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Quirguistão

KG
Quirguistão
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, paranoia ditatorial
  • Capital: Bishkek
  • Região: Ásia Central
  • Líder: Sadyr Japarov
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, outros
  • Idioma: Quirguiz, uzbeque, russo, outros
  • Pontuação: 59


POPULAÇÃO
6,3 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
274 MIL

DOAR AGORA

R$

* Em breve este perfil será atualizado com informações referentes à Lista Mundial da Perseguição 2023.  

Como é a perseguição aos cristãos no Quirguistão?  

Os cristãos de origem muçulmana enfrentam oposição das autoridades locais que costumam ser influenciadas pela comunidade muçulmana. Já as igrejas ortodoxas russas enfrentam menos problemas com o governo, pois evitam o contato com a população de maioria islâmica.  

São os cristãos nativos de origem muçulmana que suportam o peso da perseguição. Alguns desses convertidos são presos e agredidos pela própria família. Além disso, líderes islâmicos locais pregam contra os que decidiram seguir a Jesus e incentivam as comunidades a expulsar as pessoas consideradas traidoras do islã.  

“Meu marido teve dificuldades com o rompimento com alguns dos parentes, seus irmãos, irmãs, primos, sobrinhos, todos eles eram calorosos e tinham um relacionamento próximo antes de nos convertermos. Foi ‘o preço que Rasul pagou’ por seguir a Cristo e para ele foi um preço realmente muito alto.”

CHOLPON (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ NO QUIRGUISTÃO

O que mudou este ano? 

Como na maioria dos outros países da Ásia Central, a pressão no Quirguistão é maior nas esferas da vida privada e da igreja. A opressão feita por líderes muçulmanos e de clãs são as mais sentidas no âmbito privado e familiar, enquanto a perseguição do Estado domina as esferas da vida pública e da igreja. Porém, há presença desses dois tipos de pressão na convivência em comunidade. Famílias muçulmanas, amigos e aldeões pressionam os convertidos em particular, já o governo impõe muitas restrições às atividades das igrejas. 

Quem persegue os cristãos no Quirguistão? 

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Quirguistão são: opressão islâmica, opressão de clã e paranoia ditatorial.

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Quirguistão são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, parentes e oficiais do governo.  

Quem é mais vulnerável à perseguição no Quirguistão? 

Os cristãos de origem muçulmana são pressionados pelas comunidades, principalmente as mais distantes das grandes cidades.  

Como as mulheres são perseguidas no Quirguistão? 

Apesar das leis no Quirguistão garantirem direitos iguais a homens e mulheres, a cultura islâmica tradicional coloca as mulheres em um nível abaixo dentro do contexto familiar. Mulheres e meninas são excluídas dos processos de tomada de decisão e expostas a violência de várias formas, incluindo violência doméstica, sequestro de noivas, casamentos precoces e abuso físico. 

Nesse contexto, as mulheres não são livres para escolher a própria religião e enfrentarão perseguição se decidirem seguir a Cristo. A estrutura rígida da sociedade significa que as mulheres também são alvo de perseguição para atingir seus maridos ou outros membros da família psicologicamente.

Ao longo dos anos, mulheres e meninas cristãs sofreram abuso verbal e físico, prisão domiciliar, casamento forçado, violência familiar e agressão sexual. Um aumento na violência doméstica foi relatado em todo o Quirguistão após as medidas impostas para conter a COVID-19; especialistas locais também relataram um aumento na violência familiar contra mulheres convertidas presas em casa.

Conforme observado em anos anteriores, o Quirguistão tem uma longa tradição de roubo de noivas nas áreas rurais. As mulheres convertidas em regiões conservadoras correm o risco de serem sequestradas e casadas com um muçulmano. Se já casadas, os maridos muçulmanos se divorciam de suas esposas e negam o acesso aos bens e o contato com os filhos.  

