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Líbia

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Líbia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado
  • Capital: Trípoli
  • Região: Norte da África
  • Líder: Fayez al-Sarraj
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo e outras
  • Idioma: Árabe, italiano, inglês e bérbere
  • Pontuação: 92


POPULAÇÃO
6,6 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
34,5 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Líbia? 

Não há liberdade de expressão, religiosa e nem a mínima possibilidade da existência de uma igreja na Líbia. Embora haja cerca de 34.500 cristãos no país, apenas cerca de 150 são líbios, pois a maioria são trabalhadores expatriados e migrantes. 

Cristãos líbios ex-muçulmanos enfrentam violenta e intensa pressão da família e da comunidade em geral para renunciar à fé em Jesus. Tanto eles como os cristãos estrangeiros são vulneráveis a sequestros ou assassinatos por grupos de radicais islâmicos e do crime organizado. 

Compartilhar a fé publicamente é ilegal na Líbia, e aqueles que tentam “desobedecer” correm o risco de oposição violenta e prisão. Sem um governo central, o país está enfraquecido e sem lei. Por isso, há pouca chance de haver justiça legal quando os cristãos são atacados ou mortos. 

Cristãos que migram da África Subsaariana também são mantidos presos em centros de detenção, sendo abusados, torturados e extorquidos por aqueles que os traficam. Os seguidores de Jesus são frequentemente forçados a trabalhos intensos ou até a prostituição. 

“O quarto estava escuro, mas de repente havia um homem brilhante como uma luz. Ele não parecia irreal, mas eu senti que não poderia tocá-lo. Ele continuou parado ao meu lado. Senti felicidade em meu coração apenas por causa da presença dele. Ele era alto e seu cabelo era um pouco comprido. ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’, ele disse. Então se foi.” 

Cristã perseguida que precisou fugir da Líbia por causa da fé 

O que mudou este ano? 

A violência continua aumentando na Líbia e há mais incidentes verificados de ataques e assassinatos de cristãos. A perseguição em todas as esferas da vida só piorou. 

Quem persegue os cristãos na Líbia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Somália são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado.

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Líbia são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, parentescidadãos e quadrilhasoficiais do governo, partidos políticos, líderes de grupos étnicos, redes criminosas.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Líbia? 

Os cristãos estão em risco em todo o país, mas especialmente vulneráveis em áreas onde grupos extremistas islâmicos estão presentes. Militantes que juraram lealdade ao Estado Islâmico ainda estão no país, principalmente na região de Sirte. Outros grupos extremistas controlam áreas dentro e ao redor da capital, Trípoli. Os cristãos expatriados evitam viajar pelo país, mas especialmente em áreas onde pode haver postos controlados por radicais. 

Cristãos migrantes de outras áreas da África, com o objetivo de chegar à Europa, são frequentemente mantidos em centros de detenção superlotados na região da capitalJá outros são entregues diretamente a funcionários do governo ou grupos criminosos pelos traficantes de pessoase forçados ao trabalho agrícola intensivo ou à prostituição. 

Como as mulheres são perseguidas na Líbia? 

Os cristãos líbios que se converteram do islamismo são particularmente vulneráveis à perseguição da família e comunidade. Eles têm pouca ou nenhuma chance de fugir de situações perigosas. O testemunho de uma mulher não tem o mesmo peso legal que o de um homem, por isso é improvável que ela obtenha justiça se for abusada sexualmente por causa da fé. Isso às vezes é usado como forma de punição contra uma mulher cristã. Em geral, as mulheres ocupam uma posição inferior na sociedade líbia 

Como os homens são perseguidos na Líbia? 

Em geral, os homens cristãos enfrentam um risco maior de violência na Líbia. Os migrantes da África Subsaariana são frequentemente sequestrados e forçados a trabalho forçado, outros são mantidos reféns para que a família pague pela liberdade deles. 

Os homens são os responsáveis pelo sustento nas famílias da Líbia, e a esposa e os filhos sofrem se um homem cristão perde o emprego, é sequestrado ou forçado a fugir de casa.   

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Líbia? 

