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Líbia

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Líbia
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado
  • Capital: Trípoli
  • Região: Norte da África
  • Líder: Abdul Hamid Dbeibeh
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo, cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo e outras
  • Idioma: Árabe, italiano, inglês e bérbere
  • Pontuação: 91


POPULAÇÃO
6,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
34,6 MIL

Como é a perseguição aos cristãos na Líbia? 

Quando uma pessoa na Líbia deixa o islamismo para seguir a Cristo, enfrenta uma imensa pressão por parte da família para renunciar à fé. Seus vizinhos e todo o resto da comunidade a isolam e ela pode ser deixada sozinha, sem casa e emprego. Se um cristão líbio compartilha sua fé com mais alguém, provavelmente será denunciado, preso e enfrentará punições violentas. O país não tem um governo central, então as leis não são aplicadas de forma uniforme, deixando cristãos em perigo evidente e risco de perseguição pública. Sequestros e execuções são sempre uma possibilidade para cristãos. Para estar seguro, um cristão na Líbia deve ser um cristão secreto. 

A partida dele é muito dolorosa para todos nós, mas a única coisa que nos conforta é que ele não renunciou à fé e a manteve até o último suspiro. Ele foi martirizado em nome de Jesus Cristo. Nós todos estamos orgulhosos dele e muito felizes. Ele foi para um lugar melhor no céu desfrutar da presença do Senhor Jesus Cristo. 

Tio de Romanyque foi morto na Líbia por amor a Jesus 

O que mudou este ano? 

Infelizmente, a situação na Líbia permanece a mesma dos últimos anos. Isso se dá em grande parte devido à falta de um governo central que quebre o ciclo dos conflitos armados no país. A perseguição sistêmica de qualquer um que deixa o islamismo é tolerada e esperada na sociedade líbia. A falta de proteção legal e a mudança nas leis de posse de propriedade significam até mesmo que congregações expatriadas “aprovadas”, que se encontravam em um local há décadas, de repente sejam despejadas porque o novo dono quer usar a propriedade. 

Quem persegue os cristãos na Líbia? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Líbia são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Líbia são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, grupos paramilitares, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos, partidos políticos, redes criminosas.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Líbia? 

Cristãos são vulneráveis em toda a Líbia, tanto os que vivem no paíscomo os que estão de passagem a trabalho ou aqueles que tentam chegar à Europa para começar uma nova vida. Grupos extremistas estabeleceram pontos de controle em áreas específicas do país. Cristãos migrantes de outras regiões da África são frequentemente mantidos em centros de detenção superlotados na capital. Em alguns casos, cristãos que são presos são entregues diretamente a grupos criminosos ou traficantes de pessoas e forçados ao trabalho agrícola intensivo ou à prostituição. 

Como as mulheres são perseguidas na Líbia? 

Mulheres líbias, como um todo, vivem vidas isoladas sob controle familiar rígido. Devido às tradições tribais relacionadas à lei islâmica, elas têm uma posição inferior à dos homens na vida familiar. Por causa disso, é extremamente difícil para mulheres cristãs ex-muçulmanas receberem materiais religiosos ou se encontrarem com outros cristãos. Se uma mulher é suspeita de estar interessada em Jesus, pode enfrentar prisão domiciliar, abuso sexual, casamento forçado e até mesmo a chamada morte honrosa. A cultura de honra e vergonha da Líbia mantém altos padrões para meninas e mulheres relacionados a sexualidade, vestimenta e comportamento. Não manter esse nível traz vergonha para toda a família. Se uma menina ou mulher experimenta violência sexual  às vezes como forma de punição  o responsável pelo ataque muitas vezes não é acusado, já que o testemunho de uma mulher não tem o mesmo peso que o de um homem no tribunal.  

Como os homens são perseguidos na Líbia? 

Homens líbios enfrentam riscos maiores de violência física por causa do atual ciclo de ataques. Se um homem líbio se torna cristão, enfrenta desafios adicionais, como perda de emprego, abuso físico e mental e até perda de comunicação com a família. Como os homens são provedores da família, o estresse de não conseguir cumprir seu papel devido à perseguição pode causar estresse psicológico. A menos que toda a família se converta, os riscos para homens cristãos são muitos, até para formar pequenos grupos de comunhão.   

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Líbia? 

