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Quirguistão

KG
Quirguistão
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial
  • Capital: Bishkek
  • Região: Ásia Central
  • Líder: Sadyr Japarov
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo, cristianismo, outros
  • Idioma: Quirguiz, uzbeque, russo, outros
  • Pontuação: 58


POPULAÇÃO
6,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
287 MIL

As autoridades locais têm um poder considerável e tendem a estar sob influência da comunidade muçulmana local. Isso tem fortes repercussões para convertidos ao cristianismo. A Igreja Ortodoxa Russa tende a experimentar menos problemas com o governo, já que não tenta converter a população do Quirquistão. 

São os cristãos nativos ex-muçulmanos que suportam o peso da perseguição. Alguns são trancados por longos períodos por suas famílias e agredidos. Professores islâmicos pregam contra eles e podem fazê-los ser expulsos de suas comunidades. 

A pontuação do Quirguistão subiu um ponto. Como na maioria dos outros países na região da Ásia Central, a pressão no Quirguistão é mais alta em esferas da vida privada e da vida da igreja, mas o Quirguistão é um dos poucos países onde a pressão na vida privada é maior do que na vida na igreja. Famílias muçulmanas, amigos e aldeões exercem pressão sobre convertidos, enquanto o governo impõe muitas restrições às atividades da igreja. Os principais tipos de perseguição são opressão islâmica e paranoia ditatorial.  

“Meu marido teve dificuldades com o rompimento com alguns dos parentes, seus irmãos, irmãs, primos, sobrinhos, todos eles eram calorosos e tinham um relacionamento próximo antes de nos convertermos. Foi ‘o preço que Rasul pagou’ por seguir a Cristo e para ele foi um preço realmente muito alto.”

CHOLPON (PSEUDÔNIMO), CRISTÃ NO QUIRGUISTÃO

Tendências 

A democracia quirguiz ficou estável até meados de 2018 

A política quirguiz entrou em uma fase caótica. O Quirguistão é o único país na Ásia Central com um parlamento democraticamente eleito e um presidente, mas desde meados de 2018 o cenário político no Quirguistão está testemunhando problemas e não se sabe qual será o resultado. As eleições parlamentares que foram realizadas em outubro de 2020 resultaram em uma desestabilização adicional. O presidente Jeenbekov decidiu renunciar. E, em janeiro, Sadyr Khaparov foi eleito através de eleições realizadas no país. 

Há preocupação com propostas de restrições futuras 

Embora o Quirguistão ainda seja um dos países menos opressivos na Ásia Central para os cristãos viverem, com muito menos pressão das autoridades do que nos países vizinhos, a igreja no país se sente vulnerável. Tanto a situação política caótica em curso e as propostas para futuras restrições, que remontam a 2014 tornam a vida dos cristãos incerta. 

Os cristãos continuam a enfrentar a pressão do meio islâmico 

A pressão da sociedade islâmica é particularmente forte fora do capital, Bishkek. A maior parte dessa hostilidade e pressão é destinada aos cristãos ex-muçulmanos, mas também a igrejas que estão ativas em evangelismo entre muçulmanos. 

A emigração está enfraquecendo a igreja 

A emigração constante de russos, ucranianos e alemães apresenta sérios problemas para as igrejas no Quirguistão. Hoje em dia pessoas dessas nacionalidades não têm se convertido ao cristianismo. 

Quando o Quirguistão se tornou um país independente, em 1991, o regime comunista permaneceu no poder. Em março de 2005, a população do Quirguistão começou a se revoltar contra o regime, o que se tornou conhecido como a Revolução Tulipa. O resultado foi um golpe sem sangue após o presidente Askar Akayev fugir do país com a família. O próximo governo eleito democraticamente foi comandado por Kurmanbek Bakiyev. Essas palavras-chave “golpe sem sangue” e “eleições democráticas” são únicas em toda a região da Ásia Central. 

O novo regime logo esbarrou nas mesmas questões que tinham deposto o regime de Akayev, ou seja, um governo corrupto, incompetente e opressivo. Além disso, o Quirguistão experimentou uma situação econômica extremamente fraca, crimes e o crescimento da militância islâmica no Vale de Fergana.  