Em cooperação com as igrejas e parceiros locais, a Portas Abertas apoia a igreja no Norte da África por meio de treinamento, distribuição de literatura cristã e Bíblias, desenvolvimento socioeconômico e advocacy. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você possibilita que um cristão ex-muçulmano seja discipulado por um mês no Norte da África. 



Pedidos de oração da Líbia 

  • Ore pelos cristãos na Líbia que estão sob imensa pressão, especialmente aqueles que são presos por causa da fé. Peça por proteção e libertação. 
  • Interceda pelos que estão no poder na Líbia, para que promovam a paz e estabilidade, e ponham fim à guerra civil. Anos de lutas pelo poder ceifaram muitas vidas e corroeram a esperança de futuro. Os cristãos e outras minorias se tornaram muito vulneráveis nessa situação de ilegalidade. 
  • Clame pelos novos convertidos que foram batizados. Ore para que eles encontrem um grupo de cristãos para terem comunhão. Agradeça e alegre-se por terem encontrado Jesus. 

Um clamor pela Líbia 

Senhor, pedimos sua bênção sobre a Líbia e por aqueles que o seguem no país. Por favor, dê força e perseverança para aqueles que não podem louvá-lo publicamente ou ter qualquer comunhão com a igreja. Proteja-os da violência e do sequestro e mude o coração daqueles que perseguem os cristãos. 

Antes de se tornar independente em 1951, a Líbia havia sido governada pelos romanos, dinastias islâmicas pré-otomanas, otomanos e italianos. Em 1969, um jovem oficial do exército chamado Muanmar Kadafi teve êxito em dar um golpe e se tornou o homem forte da Líbia até ser derrubado na revolução de 2011. Desde então, a tentativa de formar um governo central tem falhado e o país se dividiu entre vários grupos com altos níveis de violência e falta de lei. 

O regime do coronel Kadafi foi derrubado em 2011 por protestos populares e com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), organização militar composta por 29 países formada em 1949. A guerra civil causou a morte de pelo menos 30 mil líbios, de acordo com estimativas do Conselho Nacional de Transição (NTC) da Líbia. 

Durante as revoltas de 2011, Kadafi foi retirado do poder sem uma clara ideia de como o futuro seria. O NTC assumiu o governo em fevereiro de 2011. Em 7 de julho de 2012, os líbios votaram nas primeiras eleições parlamentares desde o fim do governo de Kadafi. A nova assembleia teve a tarefa de redigir uma nova Constituição da Líbia para ser aprovada em um referendo geral. 

Embora esses desenvolvimentos tenham sido considerados avanços democráticos notáveis, devido à escalada de conflitos entre as várias forças que combateram Kadafi, o país já havia alcançado uma situação de guerra civil. Em termos gerais, a guerra coloca uma coalizão de grupos tribais e nacionalistas armados, com sede no Leste do país, contra grupos militantes radicais islâmicos e uma mistura de militantes tribais e regionais baseados na parte ocidental do país. 

Principais antagonistas na guerra civil da Líbia 

De um lado da guerra civil, há as forças do Leste que lançaram uma campanha militar chamada Operação Dignidade, que também serve como designação popular para as forças do Leste, e é liderada pelo general Khalifa Haftar. Essa campanha militar é sancionada pela Câmara dos Deputados eleita em 2014. Embora a Câmara dos Deputados desfrute do reconhecimento da ONU e da maior parte da comunidade internacional desde 2014, ela foi expulsa da capital por facções rivais e forçada a se refugiar no Leste da Líbia, na cidade de Tobruque. A Operação Dignidade recebe substancial apoio material e diplomático do Egito, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que consideram todas as forças em ascensão do islamismo militante na Líbia como uma ameaça à estabilidade da região. 

Do outro lado da guerra civil, está em cena desde 2016 o chamado Governo de Acordo Nacional (GNA). No início de 2016, a ONU facilitou um processo de negociação que levou à formação desse novo governo de unidade. Ele levou alguns meses até chegar a Trípoli e assumir o controle da capital. O GNA ainda não conseguiu garantir a aprovação do parlamento que se baseia em Tobruque, mas teve sucesso considerável em sua campanha militar contra o Estado Islâmico. Forças leais ao GNA retomaram a cidade de Sirte em 2016, que tinha sido a fortaleza dos militantes do Estado Islâmico na Líbia. O GNA tem o apoio formal da ONU. 