Portas Abertas trabalha com parceiros e igrejas no Norte da África para promover campanhas de oração, além de oferecer treinamento e literatura cristãos e buscar justiça para os cristãos. Apoio direto aos cristãos perseguidos por meio de assistência a empregos e provisão de necessidades práticas também são importantes. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Líbia? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio a cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente

Pedidos de oração da Líbia 

  • Ore pelos cristãos que devem manter a fé em Jesus em segredo ou enfrentar possíveis prisões e até mesmo escravidão. Peça a Deus para dar a eles tempos calorosos de comunhão com ele. 
  • Peça a Deus para trazer estabilidade para a Líbia por meio de um governo que se esforça para cumprir a lei e tornar a nação um lugar melhor. Deus mantém o coração dos reis em suas mãos. 
  • Apresente os parceiros locais da Portas Abertas enquanto buscam cuidadosamente cristãos em uma sociedade em que a pergunta errada para a pessoa errada pode gerar problemas. Peça por sabedoria, graça e proteção para eles enquanto ajudam os cristãos de lá. 

Um clamor pela Líbia 

Paimesmo com a ameaça de perigo iminente, pessoas continuam se entregando ao Senhor na Líbia. Por favor, coloque-as em suas mãos e as cubra com sua proteção. Leve-as para mais perto do Senhor e eleve seus corações. Ajude os parceiros locais a identificar e interagir de forma segura com cristãos que precisam de ajuda. Leve uma mudança na condição da Líbia por meio de um governo forte justo, além de proteção para pessoas de todas as fés. Em nome de Jesus. Amém. 

Antes de se tornar independente em 1951, a Líbia havia sido governada pelos romanos, dinastias islâmicas pré-otomanas, otomanos e italianos. Em 1969, um jovem oficial do exército chamado Muanmar Kadafi teve êxito em dar um golpe e se tornou o homem forte da Líbia até ser derrubado na revolução de 2011. Desde então, a tentativa de formar um governo central tem falhado democraticamente e o país se dividiu entre vários grupos com altos níveis de violência e falta de lei. 

O regime do coronel Kadafi foi derrubado em 2011 por protestos populares e com o apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), organização militar composta por 29 países formada em 1949. A guerra civil causou a morte de pelo menos 30 mil líbios, de acordo com estimativas do Conselho Nacional de Transição (NTC) da Líbia. 

Durante as revoltas de 2011, Kadafi foi retirado do poder sem uma clara ideia de como o futuro seria. O NTC assumiu o governo em fevereiro de 2011. Em 7 de julho de 2012, os líbios votaram nas primeiras eleições parlamentares desde o fim do governo de Kadafi. A nova assembleia teve a tarefa de redigir uma nova Constituição da Líbia para ser aprovada em um referendo geral. 

Embora esses desenvolvimentos tenham sido considerados avanços democráticos notáveis, devido à escalada de conflitos entre as várias forças que combateram Kadafi, o país já alcançou uma situação de guerra civil. Em termos gerais, a guerra coloca uma coalizão de grupos tribais e nacionalistas armados, com sede no Leste do país, contra grupos militantes radicais islâmicos e uma mistura de militantes tribais e regionais baseados na parte ocidental do país. 

De um lado da guerra civil, há as forças do Leste que lançaram uma campanha militar chamada Operação Dignidade, que também serve como designação popular para as forças do Leste, e é liderada pelo general Khalifa Haftar. Essa campanha militar é sancionada pela Câmara dos Deputados eleita em 2014. Embora a Câmara dos Deputados tenha desfrutado do reconhecimento da ONU e da maior parte da comunidade internacional desde 2014, ela foi expulsa da capital por facções rivais e forçada a se refugiar no Leste da Líbia, na cidade de Tobruque. A Operação Dignidade recebe substancial apoio material e diplomático do Egito, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que consideram todas as forças em ascensão do islamismo militante na Líbia como uma ameaça à estabilidade da região. 

Do outro lado da guerra civil, está em cena desde 2016 o chamado Governo de Acordo Nacional (GNA). No início de 2016, a ONU facilitou um processo de negociação que levou à formação desse novo governo de unidade. Ele levou alguns meses até chegar a Trípoli e assumir o controle da capital. O GNA ainda não conseguiu garantir a aprovação do parlamento que se baseia em Tobruque, mas teve sucesso considerável em sua campanha militar contra o Estado Islâmico. Forças leais ao GNA retomaram a cidade de Sirte em 2016, que tinha sido a fortaleza dos militantes do Estado Islâmico na Líbia. O GNA tem o apoio formal da ONU. 