As mulheres convertidas de origem muçulmana também estão sujeitas a prisão domiciliar por suas famílias como uma forma comum e socialmente aceita de reverter a decisão de deixar o islã. Além disso, o acesso às redes sociais cristãs é restrito na esperança de que a seguidora de Jesus retorne à antiga fé 

Como os homens são perseguidos no Quirguistão? 

Homens convertidos ao cristianismo enfrentam várias formas de pressão e violência de membros da família e da comunidade local. Ao longo dos anos, homens e meninos cristãos sofreram abuso verbal e físico, prisão, interrogatório, multas, perda de emprego, prisão domiciliar, exclusão na herança e impedimento da participação em instituições comunitárias. De acordo com especialistas do país, as autoridades locais, às vezes, cooperam com os muçulmanos para impedir o acesso dos cristãos aos fóruns comunitários. 

Os homens cristãos no Quirguistão correm maior risco quando são líderes da igreja e da família. Os empresários cristãos correm o risco de a comunidade boicotar ou atrapalhar seus negócios. Aqueles que trabalham como assalariados podem perder o emprego por causa da fé, então toda a sua família sofrerá. 

Em casos de invasão, os líderes são detidos, interrogados e multados. Muitos muçulmanos consideraram os líderes da igreja como os principais responsáveis pela conversão de pessoas de seu povo.  

Houve casos em que os líderes cristãos não puderam mais continuar com seu ministério porque seus negócios foram atacados e não tinham como manter a comunidade cristã com o dinheiro do próprio bolso. A perseguição de um líder da igreja impacta a congregação como um todo, causando medo e ansiedade. Os homens cristãos enfrentam discriminação diária, seja no local de trabalho, no exército ou na comunidade local. A pressão é maior nas áreas rurais, longe das grandes cidades. Supostamente, há dois cristãos em órgãos oficiais do governo, mas apenas — como explicou um especialista do país — “para dar a impressão de que tudo está bem”. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Quirguistão?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

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Pedidos de oração do Quirguistão 

  • Interceda para que os cristãos no Quirguistão sejam fortalecidos e supridos em todas as necessidades para resistir à perseguição.  
  • Clame para que os cristãos de origem muçulmana consigam testemunhar o amor de Deus para familiares, amigos e comunidade.  
  • Ore para que os governantes tenham um encontro com Jesus e governem o país com sabedoria, justiça e compromisso com o bem-estar da população.  

Por estar na região de passagem de comerciantes e fazer parte da Rota da Seda, o Quirguistão possui uma cultura vasta e já esteve diversas vezes sob dominação estrangeira. Entretanto, o território era dominado por tribos e clãs independentes e só se tornou um Estado independente após a independência da União Soviética em 1991.  

Entretanto, o novo governante manteve o regime comunista. Em março de 2005, o povo do Quirguistão começou a se revoltar contra o governo, o que resultou na Revolução das Tulipas. O resultado foi um golpe sem derramamento de sangue, após o presidente Askar Akayev fugir do país com a família. O governo seguinte foi democraticamente e chefiado por Kurmanbek Bakiyev.  

A nova gestão logo se deparou com os mesmos problemas que derrubaram o regime de Akayev, ou seja, corrupção, ineficiência e opressão à população. Além disso, o país precisava lidar com a economia fraca, os altos níveis de criminalidade e o crescimento da militância islâmica no Vale de Fergana. 

Em abril de 2010, houve as manifestações em grande escala organizadas pela oposição política. Enquanto o país estava em alvoroço, a violência entre uzbeques e quirguizes eclodiu nas cidades de Osh e Jalal-Abad. Os confrontos resultaram na morte de quase 420 pessoas, a maioria uzbeques, e outras 80 mil pessoas foram deslocadas. O presidente Bakiyev também fugiu com sua família no mesmo mês. Em seguida, um governo provisório foi formado e liderado por Roza Otunbayeva, que se tornou presidente interina, tornando-a a primeira mulher a alcançar uma posição tão alta na Ásia Central. As mudanças políticas que se seguiram transformaram o Quirguistão na primeira — e até agora única — democracia parlamentar na Ásia Central.

