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Camarões

CM
Camarões
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional, opressão do clã
  • Capital: Yaoundé
  • Região: Oeste Africano
  • Líder: Paul Biya
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Cristianismo, islamismo e animismo
  • Idioma: Inglês, francês, grupos linguísticos africanos
  • Pontuação: 65


POPULAÇÃO
26,6 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
16,3 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos em Camarões? 

Apesar de ser oficialmente um país secular, há em Camarões áreas predominantemente muçulmanas onde o extremismo islâmico está crescendo. No Norte, o grupo extremista Boko Haram é uma presença violenta — com sequestros, ataques e mortes de cristãos, assim como interrupção às atividades das igrejas. Em outras áreas, liminares de segurança estabeleceram restrições às atividades da igreja. Falta um governo forte em Camarões, o que aumenta a vulnerabilidade dos cristãos perseguidos. 

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam perseguição em todo o país e estão em grande risco se falam para alguém sobre a nova fé ou se Bíblias são descobertas em sua posse. Eles enfrentam esse risco por parte de membros da comunidade geral e da família imediata. As mulheres convertidas do islã são frequentemente forçadas a se casar com não cristãos e há casos de filhos de cristãos no Norte sendo forçados a frequentar aulas islâmicas. 

Eu preciso de Deus comigo em cada situação para operar seu maravilhoso poder em minha vida.    

Fadi, cristã perseguida em Camarões que teve a irmã sequestrada pelo Boko Haram e precisou fugir de casa repetidamente 

O que mudou este ano? 

Os ataques do Boko Haram continuam gerando luto e destruição. Enquanto houve uma leve queda no relato de incidentes violentos, o país permanece em um nível extremo de violência. O aumento da violência de extremistas islâmicos em Camarões também tem afetado a igreja. Liminares de segurança e cristãos deslocados estão entre os motivos pelos quais as igrejas não conseguem atuar e florescer. 

Quem persegue os cristãos em Camarões? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos em Camarões são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado, protecionismo denominacional, opressão do clã. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos em Camarões são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, redes criminosas, cidadãos e quadrilhas, parentes, oficiais do governo, líderes religiosos cristãos, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição em Camarões? 

Cristãos no extremo Norte de Camarões são os mais vulneráveis à violência de extremistas islâmicos, mas o risco de perseguição também está crescendo no Noroeste e no Sudoeste, em partes devido a insegurança e fraqueza do governo. 

Como as mulheres são perseguidas em Camarões? 

No Norte de Camarões, o grupo extremista islâmico Boko Haram continua sequestrando e violentando sexualmente meninas e mulheres regularmente, as forçando a se casar com membros do Boko Haram ou as sujeitando a trabalho forçado. Há relatos de que algumas meninas são forçadas a atuar em atentados suicidas a comunidades cristãs. Onde as escolas ainda estão funcionando, alguns pais cristãos mantêm as filhas em casa para a segurança delas. 

Meninas e mulheres em Camarões são dependentes de parentes homens e a decisão de se converter do islamismo ou animismo para o cristianismo é sempre considerada um ato de rebeldia. Elas podem ser presas em casa ou forçadas a se casar com não cristãos. Se mulheres convertidas já forem casadas, enfrentam possibilidade de divórcio, perda de custódia dos filhos ou de herança. 

Como os homens são perseguidos em Camarões? 

Meninos e homens cristãos são vulneráveis principalmente no Norte de Camarões, onde extremistas islâmicos do Boko Haram os sequestram e torturam, além de usá-los para trabalhos forçados. Outros podem ser recrutados pelas milícias, deixando famílias cristãs sem um provedor — e ainda mais vulneráveis a ataques. Muitos homens cristãos fugiram do país. 