Um terceiro grupo é formado por uma coalizão de forças composta em grande parte por islâmicos radicais, com vários níveis de extremismo, que opera sob o nome de Libya Dawn. Muitos desses integrantes saíram do processo de transição democrática legal devido à frustração com seu fraco desempenho nas eleições parlamentares de junho de 2014. Eles criaram o próprio parlamento e governo rival em Trípoli. As forças do Amanhecer Líbio aproveitam o apoio do Catar e da Turquia. Integrantes dessa coalizão juraram fidelidade ao Estado Islâmico e executaram os ataques mais desprezíveis contra os cristãos estrangeiros na Líbia por meio de decapitações. 

O presidente da França, Emmanuel Macron, conseguiu juntar os principais antagonistas em uma cúpula em Paris em maio de 2018. Quatro das principais partes envolvidas no conflito concordaram com um roteiro que levaria à resolução do conflito e a eleições nacionais em dezembro de 2018. Os participantes foram o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj (chefe do governo de unidade apoiado pela ONU com sede em Trípoli), Khalifa Haftar (o homem militar que comanda o Exército Nacional da Líbia que domina o Leste do país), Aguila Saleh Issa (o porta-voz do parlamento baseado na cidade oriental de Tobruque, que se opõe à administração apoiada pela ONU) e Khalid al-Mishri (chefe do Alto Conselho de Estado).  

O encontro foi considerado um sucesso, visto que os partidos envolvidos no conflito concordaram verbalmente com um acordo de paz. No entanto, o acordo parece ser muito tênue e ainda há grupos militantes que não foram incluídos no encontro que poderiam impedir a implementação. Em novembro de 2018, o enviado especial da ONU declarou que um fórum especial seria realizado no começo de 2019 para organizar eleições presidenciais e parlamentares na primavera de 2019. Após um repentino aumento da violência em setembro de 2018, ele acusou os partidos envolvidos de deliberadamente adiar a votação para servir a seus próprios interesses.  

A ONU planejava que o fórum fosse realizado entre 14 e 16 de abril de 2019 na cidade de Ghadamis. No entanto, em 4 de abril de 2019, o general Khalifa Haftar ordenou seu Exército Nacional Líbio a marchar sobre Trípoli. Em resposta, o GNA se uniu ao Amanhecer Líbio, que disse estar disposto a defender a cidade a todo custo. Em semanas, o combate tinha matado mais de 500 pessoas e desalojado outras 75 mil. Embora no passado tenha havido confrontos internos e divisão, desde o lançamento da campanha militar de Haftar, em abril de 2019, tanto o Leste quanto o Oeste parecem unidos um contra o outro, com o enviado especial da ONU alertando que isso poderia levar a uma “guerra longa e sangrenta”. 

A comunidade internacional está dividida sobre qual lado apoiar: enquanto o GNA ainda tem o apoio da ONU e da União Europeia, outros, como a França, apoiam Haftar. Várias conversas com diferentes atores internacionais têm sido realizadas desde então, mas não levaram a nenhum progresso significativo. Enquanto o GNA mantém que somente as eleições podem trazer uma solução política, Haftar permanece comprometido com uma solução militar. A Alemanha tentou reunir todos os lados no final de 2019 para a Conferência de Berlim, mas teve que adiar a reunião sem estabelecer uma nova data. 

Em março de 2021, o Fórum de Diálogo Político da Líbia (LPDF, da sigla em inglês) elegeu Abdul Hamid Mohammed Dbeibah como primeiro-ministro do novo Governo de Unidade Nacional (GNU, da sigla do inglês). O principal objetivo do líder eleito era organizar eleições presidenciais e parlamentares em dezembro de 2021. Porém, as divisões internas da LPDF e as acusações de suborno adiaram as eleições, sem data definida. 

