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Mianmar

MM
República da União de Mianmar
  • Tipo de Perseguição: Nacionalismo religioso, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado
  • Capital: Nay Pyi Taw
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Min Aung Hlaing
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Budismo, cristianismo, islamismo, animismo e hinduísmo
  • Idioma: Birmanês
  • Pontuação: 79


POPULAÇÃO
55,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
4,4 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Mianmar? 

Os cristãos que abandonam a fé dos antepassados para seguir a Jesus são perseguidos tanto pela família como por comunidades budistas, muçulmanas ou tribais. Os povoados que desejam permanecer 100% budistas não permitem que os cristãos usem os recursos hídricos da vizinhança. 

Os seguidores de Jesus que vivem em áreas rurais do país ou evangelizam enfrentam oposição. A situação dos cristãos ficou mais tensa após o golpe militar em 2021, pois há monges budistas radicais que apoiam o novo governo. Isso pode tornar o novo regime tão brutal para os cristãos como foram os anteriores. 

Em um vilarejo remoto, um pastor lidera uma pequena igreja. Não há soldados ou policiais na aldeia, então todas as noites acontecem reuniões de oração regulares. Porém, o chefe da aldeia foi convidado a recrutar 30 homens para o exército. Agora, os cristãos, incluindo o pastor, estão escondidos na floresta e o culto foi suspenso.” 

Lwin (pseudônimo)parceiro da Portas Abertas em Mianmar 

O que mudou este ano? 

Após o golpe militar em fevereiro de 2021, os combates continuaram em estados de maioria cristã como Kachin, Karen e ao norte de Shan. No estado de Chin, igrejas foram destruídas e cristãos mortos.  

Centenas de seguidores de Jesus foram expulsos das regiões onde moravam e agora vivem em campos de deslocados. Lá, eles não têm acesso a alimentos e cuidados de saúde.  

Alguns cristãos estão envolvidos no Movimento de Desobediência Civil (MDL). De maneira pacífica, eles se opõem ao regime militar, mas enfrentam ataques violentos do governo atual. 

Quem persegue os cristãos em Mianmar 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Mianmar são: nacionalismo religioso, paranoia ditatorial, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado. 

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Mianmar são: oficiais do governo, líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, grupos de pressão ideológica, parentes, partidos políticos, cidadãos e quadrilhas, líderes de grupos étnicos, grupos paramilitares, redes criminosas. 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Mianmar? 

Os conflitos que surgiram durante o golpe militar colocaram todos os cristãos em perigo. Enquanto os ex-budistas enfrentam a perseguição da comunidade e do governo, os cristãos que pertencem a grupos étnicos são alvos da junta militar que controla Mianmar. 

Como as mulheres são perseguidas em Mianmar? 

As mulheres e meninas cristãs são vistas como cidadãs de segunda classe e não têm a mesma proteção legal e os direitos da maioria budista. De acordo com a Lei sobre o Casamento Especial para Mulheres Budistas de 2015, um marido não budista deve respeitar a prática budista da esposa. Mas essa lei não se aplica para cristãos.  

Por isso, as mulheres cristãs casadas com homens de outra fé são pressionadas a seguir a religião do marido e podem ser obrigadas a se divorciar, sair de casa e perder a custódia dos filhos. Já as jovens e mulheres ex-budistas são mais vulneráveis à prisão domiciliar, o que restringe o acesso à comunhão cristã. 

Como os homens são perseguidos em Mianmar? 

Os homens cristãos costumam ser alvos de recrutamento para milícias, como o Exército da Independência de Kachin. Os que servem as Forças Armadas também encontram muitas dificuldades em praticar a fé. O exército de Mianmar, por exemplo, impõe trabalho forçado aos cristãos para impedi-los de frequentar os cultos dominicais e ter acesso à comunidade cristã. Agora que os militares assumiram o controle de Mianmar, essa hostilidade deve se intensificar. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Mianmar? 

Por meio de parceiros locais, a Portas Abertas fortalece os cristãos perseguidos em Mianmar por meio da distribuição de literatura cristã, discipulado, treinamentos para liderança e ajuda socioeconômica.  

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Mianmar? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente.  


