoritárias adicionam pressão, e fatores como corrupção e crime tornaram o Estado de direito menos confiável. Cristãos de origem muçulmana em regiões de maioria islâmica enfrentam ameaças, espancamentos e necessidade de ocultar a fé. Até mesmo o culto privado pode desencadear punição.
“Para mim, como cristão, a terra é um exílio. Mas está tudo bem. Devemos caminhar de perigo em perigo.”
Letra de uma canção cantada por deslocados internos no Chade após um ataque que deixou trinta cristãos mortos
Como as mulheres são perseguidas no Chade?
Apesar de algum progresso, a violência de gênero e as normas sociais prejudiciais permanecem generalizadas no Chade. Mulheres e meninas cristãs são particularmente vulneráveis. Boko Haram e outros grupos violentos sequestraram, abusaram sexualmente e forçaram mulheres e meninas ao casamento, especialmente em áreas rurais e campos de deslocados internos. Convertidas do islã enfrentam pressão para renunciar à fé, muitas vezes sendo obrigadas a casamento forçado, divórcio, perda da guarda dos filhos e violência. Muitas mulheres são colocadas em prisão domiciliar por sua família, o que restringe o acesso delas à comunidade cristã. Trauma, ostracismo social e pobreza aumentam sua vulnerabilidade.
Como os homens são perseguidos no Chade?
Homens e meninos cristãos no Chade enfrentam riscos severos, incluindo sequestro, conversão forçada e recrutamento pelo Boko Haram e outros grupos militantes. Essas perdas destroem economicamente as famílias, pois os homens são geralmente os provedores. Aqueles que permanecem enfrentam assédio no trabalho, negação de promoções e exclusão econômica, especialmente em cargos governamentais e militares, dominados por muçulmanos. No Sul, meninos podem ser submetidos a rituais de iniciação prejudiciais envolvendo açoites, queimaduras, humilhação sexual, drogas e enterros simulados. Convertidos correm risco de expulsão de suas casas e/ou comunidades, deserdamento e abuso, ficando vulneráveis à pobreza e ao isolamento social.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos perseguidos no Chade?
A Portas Abertas trabalha com igrejas locais no Chade para oferecer treinamento de preparação para perseguição e programas de geração de renda.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Chade?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos no Chade?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Chade são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã e corrupção e crime organizado.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentos ou não violentos, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração do Chade
- Cristãos que vivem onde extremistas islâmicos estão ativos podem ser alvo de violência. Ore para que Deus mude o coração desses militantes e para que seu povo seja protegido.
- Clame em favor dos cristãos que enfrentam forte pressão da família e da comunidade. Peça a Deus que dê esperança e paz a esses irmãos e irmãs.
- O Chade passa por instabilidades porque países vizinhos enfrentam crises de violência e deslocamento. Ore para que a igreja local permaneça forte e mostre a esperança de Cristo a toda a nação.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DO CHADE
O Chade é um país sem litoral que compartilha fronteiras com Líbia, Sudão, República Centro-Africana, Camarões, Nigéria e Níger. O Chade foi um dos 17 países africanos que conquistaram a independência em 1960, sempre referido como “o ano da África”. Entretanto, a situação seguinte à declaração da independência não foi o que muitos chadianos imaginaram, e diferentes facções surgiram. O homem chamado de pai da independência, François Tombalbaye, se tornou um presidente autocrático. Um dos principais desafios para o governo de Tombalbaye foi um grupo de guerrilha que atuava no Norte do país chamado Frente de Libertação Nacional do Chade (FROLINAT). Tropas francesas ajudaram o presidente a acabar com a revolta, mas foram incapazes de derrotar rebeldes no Nordeste. Tombalbaye permaneceu no poder até seu assassinato, em 1975.
No golpe de 1975, o general Félix Malloum tomou o poder no conflito com forças rebeldes na parte nordeste do país. Eles foram financiados pela Líbia, que alegou a posse da Faixa de Auzu (a parte Norte do Chade) e a anexou em 1977. Em 1979, o general Malloum foi forçado a fugir do país e Goujouni Oueddei, o líder da Frente Nacional de Libertação do Chade, subiu ao poder. Em 1980, a Líbia enviou suas tropas para ajudar Oueddei que estava disposto a reconhecer a posse da Líbia sobre a Faixa de Auzu. Oueddei teve que lutar com uma força rebelde liderada por Hissene Habre. Em 1982, Habre tomou o poder, mas Goukouni Oueddei continuou lutando na parte norte do país. Em 1990, Idriss Déby depôs Habre com o apoio do Sudão e tomou o poder. Habre fugiu para o Senegal e foi colocado em julgamento, em novembro de 2015, por atrocidades cometidas durante sua liderança.