A posição de Haftar nesse processo não está clara, mas ele perdeu apoio internacional após a derrota em Trípoli para Dbeibah. O Exército Nacional Líbio (LNA, da sigla em inglês), sob a liderança marechal Haftar, é aprovado por mercenários russos, que estão preparados para a guerra. Além disso, a Turquia continua fortalecendo a presença de militares turcos no país, mesmo com a extinção do LNA. Portanto, o futuro político da Líbia permanece incerto. Mesmo se as eleições forem realizadas, não deverão ser livres e confiáveis e podem causar mais ondas de violência. Se uma solução política for encontrada, consistirá em um acordo de compartilhamento de poder e riqueza entre os partidos. Logo, os problemas com corrupção dos parlamentares devem continuar.  

Cristãos na Líbia 

Antes de queda Kadafi em 2011, muitos cristãos coptas do Egito viviam e trabalhavam no país. Mas, desde o início da guerra civil, a maioria deles voltou para o país de origem. Isso aconteceu após a decapitação de 21 cristãos coptas em fevereiro de 2015, seguida pelo assassinato de 30 cristãos etíopes em abril de 2015. A Igreja Ortodoxa Copta canonizou as 21 vítimas coptas, declarou 15 de fevereiro um dia de festa oficial e erigiu um memorial e um museu em homenagem às vítimas.  

Apesar dos riscos de perseguição, os imigrantes cristãos da África Subsaariana continuam indo para a Líbia na esperança de chegar à Europa. A Anistia Internacional (AI) escreveu em 2015 que “as minorias religiosas, em particular os migrantes e refugiados cristãos, correm o maior risco de abusos, incluindo sequestros, tortura e outros maus-tratos e homicídios de grupos armados que buscam impor sua própria interpretação da lei islâmica e têm sido responsáveis ??por graves violações dos direitos humanos. Eles também enfrentam discriminação generalizada e perseguição de seus empregadores, grupos criminosos e em centros de detenção de imigração”.  

Embora relatórios posteriores da Anistia Internacional e do Mixed Migrant Center não mencionem que os cristãos na Líbia estão em risco, o Departamento de Estado dos EUA em seu relatório IRFR 2020 escreve: “Grupos armados fornecem segurança e administram alguns centros de detenção para migrantes e refugiados no país, onde os cristãos disseram que enfrentam um risco maior de agressão física, incluindo agressão sexual, do que outros migrantes e refugiados. Um grupo cristão no país fez vários relatos de uma seção dentro do centro de detenção administrado pela Força Especial de Dissuasão (SDF, da sigla em inglês) na Base Aérea de Mitiga, onde detidos que eram cristãos ex-muçulmanos, ‘livres-pensadores’ ou críticos do islã foram concentrados. Alguns detidos nessa seção foram supostamente submetidos a tortura”. 

Além disso, a Global Initiative Against Transnational Organized Crime escreveu no relatório de fevereiro de 2020: “Os migrantes cristãos enfrentaram maiores níveis de risco no Norte da África, particularmente na Líbia. Migrantes que viajam ao longo das rotas para a Líbia e Argélia também relataram que os migrantes muçulmanos recebem melhor tratamento de contrabandistas muçulmanos e têm uma chance melhor de garantir emprego nos países muçulmanos”.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Com a desordem do país e do sistema judicial, o Middle East Concern reporta: “A Constituição Interina da Líbia de 2011 estabelece o islã como a religião do Estado e a lei islâmica como a principal fonte de legislação. A Constituição afirma que não há discriminação baseada em religião entre os líbios e prevê que não muçulmanos têm liberdade para praticar seus ritos religiosos, embora na prática o quadro legal não contenha nenhuma proteção detalhada à liberdade religiosa. A Assembleia Constitucional de Elaboração, que começou a trabalhar em uma nova Constituição em 2014, recomendou que o status da lei islâmica seja fortalecido como a única fonte de legislação e que as nomeações importantes sejam restritas aos muçulmanos. A nova Constituição foi finalizada em julho de 2017, mas ainda não foi adotada, bem como um referendo sobre a Constituição ainda não foi realizado, em parte devido à contínua crise política e de segurança na Líbia, que minou severamente o Estado de direito. Todos os líbios são considerados muçulmanos, sem margem para mudar de religião. Assuntos de status pessoal são determinados de acordo com a lei islâmica. O Código Penal prescreve punições severas por ataques ou insultos contra a religião”. 