Homens cristãos também enfrentam discriminação para oportunidades de emprego e promoção, e seus negócios podem ser boicotados. Essa forma de perseguição tem um impacto psicológico e financeiro. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos em Camarões? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais para fortalecer cristãos perseguidos em Camarões provendo ajuda emergencial, cuidados pós-trauma, projetos de empoderamento econômico e cuidado espiritual e prático de novos cristãos. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos em Camarões?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você oferece socorro a cristãos no Oeste Africano atingidos pela violência.  

Pedidos de oração de Camarões 

  • Interceda para que o governo de Camarões tome medidas concretas para proteger comunidades vulneráveis. 
  • Ore para que líderes de igrejas no extremo Norte recebam sabedoria e força de Deus enquanto ministram a perseguidos, deslocados e traumatizados. 
  • Clame por discernimento para parceiros locais da Portas Abertas enquanto determinam e implementam maneiras de servir à Igreja Perseguida.   

Um clamor por Camarões 

Pai celestial, por favor, estenda seus braços amorosos aos cristãos no Norte de Camarões que estão em luto, traumatizados ou vulneráveis. Mostre a eles seu cuidado suave e os proteja de mais violência. Que eles conheçam sua paz que excede o entendimento. Dê sabedoria aos líderes das igrejas e aos parceiros da Portas Abertas enquanto ministram àqueles que estão sofrendo tanto por amor ao Senhor. Amém.  

Camarões é um país no Oeste Africano que divide fronteiras com Gabão, Chade, República Centro-Africana, República do Congo, Guiné Equatorial e Nigéria. O país tem mais de 200 grupos étnicos e é conhecido como “África em miniatura” devido a sua diversidade. O francês e o inglês são as línguas oficiais. Europeus fizeram contato com Camarões quando o explorador português Fernando Po liderou uma expedição no rio Wouri, em 1472. Em 1520, os portugueses estabeleceram uma plantação de açúcar que depois foi tomada pelos franceses, nos anos 1600. 

Em 1884, o acordo entre Alemanha e chefes locais colocou o país sob domínio alemão. No final da Primeira Guerra Mundial, o país foi tomado da Alemanha e dividido em dois, com a França conseguindo domínio sobre 80% da área e a Grã-Bretanha dominando os 20% restantes. A colônia francesa se tornou independente em 1960. Em 1961, a parte nordeste britânica de Camarões votou para se unir à Nigéria e a sudeste votou para se unir à parte francesa do país. O Sudeste britânico de Camarões se uniu à parte francesa, formando a primeira República de Camarões, oficialmente conhecida como República Federal de Camarões. 

Ahmadou Ahidjo governou o país de 1961 até 1981 com uma ditadura punho de ferro. Ele aboliu a estrutura de governo federal em 1972, seguida por mais medidas repressivas contra seus oponentes. Em 1982, ele foi substituído por seu vice, Paul Biya. Entretanto, Ahidjo tentou governar o país nos bastidores. Ele não foi bem-sucedido, e Paul Biya se tornou um sucessor efetivo e seu regime ditatorial continua a governar o país. 

Nos últimos anos, o Nordeste de Camarões esteve sob uma série de ataques orquestrado pelo grupo islâmico Boko Haram. Além dos ataques de militantes islâmicos, o país enfrenta uma crise devido à insurgência dos camaroneses anglófonos que sentem que estão sendo maltratados pelo presidente e sua administração. Essa tensão crescente terá um impacto nos cristãos, pelo menos indiretamente, já que o Boko Haram terá mais oportunidades para atacar os cristãos se o foco do governo mudar de combatê-los para lidar com a questão da insurgência dos camaroneses anglófonos. Essa crise no país fez com que pelo menos 21 mil pessoas buscassem refúgio na Nigéria. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, da sigla em inglês), em meados de 2018, cerca de 200 mil pessoas foram deslocadas internamente, sendo que algumas se uniram a grupos armados para combater o governo. 

Uma eleição presidencial ocorreu em 7 de outubro de 2018, na qual o presidente octogenário de seis mandatos, Paul Biya, foi declarado vencedor em 22 de outubro, após a rejeição da petição feita por diversos candidatos da oposição na corte constitucional alegando fraude e irregularidades. Em 6 de novembro, Biya, de 85 anos, foi juramentado para o sétimo mandato como presidente. 