Violência e rebeliões continuaram sob a presidência de Déby. O país continua lutando com o Boko Haram próximo à Bacia do Chade. Em 2018, a Assembleia Nacional alterou a Constituição que antes de ser aprovada manteria o atual presidente no poder por mais dez anos.
Eleições presidenciais ocorreram no Chade em 11 de abril de 2021. Idriss Déby, que serviu por cinco mandatos consecutivos desde que tomou o poder no golpe de 1990, estava concorrendo ao sexto mandato. Resultados provisórios liberados em 19 de abril mostraram que ele ganhou a reeleição com 79% dos votos. Entretanto, em 20 de abril de 2021, as Forças Armadas repentinamente anunciaram que Déby tinha sido morto em uma ação enquanto conduzia as tropas do país em uma batalha contra rebeldes que se autointitulavam Frente pela Alternância e Concórdia no Chade (FACT, da sigla em inglês). Desde então, ele foi substituído por seu filho, Mahamat Idriss Déby, como atual presidente da república. Espera-se que Mahamat Déby governe pelos próximos 18 meses e, ao final do período de transição, ocorram eleições democráticas e livres.
HISTÓRIA DA IGREJA NO CHADE
Embora padres católicos romanos tenham tentado estabelecer uma missão cristã no começo dos anos 1660, essa foi a única possibilidade após o controle total da França sobre o país. Uma presença completamente institucionalizada foi estabelecida em 1946. Missionários batistas entraram no Chade em 1925. Em 1927, a Missão Unida do Sudão entrou no país. Os adventistas do sétimo dia também estão ativos no país desde 1967.
CONTEXTO DO CHADE
O islamismo chegou ao país no século 11, mas só se tornou a religião nacional nos séculos 16 e 17, quando o país se tornou rota para o comércio de escravos muçulmanos. O Chade é agora um país de maioria muçulmana.
Embora o Chade seja uma república secular, o islamismo é a principal religião e permeia a sociedade levando alguns chadianos a mostrarem hostilidade e intolerância contra cristãos, que consideram infiéis. Os grupos étnicos árabe, canembu, bornu e buduma são os mais muçulmanos e têm uma relação antagônica com os grupos wadai bulala, kobe, tama, barma e mesmedje, que são em sua maioria cristãos.
Há também questões de refugiados no país. Conforme o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), até 31 de maio de 2021, dados atualizados de refugiados e deslocados internos no Chade eram estimados em 504.584 e 401.511, respectivamente. Há também cerca de 4.554 em busca de asilo no país. Apesar dos recursos limitados, “o governo do Chade continua tendo uma atitude positiva e de boas-vindas com relação aos refugiados. Por mais de uma década, o país recebeu cerca de 340 mil refugiados sudaneses no Leste, 100 mil refugiados de países da África Central no Sul, e abriu as portas para mais de 15 mil refugiados nigerianos da insurgência do Boko Haram na região do Lago Chade.
O Chade é caracterizado por um ambiente operacional complexo com um prolongado deslocamento interno devido à instabilidade ao redor da região do Lago Chade desde 2014, agravado pelo regular influxo de refugiados devido a emergências nos países vizinhos. Mais de 22 mil refugiados chegaram da República Centro-Africana em 2018 e mais de 4,5 mil da Nigéria em 2019. Para melhor atender às necessidades dos refugiados, o Chade é um dos países-piloto para o Quadro Global de Resposta aos Refugiados (CRRF, da sigla em inglês). Alinhado a essa abordagem, o Chade integrou os refugiados ao sistema nacional de educação, e o mesmo processo está agora em andamento para a área da saúde. Com base nisso, o país está no processo de elaboração e adoção de uma nova lei nacional de asilo que aumentará o movimento de liberdade dos refugiados e acesso a empregos e terras, que são os elementos-chave para a inclusão socioeconômica dos refugiados”.
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