O Human Rights Watch relata: “O conflito de quinze meses entre grupos armados no Leste e no Oeste da Líbia terminou em junho de 2020 e deixou centenas de civis mortos e desaparecidos e milhares deslocados. Em março de 2021, os delegados líbios nomearam um Governo de Unidade Nacional como a nova autoridade provisória destinada a substituir os oponentes anteriores. Os grupos armados e as autoridades permaneceram responsáveis por abusos sistemáticos, incluindo milhares de detidos em prisões arbitrárias de longo prazo, homicídios ilegais, tortura e desaparecimentos forçados. Migrantes, requerentes de asilo e refugiados na Líbia enfrentaram detenção arbitrária, maus-tratos, agressão sexual, trabalho forçado e extorsão por grupos armados ligados às autoridades de Trípoli, grupos armados e contrabandistas”. 

O Economist Intelligence Unit escreve: “A Líbia ocupa a 17ª posição (de 178 países) com uma pontuação de 97 pontos no Financial States Index (FSI), queda de três lugares em comparação com a edição 2020 (pontuação: 95,2). Os indicadores políticos do FSI mostram que a Líbia continua a ter dificuldades com a legitimidade do Estado e a intervenção externa. Uma solução política para acabar com a guerra civil parece distante, até porque os atores internacionais continuam a financiar seus aliados políticos em ambos os lados do conflito. A Turquia e o Catar apoiam grupos islâmicos ligados ao Libya Dawn, enquanto os Emirados Árabes Unidos, a Rússia e o Egito apoiam ativamente o LNA de Haftar”.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com estimativas de 2021 do World Christian Database, 98,9% dos líbios são muçulmanos, virtualmente todos pertencendo ao islamismo sunita. A etnia minoritária bérbere (amazigh) conta com alguns muçulmanos ibadi e há pequenas comunidades cristãs entre os migrantes egípcios e da África Subsaariana. Quase todos os não muçulmanos são estrangeiros, conforme o número de líbios cristãos ex-muçulmanos continua muito baixo. 

O domínio do islã recebe explícito reconhecimento constitucional (Art.5, Constituição de 1951), enquanto as antigas raízes do cristianismo na Líbia foram quase completamente apagadas. A Declaração Constitucional Transitória de 2011 deixa claro que nada mudou nesse sentido. O primeiro artigo declara que o “islamismo deve ser a religião e a sharia deve ser a principal fonte de legislação”. “O Estado deve garantir aos não muçulmanos a liberdade de praticar seus rituais religiosos”, mas deixar o islã é amplamente entendido como impossível sob a sharia. A liberdade de religião e crença dos cristãos ex-muçulmanos não é garantida sob a Constituição. 

A sharia é aplicada em todo o país. O conflito militar na Líbia ajudou a influência do pensamento islâmico radical a crescer. Grupos militantes islâmicos ganharam território na anarquia criada pela guerra civil e várias áreas agora são o lar de muçulmanos radicais, com muitos simpatizantes do Estado Islâmico e da Al-Qaeda. O estado contínuo de anarquia tem contribuído para a vulnerabilidade geral dos cristãos no país. Em outras áreas, grupos tribais locais reforçam a própria versão da sharia. Portanto, níveis de radicalismo islâmico diferem de região para região, com alguns grupos mais estritos ou mais violentos do que outros. 

Apesar do crescimento no radicalismo, um relatório de 2019 encomendado pela BBC descobriu que principalmente na Líbia o número de pessoas se identificando como não religiosas, provavelmente por ser entendido como “não praticantes”, cresceu de 12% para 27% nos últimos cinco anos. No entanto, o relatório foi criticado por usar terminologia confusa nas perguntas, levando a resultados questionáveis.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

Devido à crise política em curso, a contração da economia líbia em 2020 foi estimada em cerca de 31% no geral. Isso exacerbou os efeitos do conflito de longa duração sobre as condições sociais e aumentou a pobreza no país. No entanto, o cessar-fogo e o reinício da produção de petróleo em outubro de 2020 deixaram os especialistas otimistas em relação à recuperação econômica do país. O crescimento do PIB estava previsto em 67% em 2021 em termos reais. No entanto, a divisão política e econômica do país tem raízes complexas e influências internacionais concorrentes.  