Pedidos de oração de Mianmar 

  • Interceda para que Deus toque o coração dos líderes militares de Mianmar e lhes  o desejo de trabalhar pela paz e pela reconciliação. 
  • Ore para que a igreja local esteja em constante oração por Mianmar. Que Deus fortaleça e reanime cada cristão abatido pelos conflitos políticos. 
  • Louve ao Senhor pelo treinamento de preparação para a perseguição que os parceiros da Portas Abertas realizaram. Agradeça a Deus pelos participantes que foram encorajados a lembrar sempre da paternidade de Deus. 

Um clamor por Mianmar 

Senhor, pedimos provisão para os cristãos ex-budistas, que eles sejam impactados pelo seu amor e cuidado paterno. Oramos também por aqueles que fazem parte de grupos étnicos e estão em risco por causa do golpe militar. Proteja-os e ajude-os a buscar Cristo com liberdade e fé. Em nome de Jesus. Amém.

Em 1948, Mianmar tornou-se independente da Grã-Bretanha. De 1962 a 2011, o país foi governado por uma junta militar opressiva. Começou então um processo gradual de democratização, notadamente visível nas eleições ganhas pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, em novembro de 2015.  

A líder foi reeleita em novembro de 2020 com 80% dos votos. Apesar de mais de um milhão de pessoas ficarem sem votar por questões de segurança, o processo foi considerado livre e justo.  Porém, o exército de Mianmar (também conhecido como Tatmadaw) se opôs ao resultado da eleição e deu um golpe militar em fevereiro de 2021.  

Todas as conversas e discussões com grupos de minorias étnicas sobre o lugar deles no país e uma possível paz foram prejudicadas pelo golpe. Uma punição justa para as atrocidades cometidas e violações dos direitos humanos (incluindo crimes contra a humanidade e até genocídio) é ainda uma ilusão.  

Uma das maiores crises de refugiados de nossos tempos, envolvendo os rohingya, continua sem solução. Bangladesh foi muito afetado e, até agora, nenhum repatriamento de Bangladesh ocorreu, pois os refugiados não receberam nenhuma garantia de segurança e os combates no estado de Rakhine continuam.  

Embora o programa de repatriação original visasse repatriar 150 rohingya por dia, levaria 13 anos para que todos as pessoas, que fugiram em 2017, fossem beneficiadas. E isso não inclui os refugiados anteriores. Por enquanto, muitos da minoria étnica estão presos em Bangladesh. Algumas pessoas foram transferidas de Mianmar para uma ilha remota e sujeita a inundações chamada Bhashan Char. 

O parlamento eleito, que havia sido suspenso, criou um governo interino no exílio (CPRH). Aung San Suu Kyi foi mais uma vez colocada em prisão domiciliar e acusada de vários crimes. Com o passar dos meses, a resistência tomou um rumo mais violento, como pode ser visto na criação das Forças de Defesa do Povo. Esses grupos não são organizados ou coordenados como se poderia esperar, mas causam baixas significativas ao exército de Mianmar. 

Alguns dos grupos armados étnicos decidiram não se juntar à resistência geral contra o exército, apostando que o último está mais disposto a fazer concessões devido à pressão atual. Outra razão é que tanto militares quanto alguns insurgentes étnicos estão envolvidos na produção e transporte de drogas sintéticas, e há muito dinheiro envolvido para permitir que uma guerra civil perturbe esses negócios.  

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) estimou que tais “negócios” em Mianmar arrecadaram mais de US$ 100 bilhões em lucros em 2020 por meio do tráfico de drogas e crimes associados, que é mais do que o PIB de Mianmar e Laos juntos. A exploração de recursos como jade e madeira também é lucrativa, por isso há uma luta para obter o controle de cidades como Hpakant, no estado de Kachin. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Antes do golpe de fevereiro de 2021, a Liga Nacional para a Democracia (NLD, da sigla em inglês) estava no poder e concentrava-se no povo bamar. O processo de paz também não fez nenhum progresso tangível. Apesar disso, as eleições gerais de 8 de novembro de 2020 não foram muito boas para os partidos étnicos, exceto no estado de Rakhine e Shan, e o NLD obteve cerca de 82% de todos os votos.  