Roza Otunbayeva anunciou que não pretendia concorrer às eleições presidenciais de novembro de 2011. A eleição foi vencida por Almazbek Atambayev, líder do Partido SocialDemocrata e primeiro-ministro na época. Atambayev foi empossado como presidente em primeiro de dezembro de 2011 e Omurbek Babanov foi nomeado novo primeiro-ministro no mesmo dia. Sooronbai Jeenbekov tornou-se o quinto presidente do Quirguistão depois de ganhar mais de 54% dos votos nas eleições de outubro de 2017. 

No entanto, o governo não tinha controle total no Quirguistão. Uma manifestação pedindo a libertação do ex-deputado Sadyr Japarov foi organizada em 2 de março de 2020 na capital do país, Bishkek. A manifestação contou com a presença de mais de 2 mil pessoas e terminou com confrontos entre manifestantes e a polícia, com 170 pessoas detidas, mas com acusações apenas contra quatro delas. 

Além da libertação de Japarov, os manifestantes apresentaram uma lista de 20 pedidos às autoridades, efetivamente pedindo mudança de regime e eleições livres. No início de outubro de 2020, houve protestos em larga escala por causa dos resultados das eleições parlamentares. Isso levou à renúncia do presidente Jeenbekov em 15 de outubro de 2020.  

De acordo com a BBC News, mais de 1.200 pessoas ficaram feridas e uma pessoa foi morta em confrontos de rua. Sadyr Japarov, um político nacionalista, foi liberto da prisão e assumiu o cargo de presidente interino até que as eleições pudessem ocorrer em 2021. 

Depois de vencer as eleições presidenciais em 10 de janeiro de 2021, Japarov prometeu combater a corrupção e permitir mais transparência nas operações do governo. A Comissão Eleitoral Central informou que Japarov recebeu pouco mais de 79% dos votos. Havia 17 candidatos na corrida presidencial e o rival mais próximo recebeu apenas 6,7% dos votos.  

As origens cristãs no território são dos séculos 7 e 8, quando o cristianismo nestoriano se espalhou pelo Sul da Ásia Central e chegou ao Quirguistão. Isso aconteceu quase na mesma época em que o islã entrou no país. Após a invasão dos mongóis, os cristãos nestorianos continuaram a viver em paz até que os governantes mongóis se converteram ao islamismo. Um deles foi Timur Lenk (1336-1406) que erradicou o cristianismo da região no século 14. A partir do século 16, o Quirguistão tornou-se parte do principado uzbeque de Khiva e Bukhara. 

Em 1867, o Império Russo expandiu seu território para a Ásia Central durante várias campanhas militares, conquistando os dois principados. O regime trouxe russos étnicos, que pertenciam principalmente à Igreja Ortodoxa Russa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph Stalin ordenou a deportação de um grande número de alemães, ucranianos, poloneses e coreanos para a Ásia Central. Com eles, várias denominações cristãs chegaram ao Quirguistão.  

Desde o final da década de 1980, e especialmente desde o colapso da União Soviética em 1991, muitos cristãos não quirguizes emigraram. Isso fez com que várias igrejas lutassem pela sobrevivência. Mas também houve um desenvolvimento positivo, com a melhora da liberdade religiosa no Quirguistão, grupos cristãos não tradicionais aproveitaram a oportunidade para chegar ao país. O evangelismo no Quirguistão foi muito mais bem-sucedido do que em outros países da Ásia Central. 

As principais denominações oficiais hoje são a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Ortodoxa Ucraniana, com a maioria de seus membros pertencentes às minorias étnicas russa e ucraniana. 

