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Irã

IR
Irã
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional
  • Capital: Teerã
  • Região: Oriente Médio
  • Líder: Ebrahim Raisi
  • Governo: República teocrática
  • Religião: Islamismo, zoroastrismo, cristianismo e judaísmo
  • Idioma: Persa, azeri, curdo, gilaki, mazandarani, luri, balúchi e árabe
  • Pontuação: 85


POPULAÇÃO
84,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
800 MIL

Como é a perseguição aos cristãos no Irã? 

Os cristãos ex-muçulmanos são os mais vulneráveis à perseguição, especialmente pelo governo e em um grau menor pela sociedade e pela própria família. 

O governo vê o crescimento da igreja no Irã como uma tentativa dos países ocidentais de minar o domínio islâmico no país. Igrejas domésticas formadas de cristãos ex-muçulmanos são muitas vezes invadidas, e tanto líderes quanto membros são presos, acusados e recebem longas sentenças de prisão por “crimes contra a segurança nacional”. 

Os cristãos armênios e assírios de comunidades de históricas são reconhecidos e protegidos pelo Estado, mas são tratados como cidadãos de segunda classe e não têm permissão de entrar em contato com cristãos ex-muçulmanos. 

Eu louvo a Deus por me considerar digno de suportar essa perseguição por causa dele. 

Hamed Sahouri, cristão perseguido no Irã que foi sentenciado a dez meses de prisão por atividades cristãs 

O que mudou este ano? 

A severidade da perseguição enfrentada por cristãos no Irã permanece amplamente inalterada. 

Infelizmente, as coisas pioraram após as mudanças no código penal do país, que sufoca a liberdade religiosa. Com as alterações, ensinar a Bíblia e contar aos outros sobre a fé cristã — que contradiz os ensinamentos islâmicos — pode resultar em condenação. A alegação de que cristãos podem se comunicar com Jesus, que os ensinamentos islâmicos consideram como um profeta, também pode acarretar condenação. Cristãos podem ser acusados de “insultos com a intenção de causar violência ou tensão”. Essa descrição vaga é aberta a interpretações, tornando os cristãos mais vulneráveis a acusações injustas. 

Novos desafios podem seguir após o juramento de Ebrahim Raisi como o novo presidente do país em agosto de 2021, sucedendo Hassan Rouhani. Ele é visto como um islâmico ultraconservador e de linha-dura. 

Quem persegue os cristãos Irã?  

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Irã são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional.

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Irã são: oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, partidos políticos, grupos paramilitares, parentes, líderes de grupos étnicos, líderes religiosos cristãos.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Irã? 

Os cristãos ex-muçulmanos são os mais vulneráveis à perseguição, especialmente pelo governo e em um grau menor pela sociedade e pela própria família. 

O controle do governo é maior nas áreas urbanas, enquanto as áreas rurais são menos monitoradas. No entanto, o anonimato das cidades dá mais liberdade para organizar reuniões e atividades do que nas áreas rurais, onde o controle social é maior. 

Como as mulheres são perseguidas no Irã?

No Irã, as mulheres têm pouca proteção legal individual, tornando a situação precária principalmente para mulheres cristãs detidas pela fé. Elas correm o risco de assédio sexual por autoridades durante interrogatórios e prisão. 

Em casa, mulheres cristãs ex-muçulmanas são vulneráveis a casamento forçado, separação dos filhos, prisão domiciliar, discriminação, violência doméstica e proibição de contatar outros cristãos. 

Essa falta de proteção legal contra violência cria impunidade para aqueles que usam a violência para perseguir mulheres cristãs. Já que mulheres iranianas não podem viajar livremente sozinhas, fugir em uma situação perigosa e encontrar acomodações para abrigo é difícil. 

Como os homens são perseguidos no Irã? 

Apesar da maioria dos membros de igrejas domésticas serem mulheres, mais homens são detidos, condenados, sentenciados pelo governo e, muitas vezes, presos por muitos anos. Isso afeta principalmente pastores. 