Um terceiro grupo é formado por uma coalizão de forças composta em grande parte por islâmicos radicais, com vários níveis de extremismo, que opera sob o nome de Amanhecer Líbio. Muitos desses integrantes saíram do processo de transição democrática legal devido à frustração com seu fraco desempenho nas eleições parlamentares de junho de 2014. Eles criaram o próprio parlamento e governo rival em Trípoli. As forças do Amanhecer Líbio desfrutam do apoio do Catar e da Turquia. Integrantes dessa coalizão juraram fidelidade ao Estado Islâmico e executaram os ataques mais desprezíveis contra os cristãos estrangeiros na Líbia por meio de decapitações. 

O presidente da França, Emmanuel Macron, conseguiu juntar os principais antagonistas em uma cúpula em Paris em maio de 2018. Quatro das principais partes envolvidas no conflito concordaram com um roteiro que levaria à resolução do conflito e em eleições nacionais em dezembro de 2018. Os participantes foram o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj (chefe do governo de unidade apoiado pela ONU com sede em Trípoli), Khalifa Haftar (o homem militar que comanda o Exército Nacional da Líbia que domina o Leste do país), Aguila Saleh Issa (o porta-voz do parlamento baseado na cidade oriental de Tobruque, que se opõe à administração apoiada pela ONU) e Khalid al-Mishri (chefe do Alto Conselho de Estado). O encontro foi considerado um sucesso, visto que os partidos envolvidos no conflito concordaram verbalmente com um acordo de paz. No entanto, o acordo parece ser muito tênue e ainda há grupos militantes que não foram incluídos no encontro que poderiam impedir a implementação. Em novembro de 2018, o enviado especial da ONU declarou que um fórum especial seria realizado no começo de 2019 para organizar eleições presidenciais e parlamentares na primavera de 2019. Após um repentino aumento da violência em setembro de 2018, ele acusou os partidos envolvidos de deliberadamente adiar a votação para servir a seus próprios interesses.  

A ONU planejava que o fórum fosse realizado entre 14 e 16 de abril de 2019 na cidade de Ghadamis. No entanto, em 4 de abril de 2019, o general Khalifa Haftar ordenou seu Exército Nacional Líbio a marchar sobre Trípoli. Em resposta, o GNA se uniu ao Amanhecer Líbio, que disse estar disposto a defender a cidade a todo custo. Em semanas, o combate tinha matado mais de 500 pessoas e desalojado outras 75 mil. Embora no passado tenha havido confrontos internos e divisão, desde o lançamento da campanha militar de Haftar, em abril de 2019, tanto o Leste quanto o Oeste parecem unidos um contra o outro, com o enviado especial da ONU alertando que isso poderia levar a uma “guerra longa e sangrenta”. 

A comunidade internacional está dividida sobre que lado apoiar: enquanto o GNA ainda tem o apoio da ONU e da União Europeia, outros, como a França, apoiam Haftar. Várias conversas com diferentes atores internacionais têm sido realizadas desde então, mas não levaram a nenhum progresso significativo. Enquanto o GNA mantém que somente as eleições podem trazer uma solução política, Haftar permanece comprometido com uma solução militar. A Alemanha tentou reunir todos os lados no final de 2019 para a Conferência de Berlim, mas teve que adiar a reunião sem estabelecer uma nova data. 

Enquanto isso, o ataque aéreo de julho de 2019 em um centro de imigrantes perto de Trípoli, resultando em pelo menos 53 mortes, foi ligado a um avião de caça dos Emirados Árabes Unidos, um dos apoiadores do Exército Nacional da Líbia (LNA, da sigla em inglês) de Haftar. 

É muito provável que as eleições continuem sendo adiadas, pois elas significariam que a maioria dos partidos que controlam partes da Líbia teriam que ceder o controle para um governo central. Mas muitos desses grupos estão tirando proveito da situação atual e não têm nenhum interesse real em eleições democráticas. Se as eleições forem realizadas, é provável que alguns partidos não aceitem o resultado e que a guerra civil, portanto, continue. 