Após uma eleição e resultado eleitoral que foi imediatamente contestado por um dos rivais de Biya, Maurice Kamto, o governo começou uma repressão a líderes da oposição e apoiadores. Em janeiro de 2019, Kamto, o líder do partido da oposição e presidente do Movimento para o Renascimento de Camarões (MRC), foi preso em Duala. Em fevereiro de 2019, Kamto e seus apoiadores foram acusados em uma corte militar de crimes com pena de morte. Protestos na capital Yaoundé são proibidos. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Camarões é uma república unitária com um presidente como chefe de Estado. Desde que o país experimentou as ocupações alemã, francesa e britânica, o sistema legal do país é baseado em uma mistura da lei comum inglesa e do código napoleônico. O parlamento tem duas câmaras: a Assembleia Nacional (câmara baixa), que tem 180 membros, e o Senado (câmara alta), com 100 membros. 

O país foi classificado como “não livre” pela organização Freedom House em 2017. O relatório declara que o presidente que atuou por mais tempo no país tem falhado em criar um Estado onde a lei seja respeitada, o pluralismo floresça e a liberdade de expressão e assembleias sejam observadas. Os Repórteres Sem Fronteiras também declararam em 2015 que o regime de Biya tem reduzido a liberdade de expressão, a imprensa e outros direitos fundamentais que os cidadãos do país desfrutavam. 

Paul Biya continua em uma posição forte e foi declarado o vencedor das eleições de 7 de outubro de 2018. A participação da população foi de 54%, muito menor do que nas eleições anteriores, e apenas 10% nas regiões de fala inglesa. Alega-se que Maurice Kamto, o líder da oposição que se declarou vencedor poucas horas após as urnas serem fechadas, tenha recebido apenas 14% dos votos. Ele tem sido acusado de sedição, insurreição e de incitar violência. 

Camarões é uma das nações mais corruptas do mundo. O regime ditatorial de Paul Biya é responsável pela corrupção desenfreada que enfraquece a política estrutural do país. Embora a nação tenha reservas de petróleo, ainda fica para trás da maioria dos países africanos no desenvolvimento econômico. Oficiais corruptos na parte nordeste do país foram responsáveis pela perseguição aos cristãos, não tomando as medidas apropriadas após os ataques de grupos radicais islâmicos aos cristãos. Eles também perseguem cristãos que têm visões opostas ao governo.  

Durante as últimas três décadas do governo de Paul Biya, o regime é responsável por muitas prisões políticas, mortes e perseguição aos cristãos. A região anglófona do país foi especialmente afetada por isso devido ao ativo movimento de independência na área.  

Uma parte significativa do Oeste da África tem se tornado um campo de batalha entre forças do governo e militantes islâmicos, com o Boko Haram, atacando ativamente Nigéria, Chade, Camarões e Níger. Combinado ao fato de que o governo de Camarões não respeita ou protege os direitos de seus cidadãos, o futuro do país não parece muito promissor. Na parte nordeste, onde o ritmo da radicalização e da militância etá aumentando, a vida dos cristãos é ainda mais difícil. No estado atual, mesmo se o Boko Haram for derrotado, a harmonia social é improvável de ocorrer, desde que o islamismo fez grandes avanços entre os jovens muçulmanos na região.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Camarões é uma nação de maioria cristã. De acordo com o World Christian Database), 60% da população é cristã, 20,4% muçulmana e 17,5% segue religiões étnicas. A maior denominação cristã é a Igreja Católica Romana. 

A crise anglófona — anglofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países falantes da língua inglesa — também tem tornado cristãos vulneráveis para diferentes grupos. Cristãos no país enfrentam intimidação e ataques se falam contra as atrocidades que ocorrem no país (do governo e dos separatistas). O governo também recusou permitir alguns cristãos de atuarem no país. Algumas denominações também perseguem cristãos porque veem o aumento no número de evangélicos como uma ameaça. A existência de corrupção excessiva também tem feito a segurança e as regras da lei inexistentes em muitas formas.  