Prisões longas têm um custo familiar; às vezes, a tensão e a dor emocional causadas pela separação levam ao divórcio e ao trauma dos filhos. Os filhos de um pastor podem não chamá-lo de pai após sua libertação, mas de senhor. 

Quando se convertem ao cristianismo, homens arriscam perder o emprego ou ter dificuldade para começar seu próprio negócio. Jovens convertidos podem ser proibidos de continuar os estudos. 

Ao contrário das mulheres, homens que se convertem não são vistos como errados, mas como intencionalmente tomando decisões erradas. Consequentemente, suas punições são mais severas, e eles podem sofrer mais abusos físicos, tortura e maiores sentenças de prisão. Muitos são forçados a migrar para o Ocidente, o que enfraquece a igreja, privando-a de líderes homens maduros e experientes. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Irã? 

A Portas Abertas apoia a igreja no Irã por meio de parceiros com presença ministerial online, iniciativas cristãs multimídias e advocacy. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Irã? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você capacita líderes para edificar a igreja secreta no Irã. 

Pedidos de oração do Irã 

  • Ore para que o presidente Raisi honre os direitos e as contribuições das minorias religiosas do Irã. 
  • Clame para que Deus abra os olhos das autoridades para ver que os cristãos não são uma ameaça para o Irã, mas uma parte valorosa da sociedade. 
  • Interceda para que as igrejas domésticas continuem capacitando cristãos para servirem a Jesus. 

Um clamor pelo Irã 

Pai celestial, estamos admirados ao ver que, apesar da perseguição extrema enfrentada por nossa família no Irã, a igreja continua vendo um forte crescimento. Que os cristãos continuem crescendo em número e maturidade. Por favor, ajude os cristãos que estão sofrendo pelo Senhor a permanecerem fortes em seu amor e poder  e que esse amor e poder se estenda àqueles que se opõem a eles. Proteja os cristãos do mal e dos olhos curiosos quanto às igrejas domésticas. Que essas reuniões sejam lugares onde cristãos são transformados para se parecer mais com o Senhor e preparados para cultos diários

A revolução iraniana destituiu Shah em 1979 e tornou o Irã uma república islâmica. Durante seu reinado (1941-1979), Shah começou um programa de modernização e influências ocidentais entraram no país. Ao mesmo tempo, os que não concordavam eram fortemente oprimidos. Como resultado, Shah perdeu o apoio do poder religioso, político e forças populares, abrindo caminho para um golpe. Os clérigos islâmicos xiitas assumiram o controle político, proibindo qualquer influência ocidental. 

Em julho de 2015, um acordo entre Irã e seis potências mundiais foi assinado com o objetivo de restringir o programa nuclear iraniano — especialmente o de enriquecimento de urânio — em troca da retirada de sanções internacionais. 

A história política recente, com a reeleição do presidente Rouhani, em maio de 2017, enfatiza o surgimento de uma política moderada no Irã. Ao mesmo tempo, moderados venceram as eleições para o parlamento iraniano em fevereiro de 2016. Isso parece confirmar o crescimento de políticas moderadas no Irã. No entanto, as eleições para o chefe da Assembleia de Peritos elegeram um líder antiocidente linha-dura. Além disso, o intransigente Ebrahim Raisi foi apontado como chefe do judiciário em março de 2019. Esse é um claro lembrete de que, no final das contas, apesar de parecer ser um processo democrático, é o líder supremo quem mexe os pauzinhos na política iraniana. 

O acordo nuclear deveria conduzir o Irã a uma maior influência na região. Entretanto, em 8 de maio de 2018, os Estados Unidos anunciaram a retirada do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, da sigla em inglês) — que é conhecido como “O Acordo Iraniano”. Os norte-americanos também reestabeleceram sanções contra o Irã, que têm sérias consequências políticas e econômicas. A moeda iraniana, o rial, perdeu valor. O aumento da tensão entre Irã e Estados Unidos, iniciada em maio de 2019 com a implantação de um porta-aviões americano no Golfo Pérsico, levou o Irã a violar os termos do acordo.  