No entanto, questões como essas ficaram em segundo plano, embora o regime inicialmente prometesse que a suspensão do governo duraria apenas um ano e, em seguida, novas eleições seriam convocadas. O regime recuou nessa promessa e agora diz que as eleições podem ocorrer em 2023. 

As minorias étnicas são compostas por dezenas de grupos que equivalem a 30% população do país. Muitos deles são cristãos ou contêm grandes grupos cristãos. Aung San Suu Kyi, apesar de todas as suas realizações pessoais, é basicamente considerada um membro da nobreza birmanesa (da etnia bamar) que não está seriamente interessada na situação das minorias étnicas e religiosas, ainda mais desde janeiro de 2020, quando defendeu Mianmar pessoalmente contra a acusação de cometer crimes de guerra no processo perante o Tribunal Internacional de Justiça de Haia. Isso não a poupou da ira dos militares, então ela foi condenada a quatro anos de prisão.  

Os oponentes do golpe formaram o Governo de Unidade Nacional (NUG, da sigla em inglês) e entre os membros estão vários ministros cristãos. O objetivo da resistência é formar uma democracia federal unindo a etnia birmanesa com outras minorias étnicas.  

No período da pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022, os budistas radicais não agiram. Eles estão alinhados ao exército e o apoio é mútuo. No entanto, a Associação Budista de Mianmar enviou sinais para se distanciar do golpe militar, pois vê semelhanças entre o entendimento budista de compaixão (metta) e o Movimento de Desobediência Civil e está pedindo o fim imediato de toda violência.  

Os cristãos estão no meio da luta contínua por todo o país e muitos agora somam-se aos mais de 100 mil seguidores de Jesus em campos de deslocados internos apenas no estado de Kachin. Há mais nos estados de Chin e Shan e campos de deslocados também foram montados nos estados de Karen e Kayah, bem como no exterior. Qualquer solução rápida para essa situação parece improvável. Além disso, com a difícil situação da COVID-19 em todo o país, as condições estão piores para aqueles que moram nos acampamentos lotados, onde falta comida, água potável e medicamentos. 

O governo proíbe qualquer ajuda internacional e nega praticamente todo o acesso à ONU e aos grupos humanitários internacionais. Essas restrições aumentam o risco de abuso, exploração e tráfico de pessoas. Um especialista do país resumiu a situação em Mianmar da seguinte forma: “Mianmar não é mais um lugar seguro para o povo, especialmente para as minorias étnicas, pois testemunhamos o colapso do governo civil, prisões arbitrárias e ataques indiscriminados contra civis pelos militares. Em dez meses, as forças de segurança em Mianmar mataram quase 1.300 pessoas e mais de 10.000 foram detidas arbitrariamente. Os militares praticam violência contra civis e as comunidades estão sendo desarraigadas enquanto milhares fogem da violência e se tornam refugiados nos países vizinhos”.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com as estimativas do World Christian Database 2021, os cristãos representam 8% da população, os budistas 76,3% e os muçulmanos 3,6%. A maioria dos cristãos pertence às minorias étnicas e não à maioria birmanesa (bamar).  

“Associação Patriótica de Mianmar” é o novo nome do grupo extremista Ma Ba Tha e foi fundado em janeiro de 2014 com o objetivo de defender o budismo Theravada contra supostas ameaças. Em primeiro lugar, isso significava ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya, mas os cristãos também são pressionados por monges.  

Em agosto de 2015, antes das primeiras eleições livres e justas, o grupo Ma Ba Tha conseguiu apresentar as “Leis para a Proteção da Raça e Religião”. Essas, visam, em primeiro lugar, ir contra a minoria muçulmana, especialmente os rohingya do estado de Rakhine, que vivem nas fronteiras com Bangladesh. O grupo foi banido, mas reemergiu sob um nome diferente e foi banido novamente em 2018. Entretanto, está muito vivo e alguns locais não apenas ignoram o banimento, mas ainda usam o antigo nome. 

A minoria dos muçulmanos não tem cidadania e a maioria deles habita em campos de deslocados internos ou deixou o país devido à perseguição em curso. Um ataque mortal contra um posto fronteiriço em outubro de 2016, deixando nove mortos e reivindicado por um grupo islâmico radical, levou as autoridades a se tornarem ainda mais ativas contra os muçulmanos.  

