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Como é a perseguição aos cristãos na Líbia?
A ausência de um governo central capaz de impor lei e ordem torna a situação dos cristãos precária na Líbia. O nível de violência contra cristãos no país é considerado “muito alto”. Desde a prisão de vários cristãos líbios em março de 2023, diferentes autoridades intensificaram a vigilância sobre atividades cristãs na internet. Cristãos líbios de origem muçulmana enfrentam pressão intensa da família e da comunidade para renunciar à fé em Jesus. Todos eles praticam a fé em segredo.
Cristãos estrangeiros, principalmente de outras partes da África, são alvo de diversos grupos extremistas islâmicos e facções criminosas. Esses grupos sequestram e traficam cristãos estrangeiros na Líbia, exigindo o pagamento de resgate ou submetendo-os a trabalhos forçados. A fé cristã aumenta a vulnerabilidade deles a esses tipos de abusos na Líbia. Todos os anos, muitos migrantes cristãos morrem no mar tentando chegar à Europa ou são vítimas de abusos em centros de detenção.
Apesar da redução de incidentes violentos verificáveis na Líbia, continua sendo extremamente perigoso seguir a Jesus no país, e a maioria dos cristãos vive a fé clandestinamente. Qualquer pessoa flagrada compartilhando a fé cristã pode ser presa, e cristãos correm risco de punição violenta se forem descobertos.
“A partida dele é muito dolorosa para todos nós, mas a única coisa que nos conforta é que ele não renunciou à fé e a manteve até o último suspiro.”
Tio de Romany, que foi morto na Líbia por amor a Jesus
Como as mulheres são perseguidas na Líbia?
Mulheres líbias vivem sob rígido controle familiar, sob as normas dos clãs e a sharia (conjunto de leis islâmicas), reforçando sua condição social inferior na Líbia. Cristãs de origem muçulmana enfrentam prisão domiciliar, violência doméstica, abuso sexual, casamento forçado e “crime de honra” (quando são assassinadas por contaminar a honra da família e comunidade ao se converter ao cristianismo). O estigma social torna quase impossível escapar dos abusos ou denunciá-los. Sobreviventes da violência sexual enfrentam resistência policial, preconceito judicial e leis frágeis sobre esse tipo de abuso, enquanto o código penal continua a reduzir a pena para crimes de honra. Mulheres cristãs migrantes são especialmente vulneráveis a sequestro, tráfico e escravidão sexual, principalmente em centros de detenção ou quando separadas dos homens.
Como os homens são perseguidos na Líbia?
Homens cristãos líbios enfrentam forte pressão para reconverter-se ao islamismo quando são descobertos, além de prisão, expulsão, abuso e até tortura. Como são considerados os provedores das famílias, a perda de trabalho causa grande sofrimento psicológico. Essas pressões podem devastar famílias, levando a pobreza, traumas e deslocamento. Trabalho forçado e até escravidão são comuns para homens cristãos subsaarianos que vivem na Líbia, além disso, também correm risco de sequestro para cobrança de resgate ou trabalhos pesados em centros de detenção.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Líbia?
A Portas Abertas trabalha com parceiros e igrejas locais no Norte da África para oferecer treinamento de liderança, discipulado, aconselhamento pós-trauma, oração e projetos de subsistência.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Líbia?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Líbia?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Líbia são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Líbia
- Ore para que Deus dê estabilidade à Líbia enquanto o país se reorganiza politicamente.
- Peça a Deus que os poucos cristãos que permanecem na Líbia possam seguir a Jesus com segurança e encontrar comunhão com outros irmãos na fé.
- Interceda para que o testemunho dos cristãos líbios perseguidos alcance o coração daqueles que ainda não conhecem a graça de Jesus no país.
- Ore para que os cristãos migrantes sejam protegidos da violência e da exploração na Líbia.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA LÍBIA
O Norte da África, do qual a Líbia faz parte, é habitado desde a Idade Antiga. Antes de se tornar independente em 1951, a Líbia foi governada pelos romanos, por dinastias islâmicas pré-otomanas, por otomanos e italianos. O país tem fronteiras com Egito, Sudão, Níger, Chade, Tunísia e Argélia e é cercado pelo Mar Mediterrâneo ao Norte.