Qualquer esperança de melhoria na situação para os cristãos na Líbia depende de melhoria das condições políticas e de segurança dentro do país. Se o GNA for capaz de ganhar mais autoridade e restaurar a lei e a ordem no país, os cristãos poderiam receber proteção das mais notórias formas de perseguição. Embora não necessariamente haveria qualquer garantia de liberdade de religião. No entanto, a longo prazo, a natureza da ordem política e constitucional permanente que emergiria do atual processo de paz e transição seria o fator mais decisivo para a liberdade religiosa dos cristãos na Líbia. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Human Rights Watch relata: “A crise política e de segurança na Líbia continua, com duas autoridades, o Governo do Acordo Nacional (GNA, da sigla em inglês) apoiado pela ONU e baseado em Trípoli, e o governo rival baseado no Leste da Líbia, competindo por legitimidade e controle territorial. Confrontos armados prolongados deixaram dezenas de milhares de pessoas deslocadas dentro da Líbia e interromperam o acesso a serviços básicos, como saúde e eletricidade. Milícias e grupos armados, geralmente com ligações aos governos que competem pelo poder, intimidam e perseguem civis impunemente e realizam detenções arbitrárias, tortura, assassinatos, ataques indiscriminados, desaparecimentos, confisco de propriedade e deslocamento forçado. Os tribunais são semifuncionais e vários obstáculos impedem o acesso a julgamentos. Centenas de milhares de migrantes e pessoas que buscam asilo, inclusive crianças, que deixam a Líbia em bandos geralmente rumo à Europa, se arriscam a passar por tortura, assédio sexual e trabalho forçado por guardas de prisões, forças da guarda costeira e contrabandistas”. 

Middle East Concern reporta: “A Constituição Interina de 2011 da Líbia estabelece o islã como a religião do Estado e a lei islâmica como a principal fonte de legislação. A Constituição afirma que não há discriminação baseada em religião entre os líbios e prevê que não muçulmanos têm liberdade para praticar seus ritos religiosos, embora na prática o quadro legal não contenha nenhuma proteção detalhada à liberdade religiosa. A Assembleia Constitucional de Elaboração, que começou a trabalhar em uma nova Constituição em 2014, recomendou que o status da lei islâmica seja fortalecido como a única fonte de legislação e que as nomeações importantes sejam restritas aos muçulmanos. A nova Constituição foi finalizada em julho de 2017, mas ainda não foi adotada, bem como um referendo sobre a Constituição ainda não foi realizado, em parte devido à contínua crise política e de segurança na Líbia, que minou severamente o Estado de direito. Todos os líbios são considerados muçulmanos, sem margem para mudar de religião. Assuntos de status pessoal são determinados de acordo com a lei islâmica. O Código Penal prescreve punições severas por ataques ou insultos contra a religião”. 

Indicadores políticos do Fragile States Index revelam que a Líbia continua a ser ameaçada por questões sobre legitimidade do Estado e intervenções externas. Uma solução política para acabar com a guerra civil parece distante, até porque os atores internacionais continuam a financiar seus aliados políticos nos dois lados do conflito. A Turquia e o Catar apoiam grupos islâmicos vinculados ao Amanhecer da Líbia, enquanto Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos apoiam ativamente o LNA da Haftar. 

O fato de a corrupção ser tão generalizada contribui para perpetuar a ausência de Estado de direito e a impunidade no país. Além disso, devido à instabilidade política e ausência de lei e ordem no país, muitos cristãos são submetidos a um tratamento violento, desumano e degradante. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com estimativas, 98,9% dos líbios são muçulmanos, virtualmente todos pertencendo ao islamismo sunita. A etnia minoritária bérbere (amazigh) conta com alguns muçulmanos ibadi e há pequenas comunidades cristãs entre os migrantes egípcios e da África Subsaariana. Quase todos os não muçulmanos são estrangeiros, e o número de cristãos ex-muçulmanos líbios continua muito baixo. 