O budismo radical visa mais os muçulmanos do que os cristãos, mas relatos dizem que os monges budistas continuam a converter filhos de minorias cristãs ao budismo, atraindo-os para os templos. A pressão e a violência mais fortes vêm do exército, no entanto, onde até a morte de cristãos foi relatada.  

Até agora, a perseguição por monges e grupos budistas radicais não aumentou, no entanto, agora que a maioria dos muçulmanos (rohingya) está fora do país ou está suficientemente intimidada, os budistas radicais podem começar a visar outras minorias com mais intensidade. 

O exército de Mianmar abriu um processo judicial contra o presidente da Convenção Batista de Kachin, Dr. Hkalam Samson, após uma reunião com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele falou sobre a falta de liberdade religiosa em Mianmar. A intimação judicial foi retirada em setembro de 2019.  

A luta contínua com o exército Arakan em Rakhine e no estado de Chin é um lembrete de que o nacionalismo do país não é puramente motivado por razões religiosas, mas também tem fortes conotações étnicas. Os membros do exército Arakan são budistas, mas se opõem ao que consideram o domínio bamar (“birmanês”). Os cristãos no estado de Chin também foram fortemente afetados por esse conflito, mas tudo isso foi abafado pelas batalhas do Tatmadaw com unidades da Força de Defesa do Povo (PDF, da sigla em inglês) em regiões de minorias étnicas e religiosas.    

CENÁRIO ECONÔMICO 

Mianmar é potencialmente um país rico, pois possui vastos recursos naturais, por exemplo, de petróleo e gás, e também de madeira, ouro e jade, que valem bilhões de dólares. Também tem um enorme potencial na exportação de energia renovável por meio do fornecimento de energia hidráulica aos países vizinhos. Porém, a pandemia de COVID-19 interrompeu o próspero desenvolvimento de Mianmar e até o reverteu. O golpe militar e o Movimento de Desobediência Civil (MDL) aceleraram e aprofundaram esse declínio. 

Internamente, os bancos entraram em colapso quando os funcionários deixaram de se juntar ao MDL e as pessoas formaram longas filas para sacar dinheiro. Como resultado, os bancos começaram a ficar sem dinheiro disponível. Os ativistas produziram um boicote contra produtos da China e algumas fábricas de proprietários chineses foram atacadas e destruídas. No entanto, outros investidores, como do Japão e da Coreia do Sul, ainda estão investindo em Mianmar.  

Além disso, o país enfrenta muitos problemas ambientais e o governo irritou sua vizinha, China, parando a construção de uma grande barragem no estado de Kachin, o que era de grande interesse da China. Resta saber se os novos governantes militares levarão o projeto adiante, talvez até usando a força.  

Enquanto isso, o regime militar garantiu que a difícil situação econômica de Mianmar permanecerá administrável, aprovando pesados investimentos chineses na construção de uma usina elétrica movida a gás de 2,5 bilhões de dólares. As razões econômicas parecem superar os temores e reservas de ambos os lados. 

As autoridades militares também dominam alguns setores industriais, como a produção de energia. A exploração madeireira também é gerida pelo Exército por meio de parcerias privadas e canais ilícitos. A madeira está localizada principalmente em territórios étnicos e, como a exploração madeireira não foi realizada de forma sustentável, os estoques estão diminuindo. Mas ainda é uma importante fonte de renda, tanto para o Exército como para os insurgentes étnicos. Jade é outra mercadoria que o exército explora, pois é um negócio multimilionário, já que está em alta demanda, especialmente na China. Se os assentamentos cristãos estiverem no caminho, uma vez que pertencem às minorias étnicas, eles simplesmente serão perseguidos sem ninguém se importar. 

Os perigos da mineração de jade voltaram à memória pública quando mais de 200 mineiros de jade foram mortos por um deslizamento de terra em julho de 2020. Os combates aumentaram nas áreas de mineração da pedra preciosa após o golpe militar, isso mostra como o mineral é lucrativo tanto para o exército quanto para outros grupos armados. 