Em abril de 2010, isso levou a uma manifestação de larga escala organizada pela oposição política. Enquanto o país estava em alvoroço, a violência entre uzbeques e quirguizes começou nas cidades de Osh e Jalal-Abad no Vale de Fergana. Os confrontos mataram aproximadamente 420 pessoas, a maioria uzbeques, e outras 80 mil foram deslocadas. O presidente Bakiyev fugiu com a família. 

Um governo provisório foi formado em 2010, liderado por Roza Otunbayeva, que se tornou presidente interina, fazendo dela a primeira mulher na história a alcançar tal posição na região. As mudanças políticas seguintes tornaram o Quirguistão a primeira, e única, democracia parlamentarista na Ásia Central. 

Roza anunciou que não estava interessada em concorrer às eleições presidenciais em novembro de 2011. A eleição foi vencida por Almazbek Atambayev, líder do Partido Social Democrata e até então primeiro-ministro. Atambayev foi empossado como presidente em 1 de dezembro de 2011 e Omurbek Babanov foi indicado como novo primeiro-ministro no mesmo dia. Sooronbai Jeenbekov se tornou o quinto presidente do Quirguistão após levar mais de 54% dos votos nas eleições de outubro de 2017 para substituir o líder Almazbek Atambayev. 

O presidente do Quirguistão, Sooronbai Jeenbekov, anunciou sua renúncia em outubro de 2020. A ex-república soviética localizada na Ásia Central enfrentou uma crise depois de denúncias de fraude que levaram à anulação dos resultados das eleições legislativas no começo de outubro de 2020. Sadyr Japarov assumiu após a renúncia de Jeenbekov, em outubro, e era o grande favorito nas eleições. Ele levou mais de 80% dos votos e seus opositores temem o crescimento do autoritarismo. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

Diferentemente de todos os outros países na Ásia Central, o Quirguistão tem um presidente e parlamento democraticamente eleitos, com o presidente eleito por voto popular para um mandato único de seis anos. Entretanto, tal democracia não significa que o país tenha liberdade de religião. Muitas leis restritivas foram aprovadas e implementadas no Quirguistão. 

Desde 2010, o parlamento do Quirguistão é composto por representantes de cinco partidos políticos diferentes. Um mau sinal para a democracia do Quirguistão, entretanto, foi a prisão, em 26 de fevereiro de 2017, do líder da oposição Omurbek Tekebayev (pertencente ao partido socialista Ata-Meken) sob suspeita de corrupção e fraude, que levou a manifestações no país. Apesar dos protestos, a Suprema Corte do Quirguistão confirmou a ordem para sua detenção em 29 de março de 2017. 

Embora o ex-presidente Sooronbai Jeenbekov tenha começado no cargo, em outubro de 2017, como um amigo do antigo presidente, Almazbek Atambayev, uma divisão entre os dois se tornou aparente em 2018. Jeenbekov removeu uma quantidade de pessoas poderosas de posições influentes que eram leais a Atambayev. Isso pode muito bem ser um sinal do crescimento da paranoia ditatorial no país. Em junho de 2019, o parlamento quirguiz votou para tirar a imunidade do antigo presidente Atambayev em meio à questão do crescente poder na pobre nação da Ásia Central. 

As autoridades locais têm poder considerável e tendem a estar sob influência da comunidade muçulmana local. Isso tem forte repercussão para os convertidos ao cristianismo. A Igreja Ortodoxa Russa experimenta o mínimo de problemas do governo já que não tenta, com frequência, ter contato com a população do país. São os cristãos nativos ex-muçulmanos que suportam a perseguição mais pesada. Ex-muçulmanos podem ser presos por longos períodos e agredidos. Professores islâmicos locais pregam contra eles e podem fazê-los ser expulsos das comunidades.  

Para cristãos, a situação política caótica teve um resultado positivo: as novas restrições planejadas para registros não foram implementadas em 2018. Projetos para uma nova lei religiosa mais restritiva foram redigidos em 2014, com a mais importante mudança a necessidade de que 500 cidadãos assinem os pedidos de registro, o que tornaria o registro impossível para a maioria das igrejas, já que não possuem 500 membros para conseguir o registro. 