Entre 1943 e 1951, a Líbia esteve sob domínio do Reino Unido. A descoberta de jazidas de petróleo no país, em 1950, foi um marco histórico. Os rendimentos gerados pela venda do ouro negro foram usados para investir na agricultura e manufatura líbias, além de prover educação e saúde acessíveis para a população, antes limitada na aridez do deserto. O interesse econômico também trouxe estrangeiros de várias regiões para trabalhar na Líbia.
Alguns anos depois, um jovem oficial do exército chamado Muanmar Kadafi teve êxito em dar um golpe, instalando um governo que combinava socialismo e islamismo. Ele se tornou o homem forte da Líbia em 1969 e manteve o poder concentrado em suas mãos e na de seus aliados e familiares até 2011.
Por volta de 1970, Kadafi começou interações com países vizinhos, trocando petróleo por aliados ideológicos. No mesmo período, o governo líbio se envolveu com ações terroristas. Por isso, o país foi isolado de 1992 até 2003, quando interrompeu a agenda armamentista. A inquietação com o governo autoritário de Kadafi aumentou e, em 2011, o país viveu uma guerra civil sangrenta que durou oito meses e resultou no assassinato de Kadafi. Ao menos 30 mil líbios morreram no conflito, segundo o Conselho Nacional de Transição (NTC) da Líbia.
O regime de Kadafi foi derrubado sem um projeto claro para substituí-lo. O NTC assumiu o governo em fevereiro de 2011 e, em julho de 2012, os líbios votaram nas primeiras eleições parlamentares desde o fim do governo de Kadafi. A nova Assembleia teve a tarefa de redigir uma nova Constituição da Líbia para ser aprovada em um referendo geral. O documento estabeleceu o islã como religião oficial do Estado e a lei islâmica como principal fonte da legislação.
Embora esses desenvolvimentos tenham sido considerados avanços democráticos notáveis, devido à escalada de conflitos entre as várias forças que combateram Kadafi, o país permaneceu em guerra civil. Em termos gerais, a guerra propiciou uma coalizão de grupos tribais e nacionalistas armados, com sede no Leste do país, contra grupos militantes radicais islâmicos e uma mistura de militantes tribais e regionais baseados na parte ocidental do país.
Os lados da guerra civil na Líbia
De um lado da guerra civil, há as forças do Leste que lançaram uma campanha militar chamada Operação Dignidade, liderada pelo general Khalifa Haftar. Embora a Câmara dos Deputados tenha desfrutado do reconhecimento da ONU e da maior parte da comunidade internacional desde 2014, ela foi expulsa da capital por facções rivais e forçada a se refugiar no Leste da Líbia, na cidade de Tobruque. A Operação Dignidade recebe substancial apoio material e diplomático do Egito, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que consideram todas as forças do islamismo militante em ascensão na Líbia como uma ameaça à estabilidade da região.
Do outro lado da guerra civil, está em cena, desde 2016, o chamado Governo de Acordo Nacional (GNA). No início de 2016, a ONU facilitou um processo de negociação que levou à formação desse novo governo de unidade. Ele levou alguns meses até chegar a Trípoli e assumir o controle da capital. O GNA ainda não conseguiu garantir a aprovação do parlamento que se baseia em Tobruque, mas teve sucesso considerável em sua campanha militar contra o Estado Islâmico. Forças leais ao GNA retomaram a cidade de Sirte em 2016, que tinha sido a fortaleza dos militantes do Estado Islâmico na Líbia. O GNA tem o apoio formal da ONU.
Um terceiro grupo é formado por uma coalizão de forças composta em grande parte por islâmicos radicais, com vários níveis de extremismo, que opera sob o nome de Amanhecer Líbio. Muitos desses integrantes saíram do processo de transição democrática legal devido à frustração com seu fraco desempenho nas eleições parlamentares de junho de 2014. Eles criaram o próprio parlamento e governo rival em Trípoli. As forças do Amanhecer Líbio desfrutam do apoio do Catar e da Turquia. Integrantes dessa coalizão juraram fidelidade ao Estado Islâmico e foram responsáveis pela decapitação de cristãos estrangeiros.
Em novembro de 2017, as Nações Unidas promoveram um projeto de reconciliação nacional para amenizar os conflitos. A iniciativa recebeu apoio da comunidade internacional e conseguiu unir autoridades importantes em uma Conferência Nacional em 2019. O sucesso foi breve, pois o Exército Nacional Líbio (LNA, da sigla em inglês), sob o comando do general Khalifa Haftar, realizou um ataque contra a capital, Trípoli, e contra todos os representantes internacionais que estavam no país.