Dez anos depois do Movimento Verde Iraniano, as circunstâncias de deterioração da economia e a opressão geral de dissidentes, incluindo ativistas mulheres, levou a semanas de protestos sangrentos em novembro de 2019. No mínimo 200 manifestantes foram mortos, no que começou como um protesto contra o aumento dos preços da gasolina. 

O general iraniano, Qasem Soleimani, líder da força de elite da Guarda Revolucionária (Quds), foi morto no dia 2 de janeiro de 2020, após um ataque dos EUA no Iraque. O ataque contra Soleimani ocorreu quando ele e sua comitiva deixavam o aeroporto de Bagdá, capital do Iraque. Soleimani era considerado o segundo homem mais poderoso no Irã, só atrás do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. Após a notícia da morte, Khamenei decretou três dias de luto nacional e afirmou que haverá uma severa vingança aos criminosos por trás do ataque.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Irã (ou Pérsia) é oficialmente chamado de República Islâmica do Irã e classificado pela empresa britânica Economist Intelligence Unit como autoritário. Ebrahim Raisi venceu as eleições presidenciais em 18 de junho de 2021 no Irã, com ampla maioria, porém diante da participação mais baixa da história do país (48,8%). O chefe do Poder Judiciário ultraconservador obteve 62% dos 28,9 milhões de votos emitidos. Com o atual espectro da política iraniana, há uma divisão entre a esquerda islâmica (reformistas) e a direita (principistas). Os reformistas dominam o parlamento. Entretanto, os principistas dominam o Conselho dos Guardiães, que tem o poder de veto a todas as legislações do parlamento. As consultas ao Conselho dos Guardiães são controladas pelo líder supremo do Irã (que tem a maior autoridade no país) e é um principista. Dessa forma, o Parlamento do Irã, que é mais moderado, não tem muito poder para trazer mudança. Enquanto a direita vir o Irã como um país islâmico para muçulmanos xiitas, ameaçados por países ocidentais e suas culturas, cristãos, especialmente ex-muçulmanos, serão perseguidos. 

Cristãos locais relataram que o poder absoluto está nas mãos do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e instituições não eleitas sob seu controle. Essas instituições, incluindo as forças de segurança e o judiciário, têm um importante papel na repressão de dissidentes e outras restrições a liberdades civis. Apenas partidos políticos e grupos leais à Constituição e à ideologia do Estado têm permissão para atuar. Até mesmo partidos reformistas estão sob crescente repressão do Estado, especialmente desde 2009. A luta de poder entre reformistas e principistas continua. 

O novo presidente é um protegido do líder supremo, Ali Khamenei. Com essa eleição, a ala dura do regime terá o controle dos três poderes do Estado há uma década. Os ultraconservadores já obtiveram esmagadora vitória nas eleições parlamentares do ano passado e controlam o poder judiciário, além das Forças Armadas (que dependem diretamente do líder supremo). 

A melhora marcante no relacionamento com o Ocidente nos últimos anos está hesitando e o supremo líder do país descartou qualquer negócio com Washington devido aos conflitos no acordo nuclear. O acordo de 2015 foi originalmente atacado depois dos Estados Unidos e seus aliados ficarem preocupados que o programa nuclear pudesse ser destinado à produção de armas, algo que o Irã negou. O então presidente americano, Donald Trump, retirou o acordo em 2018 e reimpôs sanções. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

O Irã é lar de uma rica variedade de grupos étnicos e religiosos que têm uma longa história na região. A maioria dos iranianos segue o islamismo xiita, que é a religião oficial do Estado. Entretanto, uma minoria significativa, 10%, segue o islamismo sunita. Todas as leis devem ser consistentes com a interpretação oficial da sharia (conjunto de leis islâmicas).  

A Constituição proíbe o parlamento de aprovar leis contrárias ao islamismo e os estados de criarem emendas para disposições relacionadas ao “caráter islâmico” do sistema político ou legal ou para a especificação do islamismo xiita como religião oficial. Para guardar as ordenanças do islamismo e garantir a compatibilidade com a legislação aprovada pelo parlamento, um Conselho de Guardiões, que consiste em estudiosos e clérigos xiitas deve revisar e aprovar todas as legislações. 