O domínio do islã recebe explícito reconhecimento constitucional (Art.5, Constituição de 1951), enquanto as antigas raízes do cristianismo na Líbia foram quase completamente apagadas. A Declaração Constitucional Transitória de 2011 deixa claro que nada mudou nesse sentido. O primeiro artigo declara que o “islamismo deve ser a religião e a sharia deve ser a principal fonte de legislação”. “O Estado deve garantir aos não muçulmanos a liberdade de praticar seus rituais religiosos”, mas deixar o islã é amplamente entendido como impossível sob a sharia. A liberdade de religião e crença dos cristãos ex-muçulmanos não é garantida sob a Constituição. 

A sharia é aplicada em todo o país. O conflito militar na Líbia ajudou a influência do pensamento islâmico radical a crescer. Grupos militantes islâmicos ganharam território na anarquia criada pela guerra civil e várias áreas agora são o lar de muçulmanos radicais, com muitos simpatizantes do Estado Islâmico e Al-Qaeda. O estado contínuo de anarquia tem contribuído para a vulnerabilidade geral dos cristãos no país. Em outras áreas, grupos tribais locais reforçam a própria versão da sharia. Portanto, níveis de radicalismo islâmico diferem de região para região, com alguns grupos mais estritos ou mais violentos que outros. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A economia da Líbia é fortemente dependente da exportação de petróleo e a guerra civil em curso causou destruição generalizada e o rompimento das exportações. Além disso, devido à crise da COVID-19, os preços do petróleo estão historicamente baixos e é improvável que subam a curto prazo. Isso problematizará ainda mais a recuperação econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) da Líbia caiu de 82 bilhões em 2012 para 52 bilhões em 2019, crescendo um pouco em relação à baixa de 26 bilhões em 2016. A alta da inflação fez com que os líbios perdessem 80% do poder de compra nos últimos quatro anos, levando muitos à pobreza. De acordo com estatísticas do Banco Mundial de 2019, o desemprego médio é de cerca de 18,5%, com o desemprego entre os jovens sendo mais de duas vezes mais alto, 50,4%. 

Grandes quantidades de dinheiro são gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência causou destruição. Apesar de contar com fatores como relativamente baixa população e as maiores reservas de petróleo no continente africano, que podem criar um país rico, levará muitos anos para reconstruir a economia da Líbia. Indicadores econômicos do Fragile States Index revelam que a situação econômica da Líbia não está mais piorando, mas é ameaçada pelos altos níveis de intervenção internacional. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A Líbia é um dos maiores países da África com uma pequena população, tornando-o um dos países menos populosos da Terra. A vasta área do país faz parte do inabitável deserto do Saara, com a maioria da população vivendo na parte costeira do Norte do país, que é a parte fértil. A maioria dos líbios (97%) é de ascendência árabe ou bérbere. Os jovens com até 24 anos representam mais de 40% da população, tornando-o outro país africano com uma população jovem necessitando de oportunidades econômicas. Os imigrantes representam 12% da população total. 

Um relatório da Anistia Internacional, publicado em março de 2019, mostra que a situação piorou, com muitos migrantes sendo enviados de volta à Líbia após serem interceptados no mar enquanto tentavam chegar à Europa. 

A sociedade da Líbia é conservadora e tribal. A conversão do islamismo para o cristianismo não é apenas vista como traição ao islamismo, mas também à família e à tribo. No que diz respeito à etnia e ao racismo, os migrantes dos países subsaarianos são ferozmente discriminados. 

A guerra civil em curso testifica a profundamente conservadora e tribal cultura líbia, na qual a lealdade primária reside na família, no clã e na tribo. As cidades de Trípoli, Misrata, Ben Ghazi e Bayda têm suas próprias milícias tribais. Com mais de 30 grupos tribais diferentes, a Líbia luta para encontrar um novo equilíbrio de poder, com os indicadores sociais do Fragile States Index mostrando que o estresse no tecido social também vem de um grande número de pessoas deslocadas internamente e refugiados que entram na Líbia.  

Os números atuais do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostram a média da expectativa de vida em 72,9 anos, com 12,9 anos de escolaridade esperada. Antes da guerra civil, os serviços sociais eram subsidiados pelo Estado, enquanto a educação era obrigatória e gratuita sob o domínio de Kadafi; mas isso acabou. 