Os líbios também são cada vez mais afetados pela pandemia de COVID-19. Com o relaxamento das medidas de contenção, a disseminação do vírus acelerou. No final de janeiro de 2021, havia 118.632 casos confirmados e 1.877 mortes notificadas devido à COVID-19. Esse problema provavelmente está sub-notificado e agravado por um setor de saúde incapacitado. Mais de uma em cada três unidades de saúde em Benghazi e uma em cada seis em Trípoli foram danificadas ou destruídas e quase 20% foram fechadas. Os centros de saúde que restaram enfrentam falta de medicamentos e suprimentos, bem como perda de profissionais de saúde, muitos dos quais eram do exterior e fugiram em meio à violência.  

A economia da Líbia é fortemente dependente da exportação de petróleo e a guerra civil em curso causou destruição generalizada e o rompimento das exportações. No entanto, a exportação de petróleo vem se recuperando desde 2017. O Produto Interno Bruto (PIB) da Líbia caiu de 82 bilhões em 2012 para 48 bilhões em 2018, crescendo um pouco em relação à baixa de 26 bilhões em 2016. A alta da inflação fez com que os líbios perdessem 80% do poder de compra nos últimos quatro anos, levando muitos à pobreza. De acordo com estatísticas do Banco Mundial de setembro de 2019, o desemprego médio é de cerca de 18,6%, com o desemprego entre os jovens sendo mais de duas vezes mais alto, 49,5%. 

Grandes quantidades de dinheiro são gastas em armamentos pelos vários lados do conflito e a violência causou destruição. Apesar de contar com fatores como relativamente baixa população e as maiores reservas de petróleo no continente africano, que podem criar um país rico, levará muitos anos para reconstruir a economia da Líbia. Indicadores econômicos do Fragile States Index revelam que a situação econômica da Líbia não está mais piorando, mas é ameaçada pelos altos níveis de intervenção internacional.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A Líbia é um dos maiores países da África com uma pequena população, tornando-o um dos países menos populosos da Terra. A vasta área do país faz parte do inabitável deserto do Saara, com a maioria da população vivendo na parte costeira do Norte do país, que é a parte fértil. A maioria dos líbios (97%) é de ascendência árabe ou bérbere. Os jovens com até 24 anos representam mais de 40% da população, tornando-o outro país africano com uma população jovem necessitando de oportunidades econômicas. Os imigrantes representam 12% da população total. 

Um relatório da Anistia Internacional, publicado em março de 2019, mostra que a situação piorou, com muitos migrantes sendo enviados de volta à Líbia após serem interceptados no mar enquanto tentavam chegar à Europa. 

A sociedade da Líbia é conservadora e tribal. A conversão do islamismo para o cristianismo não é apenas vista como traição ao islamismo, mas também à família e à tribo. No que diz respeito à etnia e ao racismo, os migrantes dos países subsaarianos são ferozmente discriminados. 

A guerra civil em curso testifica a profundamente conservadora e tribal cultura líbia, na qual a lealdade primária reside na família, no clã e na tribo. As cidades de Trípoli, Misrata, Ben Ghazi e Bayda têm suas próprias milícias tribais. Com mais de 30 grupos tribais diferentes, a Líbia luta para encontrar um novo equilíbrio de poder, com os indicadores sociais do Fragile States Index mostrando que o estresse no tecido social também vem de um grande número de pessoas deslocadas internamente e refugiados que entram na Líbia.  

Os números atuais do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostram a expectativa de vida em 72,7 anos, com 12,8 anos de escolaridade esperada. A taxa de alfabetização na Líbia atingiu 89,9%, sendo o analfabetismo principalmente problemático entre mulheres idosas. Antes da guerra civil, os serviços sociais eram subsidiados pelo Estado, enquanto a educação era obrigatória e gratuita sob o domínio de Kadafi; mas isso acabou. 

O primeiro bispo de que se tem registro foi Ammonas de Berenice (260 d.C). Quatro bispos dessa região participaram do Conselho de Niceia (325 d.C). Nesse Conselho, Cirenaica se tornou uma província da Igreja Copta de Alexandria, no Egito. Arius e Sabellius, dois teólogos lembrados como hereges, eram de Cirenaica. 