O Conselho de Guardiões também revisa todos os candidatos para os mais altos cargos públicos, como presidência e parlamentares. Isso explica porque mesmo os reformistas do governo são conservadores e porque os cristãos e outras minorias religiosas são impedidos de assumir altos cargos e outras posições de influência no sistema. 

Na visão do governo, e na visão de alguns da sociedade em geral, persas étnicos são por definição muçulmanos, e por isso persas étnicos cristãos são considerados apóstatas. Isso torna quase todas as atividades cristãs ilegais, especialmente quando ocorrem em língua persa, seja evangelismo, treinamento bíblico, publicação de livros cristãos ou pregação em persa. Entretanto, a sociedade iraniana é muito menos fanática que sua liderança. 

O interesse no cristianismo e outras religiões não islâmicas continua entre uma população predominantemente desiludida com o islamismo. Cristãos locais relatam um aumento do agnosticismo e uma aderência nominal ao islamismo, especialmente em áreas urbanas. Não ser um muçulmano traz uma grande quantidade de limitações e discriminações injustas para a vida pública e privada no Irã.  

Líderes religiosos e políticos no país continuam falando contra o cristianismo e os linhas-duras se mantêm quase que de forma absoluta no poder de assuntos internos, o que afeta os direitos humanos. Por isso, não é de surpreender que a comunidade cristã experimente repressão de várias formas. O serviço de inteligência iraniana (MOIS, da sigla em inglês) monitora de perto atividades cristãs e de outras minorias religiosas, junto com a Guarda Revolucionária (IRCG, da sigla em inglês). Eles são responsáveis por invasões a encontros de cristãos em casas, prisão de todos os participantes e confisco de propriedade privada. Os que são presos são submetidos a interrogatórios intensos e, com frequência, agredidos. 

Sobre o estado da liberdade religiosa, um relatório da Freedom Thought declara: “A Constituição declara que o islamismo é a religião do Estado. Os artigos 12 e 13 dividem os cidadãos da República Islâmica do Irã em quatro categorias religiosas: muçulmanos, zoroastrianos, judeus e cristãos. Ateus são excluídos e impedidos de certos direitos legais ou proteções: iranianos devem declarar a fé em uma das quatro religiões conhecidas oficialmente para pedir uma série de direitos legais, como se candidatar à prova geral para entrar em qualquer universidade no Irã”. 

O cristianismo é considerado uma influência ocidental e uma ameaça à identidade islâmica da República. Até mesmo filhos de líderes políticos e clérigos têm deixado o islamismo e se convertido ao cristianismo. O número de cristãos cresce no país, em especial cristãos ex-muçulmanos. Como cultos na língua farsi são proibidos, a maioria dos ex-muçulmanos se reúne em encontros informais em casas e igrejas domésticas ou recebem informações sobre a fé cristã por meio de mídias, como TV via satélite e internet. Em um esforço para impedir a influência ocidental, o governo limitou a velocidade da internet e proibiu a posse de antenas parabólicas. Sites cristãos sobre evangelização foram bloqueados. 

Muitas vezes, os cristãos presos só podem ser libertados depois de pagar uma fiança elevada. Isso geralmente envolve grandes quantias de dinheiro, que podem chegar a 200 mil dólares, forçando os cristãos ou suas famílias a entregar títulos de casas e, às vezes, negócios. As pessoas liberadas sob fiança nem sempre sabem quanto tempo a propriedade será mantida. Essa incerteza pode silenciá-las devido ao medo de perder suas propriedades. 

O regime iraniano coloca pressão, às vezes com ameaças, em cristãos que foram presos por participar de igrejas domésticas ou atividades evangelísticas; eles são “convidados” a deixar o país e, portanto, perder a fiança. 