Nenhuma atividade religiosa, além das comandadas e controladas pelo Estado, é permitida. Em 2009, uma nova lei religiosa foi implementada, o que impôs muitas restrições. A pressão das autoridades foi intensificada em 2015 e um novo projeto de lei quanto a religião está em discussão. Essa nova lei, não implementada em 2019, tornará o registro de igrejas quase impossível, já que quer exigir um mínimo de 500 membros.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

A população é 87% muçulmana, predominantemente sunita. A influência do tradicional islamismo sufista é considerável, especialmente no interior montanhoso onde árvores cheias de bandeiras de oração podem ser vistas ao longo das principais rodovias e pessoas visitam os túmulos de líderes muçulmanos e santos regularmente. O governo do país, entretanto, é rigidamente secular. 

O segundo maior grupo “religioso” no Quirguistão é de agnósticos e ateístas, que são 7,5% da população, de acordo com as estimativas do World Christian Database, um centro de estudos religiosos, que oferece informações estatísticas sobre o mundo das religiões. Representantes dessa categoria são principalmente encontrados nas principais cidades. As áreas rurais tendem a ser tradicionalmente mais muçulmanas. 

Cristãos contabilizam 4,6% da população. Eles são principalmente encontrados nas maiores cidades. Mais de 82% deles são russos ortodoxos. Os russos também compõem a maioria das comunidades cristãs não tradicionais, o que inclui convertidos ao cristianismo. 

O crescimento do cristianismo no Quirguistão teve uma parada e os números agora estão caindo. Como em muitos países na Ásia Central, igrejas no Quirguistão experimentam a emigração de membros russos, ucranianos e alemães. Um dos principais problemas para cristãos no Quirguistão e em outros países na Ásia Central é o fato de que há pouca cooperação entre as várias denominações. Infelizmente, há poucas exceções a isso, o que joga a favor do governo, porque uma igreja dividida sempre será fraca. 

Cristãos no Quirguistão experimentam mais liberdade do que aqueles em outros países na Ásia Central. As leis podem ser restritivas, mas as congregações que não conseguem obter registro ainda podem funcionar como igrejas domésticas. Elas sabem que seus encontros podem ser interrompidos, mas isso não ocorre com frequência. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Quirguistão é um dos países mais pobres na Ásia Central, onde 32,1% da população vive abaixo da linha da pobreza (estimativa de 2015). É predominantemente agrícola, mas grande parte é coberta de montanhas. O país tem um grande potencial para usar as montanhas para energia hidrelétrica, mas represar os rios das montanhas para esse propósito é um ponto sensível: o Uzbequistão é um vizinho poderoso e é veementemente contra isso. Isso comprometerá a produção de algodão e o governo uzbeque insinua que iria à guerra por conta disso. 

Remessas de dinheiro de quirguizes que trabalham na Rússia e no Cazaquistão são equivalentes a mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do Quirguistão. Por um lado, isso gera problemas sociais, já que pais e irmãos, em sua maioria, trabalham em outro país. Por outro lado, essa é a única fonte de renda para muitas famílias. Mas há também efeitos positivos: enquanto eles trabalham fora, os quirguizes são muito mais abertos a serem evangelizados por cristãos que ministram entre trabalhadores estrangeiros. 

Outra consequência é que o Quirguistão está cada mais se voltando para a Rússia e se afastando do Ocidente. O país se uniu à União Econômica Eurásia (EES), uma cooperação entre Rússia, Cazaquistão, Bielorrússia e Armênia. Ao mesmo tempo, o Quirguistão adotou uma legislação que exige que ONGs que recebem fundos estrangeiros se registrem como “agentes estrangeiros”, o antigo termo soviético para descrever espiões. Isso afeta também organizações religiosas que recebem fundos de outros países. 

Apesar dos esforços consideráveis para investir na nova geração, com o gasto do PIB em educação atingindo 7,2% em 2017, os jovens continuam sem nenhuma perspectiva real. Empregos adequados são difíceis de encontrar e postos na administração pública não estão disponíveis sem as conexões certas ou dinheiro. Portanto, um dos maiores desafios para as autoridades quirguizes é desenvolver as perspectivas econômicas. Uma mudança nas leis de migração de trabalho russas pode, por exemplo, ter repercussões devastadoras para o país. 