O cristianismo permaneceu basicamente uma questão latina e grega em Cirenaica; os bérberes do Saara (imazighen) não estavam interessados. O declínio do Império Romano, apressado pela invasão dos vândalos, viu as cidades e a ordem política e social romana virarem ruínas. O Império Bizantino voltou a viver na região no século 6, mas as cidades de Cirenaica se tornaram como campos armados para evitar ataques imazighen. No começo do século 7, o controle bizantino da região era fraco, rebeliões bérberes se tornaram mais frequentes e havia poucos para se opor à visão dos árabes muçulmanos de 681 a 683 d.C. Em Cirenaica, cristãos coptas que eram tratados como hereges pelos exércitos bizantinos receberam os árabes como libertadores da opressão bizantina. Quando o processo de islamização começou, muitos dos cristãos emigraram para a segurança da Itália ou do Egito. As tribos amazigh gradualmente aceitaram o islã. 

Tripolitânia, a parte oeste da Líbia, ficou por pouco tempo nas mãos dos normândios da Sicília (1146-1159). Na Idade Média, houve extensivo comércio entre Tripolitânia e a Europa. Entre 1510 e 1551, a Espanha dominou Trípoli. Em 1911, a Itália colonizou a Líbia; cerca de 150 mil italianos se mudaram para o país, formando 20% da população. Isso significou o retorno do cristianismo e da Igreja Católica Romana. O trabalho de algumas missões protestantes também podia ser feito. A partir de 1943, o Reino Unido dominou a Líbia até o país se tornar independente, em 1951. Devido às ricas reservas de petróleo, muitos estrangeiros, inclusive cristãos europeus, americanos e africanos, foram trabalhar na Líbia. Os cristãos podiam cultuar livremente. 

Em 1970, Muanmar Kadafi deu um golpe de Estado e conduziu o país em uma direção extremista. Muitas igrejas foram forçadas a fechar. Em 2011, Kadafi foi assassinado depois que uma sangrenta guerra civil começou. Desde então, a situação política na Líbia é caótica e perigosa. 

Antes de a guerra civil começar, em 2011, havia cerca de 800 mil católicos romanos, majoritariamente italianos e líbios malteses. Eles só tinham permissão para usar uma igreja em Trípoli (datada de 1645) e uma em Benghazi (datada de 1858). Antes de 2011, cerca de 60 mil coptas ortodoxos egípcios trabalhavam na Líbia, servidos por três igrejas: em Trípoli, Benghazi e Misrata. Além disso, milhares de estrangeiros protestantes, principalmente da África, conduziam cultos em igrejas mais ou menos formais. Devido à revolução, a situação de segurança se deteriorou muito. Quando o Estado Islâmico decapitou 21 cristãos coptas perto de Sirte, em 2015, um grande número de cristãos fugiu do país. A situação permanece muito volátil, sobretudo para os cristãos líbios nativos. 

Quase todos os cristãos expatriados deixaram o país e o principal grupo de cristãos atualmente consiste em migrantes subsaarianos e alguns coptas egípcios. Trabalhadores migrantes cristãos (a maioria deles vindos da África Subsaariana e alguns do Egito) têm permissão para se reunir nas próprias igrejas, mas os líbios não têm permissão para comparecer.  

Embora desfrutem de mais liberdade do que os convertidos do islã, eles são ameaçados de sequestro e outras formas de abuso. Os cristãos da África Subsaariana são duplamente vulneráveis ??à perseguição e discriminação com base na raça e religião. Os migrantes cristãos que viajam pela Líbia descrevem a jornada como um inferno e estão sujeitos a formas de abuso severo.  

Por causa das divisões internas, os migrantes são transferidos de um grupo de traficantes de pessoas para outro na jornada para chegar à costa. Cada grupo de traficantes de pessoas tenta extorquir o máximo de dinheiro possível dos migrantes e — para fins de resgate — são conhecidos até mesmo por enviar à família de um migrante vídeos de torturas sendo praticadas.  

A maioria das mulheres migrantes é vítima de abuso sexual por parte dos traficantes; elas não podem recusar, pois são ameaçadas de serem deixadas para trás. Enquanto esperam para serem transportados e entregues a outro grupo de traficantes, os migrantes são mantidos em campos temporários.  

As condições gerais nesses locais são terríveis e muitos viajantes não sobrevivem à jornada. Um migrante cristão relata a total falta de segurança: “Nunca se dorme de olhos fechados”. Quando finalmente chegam à área costeira, muitas vezes precisam encontrar maneiras de arrecadar dinheiro adicional para pagar a travessia do Mar Mediterrâneo para chegar à Europa. Os traficantes colocam o maior número possível de migrantes em barcos, muitas vezes impróprios para navegar, colocando em risco a vida de todos.  

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