Além dos cristãos, os direitos de outras minorias religiosas, como os judeus, bahai, zoroastrianos e muçulmanos sunitas e dervixes também são violados. Cristianismo, judaísmo e zoroastrismo são reconhecidos na Constituição, enquanto religiões que não são reconhecidas, como os bahai, são principalmente afetadas. De acordo com relatos recentes, convertidos do islamismo para o cristianismo são tratados pior do que minorias não reconhecidas. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A economia do Irã lucrou com a retirada das sanções econômicas após o acordo nuclear. Apesar do aumento na produção de petróleo ser um grande estímulo, a economia do país continuou com dificuldades, especialmente por causa da falta de reforma institucional. A situação se agravou desde a saída dos Estados Unidos do acordo e a reinstalação das sanções pelos americanos. Um dos maiores problemas é que o artigo 44 da Constituição iraniana prescreve “que todas as maiores indústrias devem ser governamentais”. 

Em maio de 2005, o líder supremo, Ali Khamenei, forneceu uma importante nova interpretação desse artigo, permitindo mais privatizações e uma diminuição do setor estatal. Ao invés de companhias privadas, o superconservador Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, da sigla em inglês) usou essa oportunidade para construir seu próprio império econômico estatal. 

Cristãos locais relatam que a incerteza econômica é muito alta. Na última década, a taxa de desemprego no Irã está acima de 10%. De acordo com a atualização do Banco Mundial de maio de 2020, a taxa de desemprego no país é de aproximadamente 11,4%, com o número entre os jovens sendo mais do que o dobro, 27,3%. A economia do Irã, que é dependente das iniciativas do governo, cresceu pouco devido à difícil capacidade de criar novos empregos. Uma das características do governo iraniano é a discriminação e imposição no mercado de trabalho. Indivíduos que pelo menos fingem serem leais à República Islâmica são melhor posicionados na busca por empregos em vagas governamentais. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A sociedade e cultura iraniana são conservadoras na superfície, mas há uma significativa cultura subterrânea dominada pela geração mais jovem e artistas discordantes. A expectativa de vida é de 74,5 anos e 15 anos de escolaridade. A urbanização está crescendo rapidamente com um grande número de pessoas deixando áreas rurais e buscando mais oportunidade e uma vida melhor nas cidades, o que também leva a uma maior secularização da sociedade. A população urbana no Irã é registrada em 75,9%, com uma taxa de urbanização anual de 1,7%. 

A cultura persa pode ser rastreada às origens bem antes da chegada do islamismo, e iranianos são orgulhosos dessas raízes culturais pré-islâmicas. Isso também encontra expressão nos nomes persas dados aos filhos. Cristãos locais relatam que a maioria dos jovens não tem interesse no islamismo e trabalha para contornar suas restrições. 

Iranianos investem na educação. Embora existam ao menos 2.640 universidades no país, os níveis de educação são baixos no geral. A educação com frequência é conduzida por razões ideológicas ao invés de aumentar o conhecimento técnico. Isso contribuiu para o motivo pelo qual a posição do Irã é 128 em uma lista de 141 países sobre “pensamento crítico em educação” e 92 em habilidades gerais. 

De acordo com o Índice de Desigualdade de Gênero, apesar dos números estarem diminuindo a taxa continua alta. Movimentos pelo direito e educação de mulheres continuam aumentando sua influência, com o governo tomando medidas duras contra eles. A “lavagem cerebral” do Irã provavelmente continuará, já que poucos acreditam que a mudança é possível e escolhem deixar o país. Por isso, a diáspora iraniana está crescendo rapidamente e é estimada atualmente em cerca de 6 milhões. Enfrentando oportunidades limitadas em casa, entre 150 e 180 mil iranianos deixam o país a cada ano para trabalhar no exterior. 

De acordo com Atos 2, os iranianos (partos, medos e elamitas) estavam entre os primeiros seguidores de Jesus Cristo. Tumbas de 60 cristãos datadas do século 3 foram encontradas na ilha de Kharg, perto da costa do Irã, indicando uma forte presença cristã naquele período. 