A corrupção é endêmica em todos os níveis de administração e governo. De acordo com o Índice de Percepção de Corrupção 2019, o país se classificou em 126 de 180 países. Dos países da Ásia Central, o Cazaquistão é o menos corrupto. Grupos poderosos no regime não têm interesse em perder sua habilidade de fazer dinheiro. Cristãos precisam enfrentar a questão da corrupção diariamente, se querem ter qualquer coisa feita precisam se preparar para pagar propinas. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

De acordo com o World Factbook, da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana, os quirguizes são a maioria (73,5%) do total da população. Outros grupos étnicos incluem uzbeques (14,7%), russos (5,5%), dunganes (1,1%) e outros (5,2%), como uigures, tajiques, turcos, cazaques, tártaros, ucranianos, coreanos e alemães. A maioria dos cristãos são russos e ucranianos. Desde os anos 1980, houve uma emigração de cristãos russos em larga escala. 

O Quirguistão é um país muito tradicional, onde a cultura islâmica prevalece, especialmente no interior do país. Cristãos, e mais especificamente ex-muçulmanos, experimentam aumento da pressão da família e membros da comunidade local. Mas também há severas restrições impostas pelo governo quanto a registro e trabalho com jovens.  

A sociedade quirguiz é mais tradicional que muitos outros países na Ásia Central. A pressão aos cristãos é principalmente direcionada aos convertidos ex-muçulmanos. Se nativos muçulmanos se convertem ao cristianismo, experimentarão pressão e ocasional violência física da família, amigos e comunidade local para forçá-los a retornar à antiga fé. Alguns convertidos são presos por longos períodos pelas famílias, e agredidos. Professores islâmicos locais pregam contra eles e podem fazer com que sejam expulsos das comunidades. O enterro cristão de convertidos é problemático e enfrenta oposição de moradores muçulmanos.  

Graças ao antigo sistema soviético de educação, praticamente todo cidadão no Quirguistão é alfabetizado. Isso significa que pessoas interessadas na mensagem cristã podem receber materiais na própria língua. As restrições impostas pelo governo — todo material ser aprovado oficialmente e apenas grupos registrados serem ativos na distribuição — significam que a maioria do trabalho deve ser feito de forma não oficial. 

Um fator importante que domina a vida social no Quirguistão é a cultura que está fundamentada nos valores e tradições islâmicos. Os 70 anos de ateísmo durante a era soviética não foram bem-sucedidos em resolver essa situação. O interior do Quirguistão é particularmente afetado por isso. Como resultado, cristãos nessas áreas, especialmente os ex-muçulmanos, não apenas têm de lidar com opressão do governo, mas também da sociedade ao redor. Nos últimos anos, houve relatos de enterros de convertidos ao cristianismo serem impedidos por moradores muçulmanos. 

Nos séculos 7 e 8, o cristianismo nestoriano se espalhou pelo Sudeste da Ásia Central e chegou ao Quirguistão. Isso foi mais ou menos na mesma época que o islamismo entrou no país. Após a invasão mongol, os cristãos nestorianos continuaram vivendo em paz. Isso mudou depois dos governantes mongóis se converterem ao islamismo. Um deles foi Timur Lenk (1336-1406), também chamado de Tamar Lane, que erradicou o cristianismo da região no século 14. 

A partir do século 16, o Quirguistão se tornou parte dos canatos uzbeques de Khiva e Bukhara. Em 1867, o Império Russo expandiu seu território para a Ásia Central durante uma quantidade de campanhas militares, conquistando os dois canatos. O regime trouxe étnicos russos, que pertenciam principalmente à Igreja Ortodoxa Russa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph Stalin ordenou a deportação de um grande número de étnicos alemães, ucranianos, poloneses e coreanos à Ásia Central. Com eles, várias denominações cristãs encontraram seu caminho para o Quirguistão. 

Desde o final dos anos 1980, e principalmente desde o colapso da União Soviética em 1991, muitos dos cristãos não quirguizes emigraram. Isso fez com que muitas igrejas tivessem dificuldade para sobreviver. Mas houve também um desenvolvimento positivo: desde então há muito mais liberdade religiosa no Quirguistão e grupos cristãos não tradicionais usaram a oportunidade para alcançar os quirguizes. O evangelismo no Quirguistão foi muito mais bem-sucedido do que em outros países da Ásia Central. 

Em 2005, o Quirguistão foi o primeiro país a substituir o regime pós-soviético com um governo eleito democraticamente, o único em toda a região. Entretanto, desde 2009, restritas legislações religiosas começaram a ser implementadas. 

Tempo de oração e estudo bíblico durante treinamento

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