Outra fonte ilícita, e supostamente crescente, de renda é o cultivo de papoula e a exportação de drogas. Mianmar é o segundo maior produtor, ficando atrás do Afeganistão, e o Exército e a insurgência étnica estão envolvidos nesse negócio. Há relatórios que fornecem provas circunstanciais de que o Exército está levando deliberadamente minorias étnicas, como os kachin, para a dependência de drogas, especialmente a juventude. O objetivo é evitar que elas se juntem aos grupos extremistas étnicos, algo que muitos tendem a fazer devido à falta de perspectiva no futuro. O ópio não é a única droga produzida em Mianmar, relatórios também destacam que o estado de Shan está se tornando um centro para metanfetamina.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O mosaico de grupos étnicos, linguísticos e religiosos de Mianmar já foi descrito, como também os desafios da contínua luta e as políticas de “birmanização”, fortemente amparadas pelo Exército. Antes de ser destituída do governo pelo golpe, a Liga Nacional pela Democracia (NLD, da sigla em inglês) vinha clamando por um governo de unidade nacional com partidos étnicos, o que parecia uma tarefa difícil na época e pode ter contribuído para a decisão do Exército de dar um golpe. Porém, o conflito armado contra os vários grupos populacionais minoritários não é exclusivamente religioso. Um exemplo é o conflito mais recente e violento com o Exército arakan no estado de Rakhine. Os arakan são budistas, mas esse é um conflito étnico, não religioso. 

Em Mianmar, muitas pessoas são forçadas a trabalhar na agricultura de subsistência e, portanto, dependem muito das condições climáticas e também de fatores como o local das batalhas. A taxa de desemprego comparativamente baixa deve ser entendida nesse contexto.  

Há poucas chances de melhorar a vida da população em geral enquanto o processo de paz não fizer nenhum progresso tangível. Mianmar deve ficar cada vez mais isolada internacionalmente, e dependerá mais da China, mesmo que essa seja uma relação repleta de desconfiança.  

Durante a terceira onda de COVID-19 em 2021, o Exército não liberou os cilindros de oxigênio necessários para manter os cidadãos vivos. Assim, o número de mortes aumentou, tanto que alguns cemitérios ficaram sem espaço. Os atendimentos também foram prejudicados porque muitos médicos e enfermeiras ingressaram no MDL. Logo, a liderança do golpe foi acusada de politizar a pandemia de COVID-19, “tentando usar sua resposta de saúde pública como um meio de justificar seu controle contínuo sobre o país” (East Asia Forum, 14 de setembro de 2021). O exército forçou a subida vertiginosa dos preços dos tratamentos médicos, logo surgiu um mercado clandestino para os cuidados de saúde. 

A crise da COVID-19 afetou ainda mais as minorias étnicas e religiosas, já que foram discriminadas na distribuição de ajuda humanitária e médica. Como os cristãos vivem em áreas particularmente afetadas pela guerra civil e combates, a ajuda do governo não chegará até eles, a não ser que o Exército de Mianmar revise a política de exclusão de certas áreas. Aqueles que vivem em campos de deslocados internos também enfrentam severamente as consequências.

Os missionários católicos entraram pela primeira vez em Mianmar em 1554. Até 1613, no entanto, houve uma presença permanente de cristãos, com igrejas em Ava, Sirian e cerca de trezentos católicos em Rangum. Mas o crescimento foi tão perturbado pelas guerras entre Mianmar e Tailândia nos dois séculos seguintes que uma população cristã com total de cinco mil pessoas em 1800 caiu para cerca de três mil em 1832. 

À medida que o controle britânico se ampliou na primeira metade do século 19, o crescimento protestante fez grandes avanços. Em 1813, o missionário americano, Adoniram Judson, chegou ao país para servir por quase 40 anos. Ele traduziu a Bíblia para o birmanês em 1834. 

Em 1966, o governo expulsou todos os missionários estrangeiros, mas aí a igreja já havia se tornado autossustentável. Como muitos cristãos pertencem às minorias étnicas, como os kachin, chin, shan e karen, o cristianismo é visto com alguma suspeita. Isso pode até aumentar após a publicação dos últimos números sobre a filiação religiosa em 2014, que mostrou um forte crescimento do número de cristãos. 

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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