A igreja iraniana tinha alguma importância como indicado pelo fato de que o bispo “João da Pérsia, das igrejas de toda a Pérsia e da grande Índia” participou do primeiro Concílio de Niceia, em 325. Em 344, uma onda de perseguição começou quando os cristãos foram acusados de conspirar com o Império Romano. Nos 40 anos seguintes, pelo menos 35 mil cristãos foram mortos. Entretanto, a igreja sobreviveu e no Concílio de Mar Isaque (410) se tornou independente da igreja do Oriente, adotando o credo niceno. 

A separação das igrejas ocidentais aconteceu em seguida, quando ajudaram o “herético” arcebispo Nestório a adotar seu próprio credo em 486, que foi rejeitado pelo monofisismo e pelo Concílio de Calcedônia. A igreja foi muito ativa ao espalhar o cristianismo na Ásia Central, Índia, Mongólia e, até mesmo, na China. 

Os árabes invadiram a Pérsia em 642. Quando o islamismo criou raízes, a população cristã foi forçada à “submissão”. A adoração pública se tornou severamente restrita, cristãos tinham que pagar o dobro das taxas e não tinham direito a cargos públicos. Evangelizar se tornou difícil e muitos não muçulmanos se converteram ao islamismo. No entanto, o verdadeiro golpe foi com a ação do Império Mongol, que entre os séculos 12 e 14 destruiu completamente a igreja oriental. Em 1830, remanescentes da Igreja Nestoriana entraram em acordo com Roma e se tornaram “católicos caldeus”. 

Foi a chegada dos cristãos armênios do Norte, a partir do século 16, que estabeleceu uma comunidade cristã permanente no Irã, apesar dos tempos de perseguição. Embora menos bem tratados desde a Revolução Islâmica de 1979, eles ainda estavam presentes no Irã. 

Missionários protestantes se estabeleceram a partir do século 19, quando foram responsáveis pela tradução do Novo Testamento para o persa pela primeira vez, em 1812. Entretanto, a maioria dos membros da igreja protestante vieram de um contexto nestoriano, já que o trabalho missionário entre os muçulmanos continuava difícil. A Igreja Anglicana, que tinha a maioria dos ex-muçulmanos, contava com apenas 350 deles em 1936. No entanto, a influência cristã nos séculos 19 e 20 foi significativa para escolas, hospitais e clínicas de vilas comandados por cristãos. Restrições maiores vieram da Revolução Iraniana de 1979. O proselitismo se tornou ilegal, a conversão punível de morte e a construção de novas igrejas impossível. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

Cristãos ex-muçulmanos são o maior grupo de cristãos no país e há também muitos iranianos fora do país que se converteram ao cristianismo. O segundo maior grupo é o de cristãos étnicos: armênios e assírios, que são os únicos oficialmente reconhecidos pelo governo e protegidos pela lei, mas ainda tratados como cidadãos de segunda classe. 

As comunidades históricas cristãs assíria e armênia são reconhecidas e protegidas pelo Estado, mas não podem ter contato com cristãos ex-muçulmanos de fala persa ou tê-los participando de seus cultos e seus membros são tratados como cidadãos de segunda classe. 

Convertidos do islamismo para o cristianismo suportam o peso da perseguição, especialmente do governo e em um menor grau de familiares e sociedade. O governo os vê como uma tentativa dos países ocidentais de prejudicar o islamismo e o regime islâmico do Irã. Líderes de grupos de cristãos convertidos têm sido presos, acusados e recebido longas sentenças de prisão por “crimes contra a segurança nacional”. Outros ainda esperam julgamento. As famílias também enfrentam humilhação pública. 

Hoje, há comunidades de cristãos expatriados, comunidades cristãs históricas, comunidades cristãs não tradicionais e comunidades de cristãos ex-muçulmanos. Cristãos ex-muçulmanos perdem o direito de herdar os bens familiares e continuam sendo considerados muçulmanos, obrigados a seguir a educação islâmica. Muitas vezes, têm dificuldade em encontrar ou manter um emprego.

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