A ofensiva durou até junho de 2020, quando um acordo de cessar-fogo foi assinado. Porém, na prática, o acordo não foi suficiente para cessar a atividade de milícias, forças armadas estrangeiras e extremistas na Líbia. O futuro político da Líbia permanece incerto. Desde a onda de revoltas em 2011, conhecida como Primavera Árabe, o país tem dificuldade em sustentar um governo centralizado e democrático e, entre os conflitos pelo poder, a corrupção também aumentou, tornando-se mais um empecilho para a estabilidade líbia.
CONTEXTO DA LÍBIA
A Líbia é um dos maiores países da África com uma pequena população, tornando-o um dos países menos populosos da Terra. A vasta área do país faz parte do inabitável deserto do Saara, com a maioria da população vivendo na parte costeira do Norte do país, que é a parte fértil. A maioria dos líbios (97%) é de ascendência árabe ou bérbere. Mais de 40% da população é jovem, já os imigrantes representam 12% da população total. Muitos migrantes tentam sair do país para a Europa, por causa da proximidade geográfica, mas são enviados de volta à Líbia após serem interceptados no mar. Eles sofrem grande discriminação e racismo pelos nativos.
O país tem clima árido e enfrenta secas periódicas, além das grandes oscilações de temperatura no interior do país, dominado pelo deserto. Um dos fenômenos que chama a atenção na Líbia é o vento desértico, conhecido como ghibli. Ele carrega grandes porções de areia e é responsável por tornar o céu do deserto vermelho nas fotos do Saara.
A sociedade da Líbia é conservadora e tribal. A lealdade primária reside na família, no clã e na tribo. Mais de 30 desses grupos tribais lutam para encontrar um novo equilíbrio de poder. A guerra civil aumentou a hostilidade entre eles. Além dos inúmeros feridos, o número de deslocados internos e refugiados também é significativo.
A taxa de alfabetização na Líbia atingiu 89,9%, sendo o analfabetismo principalmente problemático entre mulheres idosas. Antes da guerra civil, os serviços sociais eram subsidiados pelo Estado, enquanto a educação era obrigatória e gratuita sob o domínio de Kadafi; mas isso acabou.
De acordo com estimativas de 2021 do World Christian Database, 98,9% dos líbios são muçulmanos, virtualmente todos pertencendo ao islamismo sunita. A etnia minoritária bérbere (amazigh) conta com alguns muçulmanos ibadi e há pequenas comunidades cristãs entre os migrantes egípcios e da África Subsaariana. Quase todos os não muçulmanos são estrangeiros, enquanto o número de cristãos líbios de origem muçulmana continua muito baixo.
Conflito militar e domínio do islã
A conversão do islamismo para o cristianismo não é apenas vista como traição ao islamismo, mas também à família e à tribo. O domínio do islã recebe explícito reconhecimento constitucional, enquanto as antigas raízes do cristianismo na Líbia foram quase completamente apagadas.
A sharia (conjunto de leis islâmicas) é aplicada em todo o país. O conflito militar na Líbia ajudou a influência do pensamento islâmico radical a crescer. Grupos militantes islâmicos ganharam território na anarquia criada pela guerra civil e várias áreas agora são o lar de muçulmanos radicais, com muitos simpatizantes do Estado Islâmico e da Al-Qaeda. O estado contínuo de anarquia tem contribuído para a vulnerabilidade geral dos cristãos no país. Em outras áreas, grupos tribais locais reforçam a própria versão da sharia. Portanto, níveis de radicalismo islâmico diferem de região para região, com alguns grupos mais estritos ou mais violentos do que outros.
Devido à crise política em curso, a pobreza aumentou. No entanto, a divisão política e econômica do país tem raízes complexas e influências internacionais concorrentes.
A economia da Líbia é fortemente dependente da exportação de petróleo, e a guerra civil em curso causou destruição generalizada e o rompimento das exportações. No entanto, a exportação de petróleo vem se recuperando desde 2017. Grandes quantidades de dinheiro são gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência causou destruição. Apesar de contar com fatores como população relativamente baixa e as maiores reservas de petróleo no continente africano, que podem criar um país rico, levará muitos anos para reconstruir a economia da Líbia.