Muçulmanos são impedidos de se converter ao cristianismo, e em partes do país predominantemente muçulmanas tem havido um processo de radicalização. Convertidos do islamismo são ameaçados quando Bíblias ou outras literaturas cristãs são encontradas em sua posse. Cristãos ex-muçulmanos não são livres para expressar a fé ou opiniões cristãs, seja para membros da família imediata ou outros, já que fazer isso os expõem a vários riscos.  

Cristãos ex-muçulmanos na parte nordeste do país enfrentam dificuldades; por exemplo, houve caso de crianças cristãs no Norte serem forçadas por parentes não cristãos a participarem de aulas islâmicas. Muitos cristãos ex-muçulmanos enfrentam problemas com as comunidades locais em áreas remotas na região Nordeste.  

A insurgência islâmica do Boko Haram representa uma constante ameaça à vida e segurança dos cristãos e tem causado o deslocamento de muitos deles. Em áreas remotas nessas regiões, alguns líderes muçulmanos acreditam que o islamismo deve ser a única religião presente. Mulheres ex-muçulmanas são forçadas a se casarem com não cristãos e enfrentarem o perigo de sequestro pelo Boko Haram. Atividades da igreja têm sido impedidas ou perturbadas em áreas onde o Boko Haram está ativo. Devido ao deslocamento de pessoas, igrejas não podem funcionar normalmente nessas partes do país. Em outras áreas, mandados de segurança têm estabelecido restrições à igreja.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A descoberta e a exploração de petróleo no Golfo da Guiné desde os anos 1970 afetou a sociedade que antes era agrária. A Heritage Foundation considera a economia do país “sobretudo sem liberdade” e declara: “A pontuação da liberdade econômica de Camarões é de 52,4, fazendo sua economia a 145ª mais livre da lista de 2019. Sua pontuação geral aumentou 0,5 ponto, com maiores pontuações para liberdade de investimento e liberdade de trabalho, compensando uma intensa diminuição na saúde fiscal. Camarões está no 29° lugar entre 47 países na região da África Subsaariana e sua pontuação geral está abaixo das médias regional e mundial”. 

A economia de Camarões continua sofrendo de um ineficiente e desequilibrado setor público, infraestrutura pobre e corrupção endêmica. O fraco Estado de direito falha em conter a corrupção que corrói incentivos para uma expansão econômica a longo prazo. A instabilidade e a falta de segurança no país, principalmente devido ao Boko Haram, têm um impacto negativo nos cristãos. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Um relatório do Banco Mundial (de abril de 2020) afirma: “A taxa de pobreza é estimada de cair para 22,4% em 2019 e se espera baixar ligeiramente para 21,9 em 2022”. A violência na região anglófona também perturba a vida das pessoas. Milhares fugiram para a Nigéria e mais de meio milhão de pessoas vivem em campos de deslocados. 

Os portugueses levaram o cristianismo para o país em 1429. Entretanto, a Igreja Católica Romana só começou a estabelecer congregações no país no final do século 19. A Sociedade Missionária Batista de Londres (LBMS, da sigla em inglês) enviou missionários que eram parte de um fluxo maior de comerciantes europeus e exploradores buscando por oportunidades de negócios e matérias-primas. Os primeiros missionários da LBMS foram levados por Alfred Saker junto com um grupo de pregadores batistas das Índias Ocidentais, principalmente da Jamaica. Presbiterianos americanos chegaram em 1879. 

Quando a Alemanha começou a colonizar a região, em 1880, os esforços protestantes foram assumidos pelos alemães batistas e missionários da Basileia. Missionários alemães católicos abriram a primeira missão católica bem-sucedida em 1890. 

Sobre nós

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