De acordo com o World Christian Database (WCD), os muçulmanos representam 87,7% da população e são predominantemente sunitas. A influência do islamismo tradicional sufi é considerável, especialmente na zona rural montanhosa, onde as pessoas visitam regularmente os túmulos de antigos líderes muçulmanos. 

O governo do país, no entanto, é estritamente secular. A proporção relativamente alta de agnósticos e ateus (7,1%) é resultado de 70 anos de doutrinação ateísta pelos comunistas durante a era soviética. Os representantes dessa categoria encontram-se principalmente nas grandes cidades. As áreas rurais tendem a ser tradicionalmente muçulmanas. 

O crescimento inicial do cristianismo no Quirguistão, após a independência em 1991, parou e os números agora estão diminuindo. Como em muitos outros países da Ásia Central, as igrejas no Quirguistão estão experimentando a emigração de membros russos, ucranianos e alemães.
 

Um dos maiores problemas para os cristãos no Quirguistão e em outros países da Ásia Central é o fato de que há pouca cooperação entre as várias denominações cristãs. As leis podem ser restritivas, mas as congregações que não conseguem obter registro ainda podem funcionar como igrejas domésticas. Os cristãos sabem que as reuniões podem ser interrompidas, mas isso não ocorre com muita frequência. 

Um fator importante que domina a vida social no Quirguistão é a cultura fundada em valores e tradições islâmicas. Mesmo os 70 anos de ateísmo, durante a era soviética, não conseguiram acabar com isso. As áreas rurais são particularmente afetadas e, como resultado, os cristãos nessas áreas — especialmente os de origem muçulmana — não apenas precisam lidar com a opressão do governo, mas também da sociedade ao seu redor. Por exemplo, houve relatos de enterros de convertidos ao cristianismo sendo proibidos em aldeias muçulmanas. 

O Quirguistão ficou em 124º lugar de 180 países no Índice de Percepção de Corrupção 2020 (IPC 2020). A corrupção é generalizada e atinge os mais altos estratos políticos, como foi demonstrado pela renúncia do primeiro-ministro Mukhammedkalyi Abylgaziev, em junho de 2020. Os legisladores levantaram suspeitas sobre o envolvimento dele na venda de frequências de rádio com o envolvimento de uma empresa líder de televisão a cabo e uma grande empresa de telecomunicações, mesmo não tendo sido nomeado na investigação oficial. 

Além disso, a sociedade começou o ano de 2020 com denúncias de violência doméstica grave. Pelo menos três mulheres foram mortas por seus maridos ou parceiros nos primeiros 14 dias do ano. De acordo com o Ministério do Interior, dos quase 6.145 casos de violência doméstica registrados pela polícia em 2019, apenas 649 resultaram em processos criminais.
 

O Observatório dos Direitos Humanos (ODH) acrescentou que a violência doméstica é subnotificada e que faltam dados confiáveis. A pesquisa do ODH em 2015 e 2019 descobriu que a má resposta policial e judicial, a falta de serviços — como abrigos — e a pressão social de famílias e autoridades inibem as vítimas de prestarem queixa. Aqueles que procuram ajuda e justiça muitas vezes não recebem o apoio ou a proteção necessária. 
 
 

Com a chegada da COVID-19 no Quirguistão no início de 2020, houve graves repercussões sociais, como o crescimento da violência doméstica e a preocupação com o aumento das infecções com a escassez de profissionais médicos, leitos hospitalares, medicamentos e equipamentos. No entanto, de acordo com os números da Organização Mundial da Saúde (OMS), as mortes relacionadas à COVID-19 foram inferiores a 1.400 ao longo de 2020. 

A alta taxa de alfabetização significa que as pessoas interessadas na mensagem cristã podem ler materiais cristãos em seu próprio idioma. As restrições impostas pelo governo (todos os materiais devem ser aprovados oficialmente e apenas grupos registrados podem estar ativos na distribuição) significam que a maior parte desse trabalho deve ser feito de forma não oficial. 

Tempo de oração e estudo bíblico durante treinamento

Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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