O primeiro bispo de que se tem registro foi Ammonas de Berenice (260 d.C). Quatro bispos dessa região participaram do Conselho de Niceia (325 d.C). Nesse Conselho, Cirenaica se tornou uma província da Igreja Copta de Alexandria, no Egito. Arius e Sabellius, dois teólogos lembrados como hereges, eram de Cirenaica. 

O cristianismo permaneceu basicamente uma questão latina e grega em Cirenaica; os bérberes do Saara (imazighen) não estavam interessados. O declínio do Império Romano, apressado pela invasão dos vândalos, viu as cidades e a ordem política e social romana virarem ruínas. O Império Bizantino voltou a dominar a região no século 6, mas as cidades de Cirenaica se tornaram como campos armados para evitar ataques imazighen. No começo do século 7, o controle bizantino da região era fraco, rebeliões bérberes se tornaram mais frequentes e haviam poucos para se opor à visão dos árabes muçulmanos de 681 a 683 d.C. Em Cirenaica, cristãos coptas que eram tratados como hereges pelos exércitos bizantinos receberam os árabes como libertadores da opressão bizantina. Quando o processo de islamização começou, muitos dos cristãos emigraram para a segurança da Itália ou do Egito. As tribos amazigh gradualmente aceitaram o islã. 

Tripolitânia, a parte oeste da Líbia, ficou por pouco tempo nas mãos dos normândios da Sicília (1146-1159). Na Idade Média, houve extensivo comércio entre Tripolitânia e a Europa. Entre 1510 e 1551, a Espanha dominou Trípoli. Em 1911, a Itália colonizou a Líbia; cerca de 150 mil italianos se mudaram para o país, formando 20% da população. Isso significou o retorno do cristianismo e da Igreja Católica Romana. O trabalho de algumas missões protestantes também podia ser feito. A partir de 1943, o Reino Unido dominou a Líbia até o país se tornar independente, em 1951. Devido às ricas reservas de petróleo, muitos estrangeiros, inclusive cristãos europeus, americanos e africanos, foram trabalhar na Líbia. Os cristãos podiam cultuar livremente. 

Em 1970, Muanmar Kadafi deu um golpe de Estado e conduziu o país em uma direção extremista. Muitas igrejas foram forçadas a fechar. Em 2011, Kadafi foi assassinado depois que uma sangrenta guerra civil começou. Desde então, a situação política na Líbia é caótica e perigosa. 

Antes de a guerra civil começar, em 2011, havia cerca de 800 mil católicos romanos, majoritariamente italianos e líbios malteses. Eles só tinham permissão para usar uma igreja em Trípoli (datada de 1645) e uma em Benghazi (datada de 1858). Antes de 2011, cerca de 60 mil coptas ortodoxos egípcios trabalhavam na Líbia, servidos por três igrejas: em Trípoli, Benghazi e Misrata. Além disso, milhares de estrangeiros protestantes, principalmente da África, conduziam cultos em igrejas mais ou menos formais. Devido à revolução, a situação de segurança se deteriorou muito. Quando o Estado Islâmico decapitou 21 cristãos coptas perto de Sirte, em 2015, um grande número de cristãos fugiu do país. A situação permanece muito volátil, sobretudo para os cristãos líbios nativos. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As pequenas comunidades cristãs consistem quase que exclusivamente de imigrantes subsaarianos e alguns do Egito. Eles têm permissão para ter suas próprias igrejas, mas os líbios não podem participar. Sob o governo déspota de Muanmar Kadafi, a situação para os cristãos na Líbia já era extremamente difícil. Cristãos estrangeiros que moram no país desfrutam de certa liberdade, mas africanos não árabes nativos enfrentam dupla perseguição — baseada na raça e na religião.    

O pequeno grupo de líbios que são cristãos mantém a fé em segredo. Líbios são proibidos de participar de cultos em igrejas oficiais. O número de cristãos ex-muçulmanos é muito baixo, mas com o surgimento de programas de TV cristãos via satélite e sites cristãos em árabe, o interesse no cristianismo tem aumentado. Como na maioria dos países muçulmanos, a conversão causa pressão social e familiar. A maioria dos cristãos líbios tem medo de se encontrar com outros cristãos, visto que qualquer forma de agrupamento religioso, que não seja islâmico, é proibida para os líbios. 

O desemprego na Líbia atinge 42% dos jovens

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