Os líbios também foram afetados pela pandemia de COVID-19. O problema foi agravado por um setor de saúde incapacitado. Mais de uma em cada três unidades de saúde em Benghazi e uma em cada seis em Trípoli foram danificadas ou destruídas e quase 20% foram fechadas por causa da guerra civil. Os centros de saúde que restaram enfrentam falta de medicamentos e suprimentos, bem como perda de profissionais de saúde, muitos dos quais eram do exterior e fugiram em meio à violência.
HISTÓRIA DA IGREJA NA LÍBIA
Parte da história cristã conhecida como patrística aconteceu em território líbio. O primeiro bispo de que se tem registro na região foi Ammonas de Berenice (260 d.C.). Outros quatro bispos dessa região participaram do Conselho de Niceia (325 d.C.), um dos primeiros momentos da história em que cristãos se reuniram para discutir a fé cristã. Nesse Conselho, Cirenaica se tornou uma província da Igreja Copta de Alexandria, no Egito.
O cristianismo foi duramente debatido em Cirenaica; os bérberes do Saara (imazighen) não estavam interessados. O declínio do Império Romano causou grandes mudanças na ordem política e social que influenciavam o Norte da África, deixando espaço para que grupos como o Império Bizantino “ressuscitassem” no século 6. As cidades de Cirenaica se tornaram como campos armados para evitar ataques dos imazighen.
No começo do século 7, o controle bizantino enfraqueceu na Líbia. Rebeliões bérberes se tornaram mais frequentes e havia poucos para se opor à visão dos árabes muçulmanos de 681 a 683 d.C. Em Cirenaica, cristãos coptas que eram tratados como hereges pelos exércitos bizantinos receberam os árabes como libertadores da opressão bizantina. Quando o processo de islamização começou, muitos cristãos emigraram para a segurança da Itália ou do Egito. As tribos amazigh gradualmente aceitaram o islã.
Idade Média e primórdios do século 20
Na Idade Média e início do século 20, cristãos, predominantemente italianos, voltaram a interagir com a Líbia e assim, a presença cristã voltou a crescer no país. Depois, com a presença do Reino Unido, em 1943, e de diversos imigrantes interessados no petróleo, o número de cristãos continuou aumentando. Nesse período, a igreja cristã podia cultuar livremente.
Em 1970, Muanmar Kadafi deu um golpe de Estado e conduziu o país em uma direção extremista. Muitas igrejas foram forçadas a fechar. Antes de a guerra civil começar, em 2011, havia cerca de 800 mil católicos romanos, majoritariamente italianos e líbios malteses. Eles só tinham permissão para usar uma igreja em Trípoli (datada de 1645) e uma em Benghazi (datada de 1858).
Antes de 2011, cerca de 60 mil coptas ortodoxos egípcios trabalhavam na Líbia, servidos por três igrejas: em Trípoli, Benghazi e Misrata. Além disso, milhares de estrangeiros protestantes, principalmente da África, conduziam cultos mais ou menos formais em igrejas. Devido à revolução, a situação de segurança se deteriorou muito. Quando o Estado Islâmico decapitou 21 cristãos coptas perto de Sirte, em 2015, um grande número de cristãos fugiu do país. A Igreja Ortodoxa Copta canonizou as 21 vítimas coptas, declarou 15 de fevereiro um dia de festa oficial e erigiu um memorial e um museu em homenagem às vítimas no Egito.
Apesar dos riscos de perseguição, os imigrantes cristãos da África Subsaariana continuam indo para a Líbia na esperança de chegar à Europa. A Global Initiative Against Transnational Organized Crime escreveu em um relatório de fevereiro de 2020: “Os migrantes cristãos enfrentaram maiores níveis de risco no Norte da África, particularmente na Líbia. Migrantes que viajam ao longo das rotas para a Líbia e Argélia também relataram que os migrantes muçulmanos recebem melhor tratamento de contrabandistas muçulmanos e têm uma chance melhor de garantir emprego nos países muçulmanos”.
A Constituição afirma que não há discriminação baseada em religião entre os líbios e prevê que não muçulmanos têm liberdade para praticar seus ritos religiosos, embora na prática o quadro legal não contenha nenhuma proteção específica à liberdade religiosa. Todos os líbios são considerados muçulmanos, sem margem para mudar de religião. Assuntos de status pessoal são determinados de acordo com a lei islâmica. O Código Penal prescreve punições severas por ataques ou insultos contra a religião muçulmana.
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